<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470</id><updated>2012-02-01T21:47:00.756Z</updated><category term='espelho'/><category term='aldina duarte'/><category term='JSL'/><category term='fernando pernes'/><title type='text'>a fadiga da ladeira</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>89</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-3624074704026318355</id><published>2012-02-01T21:32:00.004Z</published><updated>2012-02-01T21:47:00.763Z</updated><title type='text'>os livros, pai</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://3.gvt0.com/vi/rNjtZ5V4P-c/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/rNjtZ5V4P-c&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/rNjtZ5V4P-c&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Trebuchet MS; font-size: xx-small;"&gt;in &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Trebuchet MS; font-size: xx-small;"&gt;&lt;a href="http://adevidacomedia.wordpress.com/2012/01/27/amar-os-livros/#comments"&gt;http://adevidacomedia.wordpress.com/2012/01/27/amar-os-livros/#comments&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;partilho aqui este filme de animação, que surripiei de uma das janelas virtuais mais ricas que conheço.herdei do meu pai o gosto pelos livros, pela fantasia que trazem dentro, pela companhia que nos fazem quando tudo parte, pela revoada de pássaros que levantam no marasmo, pelos mundos para que nos remetem, do lado de fora e de dentro. sempre o vi sentado num sofá parecido como aquele que aparecerá a dada altura no filme, desfiando livros uns atrás do outros, como se fossem a âncora que o mantinha aqui conosco, como se fossem as asas que o faziam voar por todo o lado, sem nunca sair do sítio. distribuía livros pelas filhas, com dedicatórias estudadas, das quais às vezes guardava um borrão.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;agora que o meu pai se foi embora (parece que foi ontem e a saudade aumenta sempre, como se o coração e a cabeça aguentassem expandir-se exponencialmente, assim), são as dedicatórias dos livros as cartas que nunca me escreveu, que animam os dias e as noites, quando parece que o vento sopra como um furacão; quando tenho um recado para dar ou para ouvir, são os livros que se sentam em volta, empilhados como muralha protectora ou espalhados no chão, cada um como pedra para saltar para a margem segura, como esteio para encostar uma ramada, uma lage ou um projecto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;disse-me muitas vezes &lt;i&gt;o que quer que precises de saber ou de aprender, deve haver já algum livro sobre isso.&lt;/i&gt; com tudo o que sabia pelo que leu, podia ter escrito muito, podia ter escrito um livro seu. mas era um grande leitor, daqueles que só os bons escritores merecem e agradecem por os lerem assim, tão devotamente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;de cada vez que apanho um livro aqui em casa, ou o trouxe lá de casa, ou mo deu o meu pai, ou o comprei eu por alguma coisa que me disse, que o trazia curioso ou pela curiosidade quase ilimitada que me ensinou a ter. ao longo dos anos em que o soube doente, fui-lhe pousando compulsivamente no colo todo o tipo de livros, na secreta esperança que algum fosse âncora definitiva, remédio maior que o curasse. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;ao arrepio do que lera eu num dos melhores livros dos últimos tempos, &lt;i&gt;a louca da casa&lt;/i&gt; - que não lhe dei a ler a tempo e agora é tarde - , a senhora das tempestades levou-o quando trazia um livro a meio. mas eu sei que já tinha lido o fim - uma vez, numa das longas esperas nas urgências do hospital, quando lhe dei um rebuçado para distrair da boca do sabor amargo da dor e um livro novo a estrear, estendeu o papel do rebuçado e entalou-o dentro do livro, depois leu o primeiro capítulo e a seguir o último. quando lhe perguntei a razão de ser do gesto, piscou-me o olho : &lt;i&gt;gosto de saber como o autor vai resolver o livro no último capítulo, depois ter visto como começa. agora que sei como acaba, vou ver as voltas que deu entretanto&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;e assim, de alguma maneira, nunca fica nenhum livro por acabar&lt;/i&gt;. rimo-nos os dois pela aparente batota. deixou um livro a meio, &lt;i&gt;a máquina de fazer espanhóis&lt;/i&gt;, do qual cheguei a ler passagens em voz alta para lhe entreter a espera quando não conseguia ler ou só para provocar quem esperava e desesperava ao seu lado e, ouvindo a leitura pelo canto do olho, tinha um motivo para sorrir. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;eu ainda leio em voz alta muitas vezes; sublinho livros, que foi coisa que o meu pai nunca fez; escrevo dedicatórias, mesmo nos livros que não sei se os destinatários já têm, perco-me horas a fio a ler e perco a estação de combóios onde ia sair; e quando perco um livro, perco um pedaço de mim; tenho um atril onde pouso os livros que trago às voltas, dentro e fora. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;obrigada, pai, pelo que te pertence de tudo isto. e por ser tudo isto aquilo que me fez ver este filme de animação e com um mar a desabar dos olhos, dedicar-to assim&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-family: Arial;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-3624074704026318355?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/3624074704026318355/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2012/02/os-livros-pai.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/3624074704026318355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/3624074704026318355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2012/02/os-livros-pai.html' title='os livros, pai'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-7386930908070324813</id><published>2011-04-11T13:01:00.001+01:00</published><updated>2012-02-01T21:08:15.010Z</updated><title type='text'>aos meus pais, pelo trigésimo nono aniversário do seu casamento:entrar no amor como em casa</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;há meses já, numa sexta-feira à noite, fui ao cinema ver &lt;em&gt;josé e pilar&lt;/em&gt;, sobre josé saramago e pilar del rio e sobre o amor deles. neste filme, pilar acompanha saramago sempre : na gestão da agenda, na travessia de mundos inteiros, no tomar de um comprimido, na leitura do correio e do jornal, no cozinhar e no comer, no receber e no visitar. e acompanha-o também nas horas longas, passadas com gente, dentro e fora de casa e nas horas ganhas em silêncio. melhor, pilar não o acompanha : eles fazem uma vida juntos. ela tem a sua própria voz, a sua vez, as suas reivindicações, as suas lutas, os seus livros, a sua cozinha. cada um é por si, mas é-o também graças à presença e alento do outro. a dada altura, pilar repreende saramago por se ter lembrado de subir de supetão e sem notícia prévia, à montanha mais alta da ilha de lanzarote – e chega a casa, já noite cerrada, os braços arranhados, o corpo dorido pelo esforço precipitado. repreende-o com raiva e com humor, temeu o pior mas orgulhou-se, entendi eu, da pequena traquinice de quem fintou o tempo e parou os relógios na hora em que a conheceu, para poder assim estar mais lentamente com a mulher da sua vida, que &lt;em&gt;tardou tanto em chegar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vi este filme e lembrei-me dos meus pais, de um amor conturbado, que chegou tarde (mas em tempo) e que demorou tanto a cumprir-se. os que lhe vaticinaram vida curta, invejam-lhe agora a vida longa. um homem mais velho com paixão pelos livros, mais pensador que fazedor, apaixonou-se por uma rapariga mais nova também com idêntica paixão, mas mais fazedora que pensadora. engenhosos ambos, tanto nas coisas simples como nas maiores, com escritas de génio e caligrafias impossíveis (que, somadas, deram origem ao meu arame farpado), sonharam sempre de forma corajosa, para si e para os seus, um mundo melhor, desse lá por onde desse. o pai queria ter sido médico, a mãe engenheira. talvez eu não estivesse aqui se cada um tivesse cumprido o que queria ser.eu pude ser tudo o que quis porque cada um deles fez por isso, à sua maneira.talvez o mundo tivesse sido diferente se tivessem sido o que sonharam. mas foi também diferente por terem sido o que foram e foi-o para melhor. poucas pessoas conheço que tenham cumprido o verso “&lt;em&gt;põe tudo quanto és no mínimo que fazes&lt;/em&gt;”. e o exemplo sério faz-me medir cada gesto e repetir muitos. &lt;br /&gt;todos estes anos os ouvi falarem dos mesmos professores, das mesmas terras, do mesmo chão, da mesma política, da mesma mágoa com ingratidões e incompreensões; citam a mesma história e admiram gestos diferentes; gostam de partidos diferentes e de clubes de futebol diversos, nem sempre explicitamente. sintonizam quase sempre a mesma rádio, partilham o mesmo jornal, e tudo isto deve vir da partilha de uma noz aberta a murro, na prateleira perpendicular à janela de um combóio com bancos de madeira. sabem de cor as mesmas linhas de comboio e os percursos dos mesmos rios e de coração coisas muito mais sérias que estas.gostam os mesmos livros antigos, dos mesmos cacos velhos, da mesma loiça nova, de relógios de vários sons e feitios, de rádios, de cães e de gatos, de árvores frondosas, de casas soalheiras, de pomares de laranjeiras, de parreiras de vinho americano no verão, de pessegueiros bravos no quintal a relembrarem o regresso da primavera. no 25 de abril punham a grândola aos berros dentro do carro, com as janelas abertas, para surdos e esquecidos ouvirem melhor. nenhum deles dança e dificilmente canta; nenhum deles sabe nadar e nenhum anda de biciclete. falam francês melhor que inglês e comovem-se ambos com as mesmas músicas, ainda que em dias diferentes.nunca vi o meu pai correr e sei que a mãe está contrariada se estiver sentada. mas andam sempre a par e passo, ainda que possam não estar na mesma volta. dizem mal da vida quando não sabem da chave, quando o telefone pára de tocar quando lhe chegam ao pé, quando batem com a cabeça num armário e todos os objectos mudam de nome. a mãe gosta de cozinhar, o pai de comer - e não sei qual das coisas levou à outra, embora suspeite que há um movimento de leva e trás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;num livro que lhes emprestei em tempos, há um verso que diz “&lt;em&gt;cada um de nós é um lugar para o outro&lt;/em&gt;.” poucas pessoas conheço que sejam assim - e vejo que cada um está em casa, no seu lugar, quando o outro está presente, não necessariamente por perto.e por serem lugar um do outro, criam também lugares à sua volta, onde estiverem, põem a mesa ao redor do coração. e quem se senta à sua mesa leva sempre mais alimento que a comida boa que teve no prato. quem nos dá assim de comer, de beber, de ler e de ouvir, quem nos faz trazer a espinha direita, a cabeça levantada, a fitar o que vem longe mas que vamos lá buscar, quem nos traz o alento, o mimo, o colo, o abraço, a condescendência, o riso e o choro, mas também a exigência, a pergunta, o confronto, traz-nos tudo e este tudo é sempre, quase sempre, mais do que merecemos ou sabemos receber.foi assim que ganhámos o amor aos livros e ao estudo, a noção da liberdade e da reivindicação, da amizade e da solidariedade, a medir nos dias de crise e de luta. e ensinaram-nos ainda que de nada vale andarmos de bem com os outros, se de mal conosco. e é também por isto que nos têm encorajado a aceitar desafios sem medo, que venha o que vier, haverá sempre um porto de abrigo e um prato de sopa na casa dos pais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mil anos que viva, suspeito que não consiga fazer por cada um e por ambos nem metade do que fizeram por mim até hoje. mas como o tempo que contamos hoje sabe ainda a pouco, apetece-me dizer “39 anos? só?” e rir-me convosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não vos peço desculpa por esta festa feita correr, pelas linhas escritas à pressa, pelos bolos batidos às três pancadas : foi chamar quem gosta muito deste vosso lugar e tchus, está feito, que foi convosco que aprendi que &lt;em&gt;a vida é para hoje&lt;/em&gt; e que &lt;em&gt;a poesia é para comer&lt;/em&gt; e que é possível &lt;em&gt;entrar-se no amor como em casa.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;beijo-vos e abraço-vos com ternura e orgulho.&lt;br /&gt;até para o ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a rapariga do meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;versos em itálico emprestados de manuel antónio pina, josé saramago, ricardo reis, daniel faria, natália correia."com um brilhozinho nos olhos", de sérgio godinho, à hora do brinde.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-7386930908070324813?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/7386930908070324813/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2011/04/aos-meus-pais-pelo-trigesimo-nono.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/7386930908070324813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/7386930908070324813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2011/04/aos-meus-pais-pelo-trigesimo-nono.html' title='aos meus pais, pelo trigésimo nono aniversário do seu casamento:entrar no amor como em casa'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-6599172331576577299</id><published>2011-01-18T00:53:00.004Z</published><updated>2011-01-18T01:11:30.900Z</updated><title type='text'>para não perder o que nos faz falta, é guardar no coração</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;The art of losing isn't hard to master;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;so many things seem filled with the intent&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;to be lost that their loss is no disaster.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Lose something every day. Accept the fluster&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;of lost door keys, the hour badly spent.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;The art of losing isn't hard to master.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Then practice losing farther, losing faster:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;places, and names, and where it was you meant &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;to travel. None of these will bring disaster.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;I lost my mother's watch. And look! my last, or&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;next-to-last, of three loved houses went.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;The art of losing isn't hard to master.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;I lost two cities, lovely ones. And, vaster,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;some realms I owned, two rivers, a continent.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;I miss them, but it wasn't a disaster.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;--Even losing you (the joking voice, a gesture&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;I love) I shan't have lied. It's evident&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;the art of losing's not too hard to master&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;though it may look like (&lt;em&gt;Write it!)&lt;/em&gt; like disaster.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/TTTjDCtxtVI/AAAAAAAAAIo/F_tVULrUOZY/s1600/PA050076.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/TTTjDCtxtVI/AAAAAAAAAIo/F_tVULrUOZY/s320/PA050076.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;era domingo à tarde e estava cansada ainda do passeio furtivo da véspera. a tosse, o ronronar ainda como um gato, as pernas moídas&amp;nbsp;pediam sofá, manta quente, mãos a rodearem uma chávena de chá como se assim afagassem o coração. liguei a televisão : uma rapariga a achar-se apenas bonita, outra a achar-se apenas inteligente, sem noção do bonita que é;&amp;nbsp;a bonita, explusa do sofá, vai à procura de um tecto e encontra colo numa avó perdida e firme; a outra decide deixar os processos infindáveis de um escritório de advogados e passear cães e&amp;nbsp;fazem-na perceber&amp;nbsp;o quanto é tão mais bonita do que alguma vez se permitiria. a bonita aprende a ler primeiro para si, depois em voz alta : &lt;em&gt;a arte de perder&lt;/em&gt;, de elisabeth bishop, com um velhinho já cego que outrora fora professor de literatura e a faz ver que pode e sabe pensar, sentir e dar a entender o que percebeu. no casamento da irmã (que uma e outra são irmãs), saca de um papelinho de diz, em volta alta, os versos abertos de cummings sobre o trazer-se o coração do outro conosco, dentro do nosso. de onde menos se espera, surgem coisas assim, que nos fazem pensar, esgravatar, respigar o que fica, e nos deixam, no fim, mais perto daquilo que cuidamos ser importante guardarmos e perdermos, sem ser em vão. e assim vamo-nos sentindo melhor na nossa pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;i carry your heart with me(i carry it in&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;my heart)i am never without it(anywhere&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;i go you go,my dear; and whatever is done&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;by only me is your doing,my darling)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;i fear&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;no fate (for you are my fate,my sweet) i want&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;no world (for beautiful you are my world,my true)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;and it's you are whatever a moon has always meant&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;and whatever a sun will always sing is you&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;here is the deepest secret nobody knows&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(here is the root of the root and the bud of the bud&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;and the sky of the sky of a tree called life;which grows&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;higher than the soul can hope or mind can hide)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;and this is the wonder that's keeping the stars apart&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;i carry your heart(i carry it in my heart) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;i carry your heart with me &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;e.e. cummings&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;in her shoes&lt;/em&gt;, de curtis henson, com cameron diaz, toni collette e shirley maclaine.&lt;br /&gt;chá preto com casca de laranja. bolo de erva-doce e canela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-6599172331576577299?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/6599172331576577299/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2011/01/para-nao-perder-o-que-nos-faz-falta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/6599172331576577299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/6599172331576577299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2011/01/para-nao-perder-o-que-nos-faz-falta.html' title='para não perder o que nos faz falta, é guardar no coração'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/TTTjDCtxtVI/AAAAAAAAAIo/F_tVULrUOZY/s72-c/PA050076.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-2030793210778777390</id><published>2010-12-07T13:05:00.000Z</published><updated>2010-12-07T13:05:43.123Z</updated><title type='text'>o bom de nós</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/TP4w04TdypI/AAAAAAAAAIc/lNUFVT3i0-U/s1600/P1011054.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" ox="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/TP4w04TdypI/AAAAAAAAAIc/lNUFVT3i0-U/s320/P1011054.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O mal de nós é ignorarmos o bom de nós".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;gonçalo nuno, jornalista, RDP 1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;obrigada pelo recado, lembro-o muitas vezes, a mim e aos outros. talvez não lho tenha agradecido em voz alta, talvez não lho tenha devolvido as vezes que devia e talvez o desfecho tivesse sido outro. dei por mim&amp;nbsp;a pensar que talvez a&amp;nbsp;vida fosse diferente se nos ouvissemos a nós mesmos. em&amp;nbsp;ganapos, punhamos as mãos a tapar as orelhas para não ouvirmos o que nos diziam e falávamos ao mesmo tempo, a nossa voz ecoava na nossa cabeça, ensurdecia-nos, mas o que nos diziam que não queríamos ouvir desaparecia, disfarçado. e agora, crescidos?, pomos música a tocar para dentro das cabeças, orquestras inteiras, pianos solitários, para apagarmos o barulho dos carros, a chiadeira da cidade, e acima de tudo, as vozes que ecoam do lado de dentro da nossa cabeça. talvez seja por isto que não nos ouvimos e não sabemos por onde anda o bom de nós.deixei um ramo de cravinas cor-de-vinho do lado direito do caixão e repeti, sibilando,&amp;nbsp;o recado que me deu.não importa repetirmos estes refrões, importa deixá-los tomarem conta de nós e agirmos de outra forma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-2030793210778777390?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/2030793210778777390/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2010/12/o-bom-de-nos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2030793210778777390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2030793210778777390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2010/12/o-bom-de-nos.html' title='o bom de nós'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/TP4w04TdypI/AAAAAAAAAIc/lNUFVT3i0-U/s72-c/P1011054.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-8337218516577330770</id><published>2010-12-06T23:59:00.005Z</published><updated>2010-12-10T01:32:14.505Z</updated><title type='text'>Fernando Narciso Neves</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/TP16DlKw45I/AAAAAAAAAIY/VsHtFV8UnS4/s1600/casa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" ox="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/TP16DlKw45I/AAAAAAAAAIY/VsHtFV8UnS4/s400/casa.jpg" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;era pescador de água doce, caçador de montes íngremes, arquitecto maior com igual orgulho na premiada habitação a custos controlados, como nos hóteis em que quem lá dorme não cuida do preço.e talvez por conhecer tão bem o chão e os limites do céu riscava sem medo. tinha uma caligrafia desenhada, que lhe saía naturalmente, como um&amp;nbsp;risco certeiro. no dia em que lhe disse &lt;em&gt;guarde esta casa para mim&lt;/em&gt;, respondeu-me &lt;em&gt;espero que seja muito feliz nesta casa, que a desenhei eu&lt;/em&gt;. e sou. &lt;br /&gt;e pergunto-me quanto da minha felicidade deriva das formas da casa, do desenho das janelas, das divisões que se vêem de umas para as outras, da rua que enquadram, dos materiais do chão e das portas, das risquinhas das&amp;nbsp;réguas das persianas na parede na manhã a nascente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;conheci-lhe momentos de fúria e de ternura no mesmo degrau da escada, no mesmo telefonema, na mesma ronda. saltava o muro para levar o cão a passear, saía de madrugada cedo ou na noite escura para levar o cão, para ser levado por ele. &lt;em&gt;menina, o peixe fresco de angejas, fresco como não há nenhum, mais até do que se estivesse no mar, o vinho verde gelado, não há coisa melhor, quando vem almoçar&lt;/em&gt;?o ar sóbrio no rosto empedernido pelos contratempos dos dias era traído pelo olhar de um miúdo de 5 anos, umas vezes alegre, outras perdido de choro pela morte de uma cadela, encostado à parede, a desabar até quase ao rodapé, pela dúvida na venda de uma casa, pelas mãos que deixaram de se levantar do lençol e de esbracejar : &lt;em&gt;de que me adiantam as asas se não posso voar?&lt;/em&gt; evitei visitá-lo, dei de beber à esperança - adiando a visita, talvez durasse mais e recuperasse alguma coisa, talvez o tempo, talvez a saúde.corrói-me pensar que o devia ter contrariado mais cedo, de forma mais séria, bruta até, podia ser que as coisas tivessem sido menos amargas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;guardo a voz cavernosa, umas vezes revoltada, outras a sorrir-se, sempre com todos os cuidados e mesuras; guardo a imensa esperança que me transmitiu, sempre, com orgulho desmedido, sobre a resistência de quem trazia doente e de como teve sempre tantos cuidados comigo e com os meus –&amp;nbsp;e dava-me receitas, recados, lembretes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vou-lhe estimar os seus, como me pediu.e o cão, a casa, o prédio.e continuar a perseguir-lhe os adversários, até que cumpram conosco o que falharam consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;onde estiver, espero que esteja bem.&lt;br /&gt;agradeço-lhe, tardiamente tudo que fez e abraço-o já com saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;o voo do açor, terra de abrigo, ronda dos quatro caminhos&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-8337218516577330770?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/8337218516577330770/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2010/12/in-memoriam-fnneves.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/8337218516577330770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/8337218516577330770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2010/12/in-memoriam-fnneves.html' title='Fernando Narciso Neves'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/TP16DlKw45I/AAAAAAAAAIY/VsHtFV8UnS4/s72-c/casa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-2623588720334195193</id><published>2010-10-04T01:06:00.003+01:00</published><updated>2010-10-04T02:09:54.114+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fernando pernes'/><title type='text'>olhar, ver, reparar ou fernando pernes</title><content type='html'>"&lt;em&gt;se podes olhar, vê; se podes ver, repara&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;do livro das evidências, epígrafe no &lt;em&gt;ensaio sobre a cegueira&lt;/em&gt;, josé saramago.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;fernando pernes levou-nos pela mão numa visita guiada a barcelona, com a fundação de serralves. e escrevo &lt;em&gt;pela mão&lt;/em&gt;, porque, no meio de tanto e tão pouco que se diz sobre aqueles grandes que nos faziam vir até ali - antónio gáudi, joan miró e salvador dali, fernando pernes levava-nos seguros mas livres, a ver o que também ele tinha visto, a não termos medo de não vermos nada disso ou vermos outras coisas. deslizava na frente de quadros, de esculturas, de paredes, de janelas, com a leveza de um bailarino, parecia que mal pousava os pés no chão.mas dizia, em frases breves, aparentemente simples, seguras, o que cuidava que fosse importante. havia entusiasmo no que dizia, havia vontade de dar a conhecer e de partilhar. era muito magro (como as&amp;nbsp;esculturas de&amp;nbsp;giacometti), sobrava-lhe colarinho na camisa, ombros no casaco, fumava muito, SG gigante, se bem me lembro, tinha sempre o olhar perdido num horizonte diferente do nosso. via e fazia ver coisas nos quadros, nos gestos, no que estava fora deles; nunca mais fitei um quadro ou o que fosse da mesma forma. guardo o seu olhar enternecido e a sorrir-se, tímido, quando lhe agradeci a viagem e as suas palavras e os seus silêncios. segurou-me nas mãos, "&lt;em&gt;ora essa, não tem nada a agradecer."&lt;/em&gt; tenho sim e é para a vida, suspeitei então, sabê-lo-ia mais tarde, do quanto seria revolucionária essa nova forma de olhar.&amp;nbsp;quando, há alguns anos já, me perguntaram, frente à praça dos leões, como podia ver tanta coisa num quadro e depois, quando, de frente para esse quadro, pousado na parede branca aos pés da cama, me voltaram a perguntar &lt;em&gt;como?,&lt;/em&gt; falei de fernando pernes, de barcelona e de como tudo começou.e talvez aí tenha transmitido algum do espanto, da curiosidade, da atenção, do olhar que recebi naqueles dias. tarde, digo daqui, muito obrigada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-2623588720334195193?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/2623588720334195193/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2010/10/fernando-pernes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2623588720334195193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2623588720334195193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2010/10/fernando-pernes.html' title='olhar, ver, reparar ou fernando pernes'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-6962410954912323888</id><published>2010-08-26T19:29:00.000+01:00</published><updated>2010-08-26T19:29:09.023+01:00</updated><title type='text'>e ainda tenho?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;Tinha-te a ti. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha-te a ti e tinha paz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num país que era ainda sonho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde a tristeza não tinha lugar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois era uma canção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não te ouvi cantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tempo das crianças&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode chorar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada e ninguém é infeliz,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é giz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A desenhar cidades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mesmo a noite ao abraçar o ar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não passava da porta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para me vir buscar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos milhões de estrelas conseguiste pintar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho-te a ti, tenho-te aqui&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta canção oração,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sou só saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando às vezes tendo a desistir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do jogo da cidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não se vai cumprir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encosto-me ao teu ombro &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que hoje é parte de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um dia eu vou ter o prazer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De viver em frente ao infinito mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E num instante recolher do ar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E graça desse amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pudeste deixar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fazer o dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;jpsimoes, 1970, micamo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-6962410954912323888?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/6962410954912323888/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2010/08/e-ainda-tenho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/6962410954912323888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/6962410954912323888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2010/08/e-ainda-tenho.html' title='e ainda tenho?'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-2990177499879104257</id><published>2009-12-23T21:36:00.001Z</published><updated>2010-01-04T01:03:53.301Z</updated><title type='text'>saber ser rapariga</title><content type='html'>e se, por não saber cumprir, meia-horinha que seja, o conselho "&lt;em&gt;just be there, be beautiful,be quiet&lt;/em&gt;"?, fosse antes assim :&lt;br /&gt;“As raparigas amam muito. Riem &lt;br /&gt;atrás das mãos uma manhã inteira &lt;br /&gt;para esconder o vermelho dos &lt;br /&gt;beijos que alguém lhes roubou e &lt;br /&gt;um nome que vão deixar escapar &lt;br /&gt;entre as primeiras palavras que &lt;br /&gt;disserem. Vestem do avesso os &lt;br /&gt;aventais de chita e fazem o leite &lt;br /&gt;sobrar do fervedor e o caldo ser &lt;br /&gt;mais salgado do que o mar. Mas &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é bonito vê-las caminhar descalças &lt;br /&gt;ao longo do corredor, como se &lt;br /&gt;pedissem um par para dançar. As &lt;br /&gt;raparigas amam tanto. Sentam-se &lt;br /&gt;em rodas de segredos uma tarde &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;inteira e esquecem no tanque os &lt;br /&gt;colarinhos sujos das camisas, e os &lt;br /&gt;cueiros, e uma barra de sabão a &lt;br /&gt;derreter-se como o seu coração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é bonito vê-las beijar a boca &lt;br /&gt;ao espelho no quarto das traseiras &lt;br /&gt;e também a outra boca no retrato &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que a seguir escondem amordaçado &lt;br /&gt;na algibeira, não lhes cobice alguém &lt;br /&gt;o que não tem. As raparigas amam &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de mais. Deixam-se ficar sem dizer &lt;br /&gt;nada uma noite inteira, bordando &lt;br /&gt;no linho dos enxovais letras secretas &lt;br /&gt;ao calor do fogão. E picam os dedos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;distraídos nas agulhas que usaram &lt;br /&gt;para descobrir o sexo de cada filho &lt;br /&gt;que terão num jogo que jogaram &lt;br /&gt;entre elas à tardinha. Mas é bonito &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vê-las ao serão, quando o vento as &lt;br /&gt;chama atrevido da cozinha e dão &lt;br /&gt;um pulo seco na cadeira, e largam o &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bordado e a lareira, e correm até à &lt;br /&gt;porta a colher beijos que lhes deixam &lt;br /&gt;risos nos lábios tão vermelhos como &lt;br /&gt;as mais doces cerejas deste verão."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nenhum nome depois&lt;/em&gt;, de Maria do Rosário Pedreira.&lt;br /&gt;Hoje, carlos vaz marques entrevista a escritora-editora na TSF.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-2990177499879104257?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/2990177499879104257/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2009/12/e-se-por-nao-saber-cumprir-meia-horinha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2990177499879104257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2990177499879104257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2009/12/e-se-por-nao-saber-cumprir-meia-horinha.html' title='saber ser rapariga'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-9157112433590772448</id><published>2009-12-14T12:07:00.004Z</published><updated>2009-12-14T12:13:46.983Z</updated><title type='text'>amor aos bocados, de forma inteira</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;em&gt;Dose da fatia de um doce&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;dá-me um bocadinho do teu amor&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;todos os dias&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;não mo dês todo hoje&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;que amanhã vou precisar dele outra vez&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;eu sei&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;conheço-me bem&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;e nesse aspecto&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;sou exactamente como o resto da humanidade&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;preciso de ser amado todos os dias&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;só espero não morrer muito velhinho&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;para que o teu amor me&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;[dure até ao fim da vida&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;em&gt;joão negreiros, in «o cheiro da sombra das flores».&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;ontem peguei numa criança ao colo que quase me cabia na palma da mão (as minhas mãos são grandes), chorava e não me conhecia de lado nenhum.é filha de uma das amigas mais bonitas que tenho,das mais antigas e também das melhores. não precisamos de nomear as coisas e estamos bem assim. partilhamos cinemas, teatros, cafés, jantares de comida picante, saídas em dias sérios de inverno.a criança encostou a cabeça no meu ombro esquerdo, parou de chorar quando respirei fundo e fiz o meu coração bater mais devagar, de forma que a embalasse. a minha mão direita, a que escreve e tem,por isso, mais força, estava pousada do leve nas suas costas.sibilei uma canção de embalar, fiz-lhe uma festa na nuca frágil e deixou-se dormir. enquanto ela dormia, pensei nestes versos, do amor contínuo, em bocados infinitos, presente todos os dias. ter-se um filho é isso, se calhar, alguma vez o saberei?, falo de cor, ter-se um filho é gostar-se sempre de alguém, todos os dias, pois precisam do nosso amor, mesmo depois de nos irmos embora. em nome dos filhos diz-se tudo, faz-se tudo, pergunta-se tudo, e também, em nome dos filhos, se escolhe o amor ao medo, se escolhe o amor à solidão, se dão respostas a perguntas por fazer, se diz o que ainda não nos perguntaram, se luta até ao fim, preferindo sempre a derrota à desistência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;antes de sair, pousei-a ao de leve no berço que tinha vindo até à sala, a deslizar pelo soalho, para que aprendesse a&amp;nbsp;dormir ao lado dos crescidos que conversavam. é importante uma criança aprender a dormir debaixo de luz, no meio dos sons e da multidão,ganha defesas para o que a espera daqui a nada, para a vida cheia, sonora, colorida, feliz, que a espera, impaciente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;"canção de embalar", zeca afonso, cantado por madredeus.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-9157112433590772448?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/9157112433590772448/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2009/12/amor-aos-bocados-de-forma-inteira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/9157112433590772448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/9157112433590772448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2009/12/amor-aos-bocados-de-forma-inteira.html' title='amor aos bocados, de forma inteira'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-6277373568187744147</id><published>2009-12-01T01:09:00.003Z</published><updated>2009-12-02T22:40:53.578Z</updated><title type='text'>"ainda há futuros como antigamente?"</title><content type='html'>&lt;div&gt;há um gato parecido com o de olhos azuis que aparece no seu blog que, às vezes, vindo de um país longínquo, vem comer à minha porta, mas nunca da minha mão, dorme na beirinha do muro do meu jardim mas eu tardo e ele vai-se embora cansado.sei que somos quase vizinhos, temo-nos cruzado por aí, mas eu que me perdi em todas as vezes que a nossa amiga comum esteve para nos sentar à mesma mesa, vou-me sorrindo de cada vez que nos cruzamos e eu não digo nada. eu tenho um quarto voltado a nascente pintado de verde chá e alface claro.gostei do desenho a grafite,com gato e tudo, quase fotografia.a minha gata não voltou há meses, deve ter sido seduzida por algum siamês danado, arranca-corações, despedaça donas de gatas que ronronam às seis da manhã a dizer "&lt;em&gt;acorda lá, quero leite, ir à rua, ouvir o caetano, esgadanhar outra gente, comer mais duas folhas do antúrio, saltar do ramo mais alto da árvore ali do vizinho, despenhar-me do alto da laranjeira e trazer teias de aranha nas orelhas&lt;/em&gt;". e eu rosnava-lhe " &lt;em&gt;é cedo, acabei de dormir, doem-me os dedos de escrever, tenho o tamborilar do teclado na cabeça, também quero café e torradas e jornal dobrado em dois e chuva na cara e camélias floridas mas mais logo e não tenciono meter o nariz de fora, quanto mais o pé no chão, quanto mais os dois lá fora para te deixar no jardim&lt;/em&gt;." consenso : mais meia hora de sono, a troco de quase nada, um punhado de mimo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ando há dias perdidos a congeminar o ensaio sobre o futuro e o mote que me mandou tem servido para pensar muito. mesmo que as linhas não cheguem aí, valeu a pena pen(s)ar na resposta.não sei se vou ter outro gato mas gostava.não quero que o ter um gato em casa me impeça de, perante uma reviravolta no futuro, de ficar por onde me chamem e não voltar sequer para aviar os livros. quero um gato em casa que mie quando chego, que faça mais barulho que eu, que faça barulho quando o silêncio pesa muito e não é música que quero ouvir e me apetece colo e não há gente.&lt;br /&gt;não sei se tenho ainda "&lt;em&gt;uma confiança danada no futuro&lt;/em&gt;" e se lhe estendo as mãos para dar ou para pedir.tenho-me perguntado se o não haver futuros como antigamente não deriva de andar a fazer menos no presente, como se uma coisa pudesse vir sem a outra, como se pudesse querer um futuro como antigamente quando já nao tenho um presente igual. suspeito que einstein tinha razão ,"&lt;em&gt;eu não preciso de me preocupar com o futuro, ele não tarda nada em chegar&lt;/em&gt;." talvez seja por isto que vamos descurando o futuro, sonhando menos, sabemos que ele chega cada vez mais depressa, o futuro, ultimamente, chega ainda no dia de hoje.mas, por outro lado, suspeito também que&amp;nbsp; o futuro precisa é que não contemos tanto com ele, o presente é que tem de levar o melhor de nós, dizia uma frase de camus num documentário no outro dia, escrevi-a de cor nas costas de um envelope,perdi-o,cito o senhor de cor.soube há dias que o meu pai, que tem andado doente, poderá não ter todo o futuro que lhe sonhámos, que precisamos que tenha, que suspeitamos que quer ter, depois de quase não ter tido nem mais um dia pela frente sequer. faz-me pensar na nossa ambição de querermos sempre um futuro vasto, inabarcável e como tive de aprender a pedir um dia de cada vez, eu sempre tão sôfrega de tudo, vivendo antes cada dia e um de cada vez, de forma a que morresse com aquele dia no olhar, como aconselhava avisadamente truman capote. como se, em cada dia, tivesse de estar preparada para que não houvesse outro dia. quem não vive assim não pede outro dia, pede muitos dias, pede duas mãos cheias deles, para poder falhar muitos dias e ainda lhe sobrarem alguns para emendar a final.suspeito que possa ter razão aquela história citada por lobo antunes e por rosa mantero, sem que nenhum se refira ao outro (conhecer-se-ão?), em que dizem que há uma história que conta que a senhora das tempestades nunca leva consigo quem traga um livro começado por acabar. deve ser por isso que trago começada uma biblioteca inteira e adio o dia de terminar qualquer um dos livros começados. foi por isso que entreguei um livro com mais de uma resma de páginas ao maior leitor que conheço, o meu pai, e espero que o comece e que nunca mais o acabe, para que possa voltar a ter um futuro como antigamente.&lt;br /&gt;sem dar por ela, acho que lhe disse o que iria dizer depois mais longamente, de forma mais cuidada e mais bonita. mas saiu agora e é por aqui que se fica.&lt;br /&gt;um abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in&lt;br /&gt;&lt;a href="http://adevidacomedia.wordpress.com/2009/12/02/ainda-ha-futuros-como-antigamente-xii/"&gt;http://adevidacomedia.wordpress.com/2009/12/02/ainda-ha-futuros-como-antigamente-xii/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;antónio pinho vargas, solo 1.&lt;br /&gt;maria schneider, sky blue.&lt;br /&gt;r.leão, a mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-6277373568187744147?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/6277373568187744147/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2009/12/ainda-ha-futuros-como-antigamente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/6277373568187744147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/6277373568187744147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2009/12/ainda-ha-futuros-como-antigamente.html' title='&quot;ainda há futuros como antigamente?&quot;'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-3044370253631613858</id><published>2009-04-22T23:55:00.005+01:00</published><updated>2009-04-23T00:44:38.999+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aldina duarte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='espelho'/><title type='text'>"não vou, não vou"</title><content type='html'>&lt;em&gt;Mãe, eu quero ir-me embora – a vida não é nada&lt;br /&gt;daquilo que disseste quando os meus seios começaram&lt;br /&gt;a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,&lt;br /&gt;murcharam tão depressa as rosas que me deram –&lt;br /&gt;se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu&lt;br /&gt;deves lembrar-te porque disseste que isso ia acontecer.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mãe, eu quero ir-me embora – os meus sonhos estão&lt;br /&gt;cheios de pedras e de terra; e, quando fecho os olhos,&lt;br /&gt;só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais&lt;br /&gt;que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos&lt;br /&gt;os sonhos que tiveste para mim – tenho a casa vazia,&lt;br /&gt;deitei-me com mais homens do que aqueles que amei&lt;br /&gt;e o que amei de verdade nunca acordou comigo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mãe, eu quero ir-me embora – nenhum sorriso abre&lt;br /&gt;caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.&lt;br /&gt;Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez&lt;br /&gt;não chames pelo meu nome, não me peças que fique –&lt;br /&gt;as lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me&lt;br /&gt;embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue&lt;br /&gt;de uma ferida que se foi encostando ao meu peito como&lt;br /&gt;uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mãe, eu vou-me embora – esperei a vida inteira por quem&lt;br /&gt;nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta&lt;br /&gt;hora as ruas estão desertas e as janelas convidam à viagem.&lt;br /&gt;Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas&lt;br /&gt;essa voz, tu sabes, não é a tua – a última canção sobre&lt;br /&gt;o meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias&lt;br /&gt;foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão&lt;br /&gt;tão grande, e as rosas que disseste um dia que chegariam&lt;br /&gt;virão já amanhã, mas desta vez, tu sabes, não as verei murchar.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;Maria do Rosário Pedreira,&lt;br /&gt;in "O Canto do Vento nos Ciprestes", Gótica,  2001.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ouvi a entrevista na TSF antes do concerto que lamentei perder.depois da luta da manhã,oferecei-me a caixa de música, rebuçado merecido, vim pelo caminho que nem dei por fazer, a ler as letras antes de ouvir a música, como no outro dia fora ver o filme depois de ter andado anos a sonhar as imagens daquela banda sonora antecipada.não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;revejo-me (demasiado?, mais que espelho), em quase todos os versos, na doçura amarga do canto, contraditória com a forma ridente da conversa.trago as músicas e as respostas da entrevista transmitida a segurarem-me o coração nesta espera, como mãos que escoram a água salgada em que me desfaço em segredo; esta escora sustenta-me na travessia demasiado lenta de todas as noites, agora maiores, paridas, o dia nunca mais amanhece, acordo de dia e é ainda de noite, será dia só aquele que acorde contigo uma e outra e outra vez, mil vezes sem que nunca me canse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;trago rosas já abertas, quase a desabarem de tão floridas, na jarra de vidro fino, pousada em cima da mesa branca na sala azul escura, onde recebo quem se intriga levemente com o cabelo cortado rente à alma e se deixa logo distrair pelo cheiro das flores maduras. se quero flores, roubo-as eu; tardam teus gestos; mas será de perder de vista o jardim que virá contigo, um dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passa da meia-noite e oiço os ruídos de uma casa quieta, por vazia de gente. há livros que desabam nas estantes, louça que estala nos armários, folhagem dos vasos a raspar nos vidros da janela da sala às escuras. a gata recuperada de jardim alheio dorme em cima do meu pulso esquerdo, entregando-se ao sono, cuidando que a noite voará assim num ápice, não tarda voará do alto de laranjeiras.tenho vontade de agarrar um lápis colorido e de escrever versos e votos nas paredes, para depois ao percorrer a casa no escuro, ler o caminho de regresso pelo dedos. a ver se assim entra em mim, pela leitura que fazem os dedos, o que não entra pela escrita. queria não gritar em surdina "&lt;em&gt;não vou, não vou&lt;/em&gt;". queria outro verso para nós,"&lt;em&gt;nada entre nós tem o nome da pressa&lt;/em&gt;." mas não te demores toda a vida, que não temos assim tanto tempo pela frente, para dar vazão a tudo o que nos propusemos fazer, escrever, desenhar, cozinhar, dormir, ouvir, criar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;mulheres ao espelho,&lt;/em&gt;aldina duarte.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917512&amp;amp;audio_id=951367"&gt;http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917512&amp;amp;audio_id=951367&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a eternidade e um dia, &lt;/em&gt;eleni karaindrou.cinema cidade do porto.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a casa quieta&lt;/em&gt;, de rodrigo guedes de carvalho.estante do corredor, fila de trás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-3044370253631613858?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/3044370253631613858/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2009/04/nao-vou-nao-vou.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/3044370253631613858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/3044370253631613858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2009/04/nao-vou-nao-vou.html' title='&quot;não vou, não vou&quot;'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-417648590630393016</id><published>2009-04-14T00:03:00.004+01:00</published><updated>2009-04-14T00:44:31.769+01:00</updated><title type='text'>mondar</title><content type='html'>&lt;em&gt;Il a mis le café&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dans la tasse&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Il a mis le lait&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dans la tasse de café&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Il a mis le sucre&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dans le café au lait&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Avec la petite cuiller&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Il a tourné&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Il a bu le café au lait&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Et il a reposé la tasse&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sans me parler&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Il a allumé&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Une cigarette&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Il a fait des ronds&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Avec la fumée&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Il a mis les cendres&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dans le cendrier&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sans me parler&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sans me regarder&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Il s’est levé&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Il a mis &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Son chapeau sur sa tête&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Il a mis&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Son manteau de pluie&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Parce qu’il pleuvait&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Et il est parti&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sous la pluie&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sans une parole&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sans me regarder&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Et moi j’ai pris&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ma tête dans ma main&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Et j’ai pleuré.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jacques PRÉVERT, Paroles (1945)©1972 Editions Gallimard&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;este poema tinha fugido do livro, porque temia ser lido e servir de aviso, de legenda para fotografia adivinhada, para passado alheio, para futuro temido. dias depois, ouvi-o com um sotaque antigo de quem aprendeu francês nos livros e depois o foi rever a paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;não serei eu quem segura a cabeça pesada, pousada nas mãos vazias&lt;/em&gt;, disse, decidida. depois pensei : este verso podiam dizer-to, há tempos atrás? ou podias sublinhá-lo tu, ainda hoje, mudando-lhe o género? e quem serás hoje, mais quem olha ou mais quem se vai, sem uma palavra sequer?esperas ou és esperado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como posso eu compreender que alguém se deixe ficar a chorar depois deste pedaço de filme mudo e a ele regresse, todas as manhãs? são precisos dois para dançar o tango; são precisos dois para sofrer assim : quem faz os gestos como estivesse só, ao espelho e quem a eles assiste como se aceitasse a solidão imposta, remetendo-se a uma secreta esperança de que será diversa a manhã seguinte, embora nada fazendo para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deste lado da rua, convido-te para um café na madrugada, ouves daí?, já está escolhida a música da dança da manhã, respigada a poesia da estante e sussurada ao ouvido já na saída ou dita secretamente para a caixinha dos recados; deste lado da rua sabes o que te espera; e quando tardas e quando não vens ou quando te vais sempre demasiado cedo, sou eu quem chora silente, não como a mulher do verso, mas por a felicidade ser tão intermitente e tão fugaz, saber sempre a tão pouco, ainda assim contente e comovida com a alegria que tanto promete a migalha do pão da manhã. é muito diverso aqui o café da manhã; agrada-te? que farás para doravante o tomarmos juntos todos os dias, no novo jardim, saídos da cama, os pés nús no chão gelado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não gostas de leite sequer. e o café leva contigo o acúçar primeiro.comigo, aprendeste que não se mexe o café alheio, cada um sabe do seu, como o prefere mais doce ou o aguenta mais amargo.há quem beba o café amargo, para assim circunscrever a amargura do dia logo cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas pergunto-te pelo café da manhã da música do chico, onde se berra compassadamente&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;eu quero que você venha comigo&lt;/em&gt;". quando será teu também este verso, cumprido em cheio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a gata cansada de perseguir melros na laranjeira toda a manhã, debaixo da chuva, dorme no meu braço esquerdo. da outra sala ecoa música" &lt;em&gt;a eternidade e um dia&lt;/em&gt;", de eleni karaindrou (será este o tempo da espera?) já sei a música quase de cor, amanhã vou conhecer o filme, temo que fique aquém do que o sonhei dentro da minha cabeça, ao ouvir a música de avanço, anos antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há muitas flores semeadas pelas jarras da casa, trouxe a primavera para dentro de todo este papel. agora a estrada corre nas minhas costas, em vez de advir da esquerda, como a luz. pode ser que assim me concentre em escrever escrever escrever desenhar garatujar escrever desenhar fotografar escrever escrever mondar mondar escrever de novo, não olhes para o caminho, monda teu milho bem, para que cresça de folha larga. e tu, mondarás também, para que o teu milho cresça como o queres?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-417648590630393016?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/417648590630393016/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2009/04/mondar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/417648590630393016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/417648590630393016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2009/04/mondar.html' title='mondar'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-2783887558390747211</id><published>2008-11-04T20:45:00.003Z</published><updated>2008-11-04T21:03:25.107Z</updated><title type='text'>"mais que isso"</title><content type='html'>Amores que Matan&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Joaquin Sabina&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yo no quiero un amor civilizado,con recibos y escena del sofá;yo no quiero que viajes al pasadoy vuelvas del mercadocon ganas de llorar.Yo no quiero vecínas con pucheros;yo no quiero sembrar ni compartir;yo no quiero catorce de febreroni cumpleaños feliz.Yo no quiero cargar con tus maletas;yo no quiero cortarme la coleta que elijas mi champú;yo no quiero mudarme de planeta,brindar a tu salud.Yo no quiero domingos por la tarde;yo no quiero columpio en el jardin;lo que yo quiero, corazón cobarde,es que mueras por mí.Y morirme contigo si te matasy matarme contigo si te mueresporque el amor cuando no muere mataporque amores que matan nunca mueren.Yo no quiero juntar para mañana,no me pidas llegar a fin de mes;yo no quiero comerme una manzanados veces por semanasin ganas de comer.Yo no quiero calor de invernadero;yo no quiero besar tu cicatriz;yo no quiero París con aguaceroni Venecia sin tí.No me esperes a las doce en el juzgado;no me digas "volvamos a empezar";yo no quiero ni libre ni ocupado,ni carne ni pecado,ni orgullo ni piedad.Yo no quiero saber por qué lo hiciste;yo no quiero contigo ni sin ti;lo que yo quiero, muchacha de ojos tristes,es que mueras por mí.Y morirme contigo si te matasy matarme contigo si te mueresporque el amor cuando no muere mataporque amores que matan nunca mueren.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e tu, que queres de mim?nós dizemos &lt;em&gt;amo-te&lt;/em&gt;, os espanhóis &lt;em&gt;te quiero,&lt;/em&gt; sublinharam-me uma vez.&lt;br /&gt;e tu, que me dizes? em que língua me escreves, em que língua te calas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dou comigo a pensar que quero que me ames menos, que sejamos mais chãos, que me queiras mais, sem peias, sem especulações, sem medo, sem teorias.dou comigo a dizer-to. dou por mim a falar sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois, tropeço dentro de mim na deixa que me grita"&lt;em&gt;apenas como tu queiras ficaremos vivos, como tu queiras amor, como tu queiras&lt;/em&gt;." e escreve &lt;em&gt;amor&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;querer&lt;/em&gt;, repara bem, amor e querer, a cumprirem-se inteiros. não há aqui aquela conversa do poder-se gostar e partir, ainda assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há três dias que oiço a mesma música, como se fosse um carrossel. e parece que mesmo assim não escuto os recados que me dá.trago cabeça e coração às voltas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dorme bem tu, que o meu sono espantou-se com tudo isto, parece que não sabe do caminho de voltar.talvez cumpra o verso citado por rosa montero "&lt;em&gt;a imaginação é a louca da casa"e , &lt;/em&gt;em mais uma noite em claro, ande a abrir portas, janelas, livros e fotografias e cartas e desenhos e imagine a vida &lt;em&gt;autrement,&lt;/em&gt; entregando-me assim à loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;seu jorge e ana carolina&lt;br /&gt;ao vivo "mais que isso".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-2783887558390747211?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/2783887558390747211/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2008/11/mais-que-isso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2783887558390747211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2783887558390747211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2008/11/mais-que-isso.html' title='&quot;mais que isso&quot;'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-715890588074488427</id><published>2008-07-03T19:59:00.005+01:00</published><updated>2008-07-03T21:10:18.633+01:00</updated><title type='text'>resoluções de ano novo</title><content type='html'>&lt;em&gt;I must have been almost crazy&lt;br /&gt;to start out alone like that on my bicycle&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;pedalling into the tropics carrying &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a medicine for which no one had found &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;the disease and hoping &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;I would make it in time&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;I passed through a paper village under glass&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;where the explorers first found &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;silence and taught it to speak&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;where old man were sitting in front&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;of their houses killing sand without mercy&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;brothers I shouted to them&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;tell me who moved the river&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;where can I find a good place to drown&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;richard shelton&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;apanhar uma bicicleta para largar a descer avenida da boavista abaixo, com os pés soltos dos pedais (como ainda não cheguei a aprender mas não tarda). deixar de querer encontrar soluções para problemas que ainda não existem e para outros que não vão deixar de existir, escreva o que escrever. "&lt;em&gt;não há-de ser nada, pois não&lt;/em&gt;?"ansiar que descubram agora o remédio que trate quem quero bem e este chegar a tempo. ter vergonha por querer que todos durem mais um dia e mais outro e saber que fora eu nesta luta, já me tinha ido há muito. saber estar calada, mesmo quando me ocorrem muitas coisas sobre as areias dos castelos desfeitos que perpassam os dedos redondos. não chorar por me esquecer da ideia que ia escrever, rir-me por não saber onde está o papel onde a escrevi. sentar-me na beirinha dos muros que delimitam os rios, com os calcanhares a baterem alternadamente contra a parede, correr à margem sem medo de cair. mudar o curso dos rios nuns dias e depois querer que fiquem quietos e que ninguém se vá embora nem já nem depois. descer escadas sem corrimão sem receio de cair, a olhar em frente e sem cuidar de saber se falta um degrau ou outro. assomar ao cume dos montes cobertos de árvores à séria e de outras de metal e em ambas ouvir o vento e as vozes todas e as lengalengas da infância e os poemas sabidos de cor, as linhas escritas com fios subtraídos ao coração. fita-cola, tesoura, papel, pioneses, caixas vazias de cigarrilhas, e lá dentro uma fotografia roubada e um poema emprestado em cada caixa e uma caixa para cada amigo. o cheiro da comida da mãe, o levantar do auscultador do telefone e saber que quem o faz assim é o pai e daí nada, pausadamente,"&lt;em&gt;então, camarada&lt;/em&gt;?" e querer estes cheiros, estas vozes e esta gente assim, para sempre, como prenda de anos. fotografar, escrever, dar a ler, pedir que escrevam, que fotografem, que nos dêem a ler. encher cadernos de motes e de desenhos e depois não os enfiar na gaveta.vestir todos os dias os pés, as orelhas, o olhar, como se fosse dia de festa. dormir à noite como se adiantasse sonhar que bom,bom mesmo, vai ser o dia seguinte, pode ser que seja amanhã que oiço "&lt;em&gt;hoje é o dia&lt;/em&gt;!". regar vasos e esperar o cheiro das flores dentro de casa, os pássaros no pátio. sorrir a estranhos e fazer caretas às crianças quando os outros não estejam a ver. decidir deixar de só reescrever as linhas dos outros e ganhar a coragem de falhar (em grande) escrever as minhas.sobrevoar o país em balão, alegando que é trabalho e fazer fotografias para não ter medo das alturas. nadar mariposa. escrever com a mão esquerda também no papel. escrever todos os dias, reescrever todas as noites. saber a resposta à pergunta da cara bonita da publicidade no relojoeiro perto da fnac, "&lt;em&gt;what are you made of&lt;/em&gt;?" aprender a desafinar menos um bocadinho.conduzir mais devagar.correr mais depressa e por mais tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e fazer tudo isto e tudo o mais que me proponham, trazendo no ombro, à séria e a sorrir ou a avisar, ou já a doer, apenas por dentro, todos aqueles que me fazem boa diferença, a quem agradeço o estarem aqui a fazer a festa, todos os dias, de uns anos para os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"as folhas novas mudam de côr", antónio pinho vargas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-715890588074488427?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/715890588074488427/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2008/07/resolues-de-ano-novo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/715890588074488427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/715890588074488427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2008/07/resolues-de-ano-novo.html' title='resoluções de ano novo'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-7018415506122409429</id><published>2008-05-30T21:32:00.002+01:00</published><updated>2008-05-30T21:35:10.905+01:00</updated><title type='text'>venha a tempestade, venha</title><content type='html'>Gracias a tu cuerpo doy&lt;br /&gt;Por haberme esperado&lt;br /&gt;Tuve que perderme&lt;br /&gt;pa'llegar hasta tu lado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gracias a tus brazos doy&lt;br /&gt;Por haberme alcanzado&lt;br /&gt;Tuve que alejarme&lt;br /&gt;pa'llegar hasta tu lado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gracias a tus manos doy&lt;br /&gt;Por haberme aguantado&lt;br /&gt;Tuve que quemarme&lt;br /&gt;Pa'llegar hasta tu lado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="color:#800080;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.lyricstime.com/lhasa-de-sela-pa-llegar-a-tu-lado-lyrics.html"&gt;Lhasa De Sela &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pa'llegar A Tu Lado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não me importa nada, desde que chegue até ti.ou tu até mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-7018415506122409429?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/7018415506122409429/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2008/05/venha-tempestade-venha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/7018415506122409429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/7018415506122409429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2008/05/venha-tempestade-venha.html' title='venha a tempestade, venha'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-5788041475162664620</id><published>2008-05-21T16:04:00.003+01:00</published><updated>2008-05-21T16:14:34.949+01:00</updated><title type='text'>palavras certeiras</title><content type='html'>&lt;em&gt;As pessoas que escapam da morte certa têm um olhar diferente das outras. Uma espécie de alheamento dos pequenos gestos, uma atenção distraída às miudezas da existência, e um discurso directo ao assunto que parece insensibilidade e é a noção do tempo que passa. Uma pessoa a quem é dito que tem pouco tempo de vida sabe coisas que outras pessoas não sabem. O olhar fica mais fundo e calado, resisitindo à divagação que é a tendência dos imortais.A mulher sentada à minha frente é muito jovem, 20 e tal anos, e uma cara lisa de uma palidez delicada, como uma boneca de porcelana chinesa. Enquando brinca com uma colher de metal, com a tal atenção distraída com que come o que está em cima da mesa, diz que os médicos lhe deram 6 meses de vida aos 23 anos. Seis meses de vida. Ou três meses de vida. Os médicos dizem muito estas verdades, pressupondo que queremos saber delas e que a verdade acima de tudo, como nos filmes, é um valor intrínseco do exercício da medicina. A minha experiência da condição humana doente, e doente terminal, pelos amigos e próximos que vi morrer, é que a verdade é o que menos interessa e que a esperança é a essência da sobrevivência. A morte intimida e saber da morte certa não suaviza nem a morte nem a vida que resta.Diz que respondeu aos médicos que nem pensar, que ainda tinha muita coisa a fazer. Diz isso com uma voz calma e delicada como a face, e sem colocar acentos dramáticos na história, sem a pontuar ou abrir parágrafos, com a neutralidade de quem conta um episódio que se passasse com outra pessoa. Sofreu as operações, os tratamentos, as transfusões, a humilhação branda e sistemática do hospital, do internamento, da dependência e da fraqueza. Depois sobreviveu para além dos meses do prazo, sobreviveu anos. De seis em seis meses, sempre esta mania dos seis meses como prazo de prorrogação da vida, faz testes. Os anos passados dão-lhe a garantia de uma cura, ou de uma fase curada da doença. O facto de fazer testes continua a fazer da doença uma companhia, agora uma companhia que conhece bem e que não deixa aproximar-se do corpo.Diz que sobreviveu porque se recusou a morrer, e isto não é tão simples como parece. Os médicos tratam-na como um “milagre da medicina”, um daqueles falsos casos perdidos, e tratam-na bem, gostam dela, vigiam-na com todo o cuidado, porque uma vida salva é uma consolação em casos com prognóstico tão fechado. Um cancro aos 20 anos.E porque é que ela se recusou a morrer? Porque é que não se deixou ficar no seu canto e encomendar as últimas vontades, a tomar sedativos e antidepressivos, a entristecer e a perguntar a um deus desconhecido porquê eu? Porque é que não se lamentou e chorou e rasgou as vestes? Ela diz com a voz muito calma e a expressão inteligente. “É a cabeça. A minha cabeça.” E depois repete compassadamente “está tudo na cabeça”.A palidez contrasta com o vestido negro. É uma palidez que não se deixa toldar por qualquer rubor e que lhe confere a beleza superior do exotismo. Os olhos são diferentes, sem a inocência da juventude. São olhos que viram demasiadas coisas antes do tempo. Como os olhos dos soldados que fizeram a guerra. Depois levantou-se nos saltos altos e caminhou sobre uma ladeira de pedras polidas sem tropeçar ou cair, como quem sabe o caminho. Uma ladeira das que não suportam saltos altos. Eu pensei, o heroísmo é isto, esta teimosia. Isto é ser heróico. Continuar a subir a ladeira. Não é tão simples como parece.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;clara ferreira alves, revista máxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estas palavras certeiras já entreguei a quem precisava de as ler e, não as sabendo escrever eu e muito menos assim, rasguei a página da revista, tirei cópia e dei a ler que espero agora que seja teimoso e que não se conforme com as notícias que nos deram e que ignora.venha a ladeira mais íngreme que vier, estaremos aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-5788041475162664620?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/5788041475162664620/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2008/05/palavras-certeiras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/5788041475162664620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/5788041475162664620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2008/05/palavras-certeiras.html' title='palavras certeiras'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-5857372101454258892</id><published>2008-04-15T10:06:00.006+01:00</published><updated>2008-04-15T10:39:38.109+01:00</updated><title type='text'>vento</title><content type='html'>&lt;em&gt;Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;só entram nos meus versos as coisas de que gosto&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O vento das árvores o vento dos cabelos &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;o vento do inverno o vento do verão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O vento é o melhor veículo que conheço&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Só ele traz o perfume das flores só ele traz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a música que jaz à beira-mar em agosto&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O vento actualmente vale oitenta escudos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ruy belo, &lt;em&gt;o valor do vento&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;(em edição gratuita ao balcão da fnac.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acordei com o vento a meio da noite, abriu de sopetão uma janela da sala.andei pela casa, que parecia surpreendida por me ver ali, a desoras, a percorrê-la na escuridão. fechei a janela, depois de deixar o vento entrar e sair. hoje, quando me levantei, vi os livros que tirou da estante, da mesa e do chão, a música que andou a ouvir. soube então quem o vento trouxe de visita esta noite e se deixou ficar escondido, mesmo quando julguei que fora embora, de novo. havia um rosa desfolhada em cima de um livro e uma luz amarela, de cinema, a abraçá-los a ambos. há pessoas que nos entram pela vida adentro e depois nos acompanham até ao nosso fim.volta não volta, lembram-nos que nunca se vai mesmo embora quem queremos e nos quer tão bem. às vezes, penso no mote de gonçalo m.tavares : "&lt;em&gt; a moral do vento é outra, e está toda no modo como ele toca na água: faz o que tem a fazer e parte." &lt;/em&gt;talvez nem sempre parta quem já fez o que tinha a fazer; talvez o trabalho do vento (tal como o das mulheres) nunca tenha fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a rosa do mundo&lt;/em&gt;, assírio &amp;amp; alvim.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;o inferno&lt;/em&gt;, de dante.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;terra de abrigo&lt;/em&gt;, ronda dos quatro caminhos.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;maria rita&lt;/em&gt;, de maria rita.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a moral do vento&lt;/em&gt; : ensaio sobre o corpo em gonçalo m. tavares, de pedro eiras, editorial caminho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-5857372101454258892?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/5857372101454258892/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2008/04/vento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/5857372101454258892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/5857372101454258892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2008/04/vento.html' title='vento'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-2308539793841234854</id><published>2008-03-03T22:04:00.003Z</published><updated>2008-03-03T22:14:37.983Z</updated><title type='text'>partir e perder?</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/R8x2IHVxefI/AAAAAAAAACM/IQfXUR3od7Q/s1600-h/Image1092.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5173639953723259378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/R8x2IHVxefI/AAAAAAAAACM/IQfXUR3od7Q/s320/Image1092.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se não &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;fossem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;as minhas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;coisas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;eu não &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;era&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a que sou&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;As coisas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;estão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;partidas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;estão &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;perdidas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;por minha&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;culpa e causa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A mim&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;não volto&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;mais&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Porém&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;sem &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;minhas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;culpa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e causa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(de partir&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e perder)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;eu não&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;era&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a que sou&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;adília lopes, pag 51 in césar a césar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-2308539793841234854?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/2308539793841234854/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2008/03/partir-e-perder.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2308539793841234854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2308539793841234854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2008/03/partir-e-perder.html' title='partir e perder?'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/R8x2IHVxefI/AAAAAAAAACM/IQfXUR3od7Q/s72-c/Image1092.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-3599357215284543959</id><published>2008-03-03T21:00:00.004Z</published><updated>2008-03-03T23:41:53.420Z</updated><title type='text'>frases feitas,cabeça refeita?</title><content type='html'>&lt;em&gt;res firma mittescere nescit&lt;/em&gt;. repetir, repetir, repetir até acreditar, até não soar estranho, até se sentir entranhado na pele, até se encontrar a frase nas linhas do cabelo por pentear, nas linhas reescritas vezes sem conta, à unha, como quem esgravata, como quem respiga, como quem tem árvore de cabeleira farta e a quer podar para que enrijeça, para que fique só que importa e que fará boa diferença nestes dias. querer saber como se sabe que se está quase lá, para saber que vale a pena o mais este esforço, temer que nos digam que já não vale a pena correr mais : correr para o metro que partiu, para a cura que já não chega a tempo, para o cinema que já começou. repetir esta frase para não deixar de saltar da cama, para não saltar da bicicleta, para não sair porta fora, para não fugir do papel, da câmara escura, da janela clara, para regressar outra vez à cama, de mansinho, em silêncio, ver a mesma frase escrita nas réguas da persiana na madrugada, como se fossem as linhas dos cadernos de caligrafia, quando pestanejo, devagarinho, até acordar,daqui a nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-3599357215284543959?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/3599357215284543959/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2008/03/frases-feitascabea-refeita.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/3599357215284543959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/3599357215284543959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2008/03/frases-feitascabea-refeita.html' title='frases feitas,cabeça refeita?'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-2396824896266552068</id><published>2008-01-07T21:26:00.000Z</published><updated>2008-01-11T12:46:34.630Z</updated><title type='text'>querer crer</title><content type='html'>&lt;em&gt;Creio nos anjos que andam pelo mundo,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Creio na Deusa com olhos de diamantes,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Creio em amores lunares com piano ao fundo,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Creio num engenho que falta mais fecundo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De harmonizar as partes dissonantes,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Creio que tudo é eterno num segundo,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Creio num céu futuro que houve dantes,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Creio nos deuses de um astral mais puro,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na flor humilde que se encosta ao muro,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Creio na carne que enfeitiça o além,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Creio no incrível, nas coisas assombrosas,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na ocupação do mundo pelas rosas,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Natália Correia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;in Sonetos Românticos, 1990(O SOL NAS NOITES E O LUAR NOS DIAS II, pág.392).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;luiz pacheco editou natália correia.um amigo velho de lisboa, que me ofereceu dois livros do primeiro, falou destes versos da segunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu gostava de crer como os demais, que vai correr tudo bem e que a morte não vai levar aqueles que mais quero quando eu estiver distraída deles, perdida a olhar para o balão que voou, para o eléctrico que não corro que chegue para apanhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu gostava de ser como os demais e não trazer sempre esquecida a lição aprendida a duras penas, duras faltas, gostava de não me esquecer do recado que me deram, "espinha direita, olhos abertos". faço por trazer as costas erguidas, cerro os punhos com força para não ceder ao choro, como menina pequena que teme o castigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu gostava de ser como os demais e nunca temer que a casa fique quieta muito cedo, gostava de não tremer antes do frio chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu gostava de ser outra : outra coisa, outra mulher, ser coisa assombrosa bastante para enxotar para longe a senhora das tempestades.quero crer verdadeira aquela história citada por rosa montero, que a morte nunca leva consigo quem traz livro começado. foi por isso que, divinatoriamente, fui enchendo, nos dois últimos anos, teu colo de livros vastos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tomara também isso faça diferença.leiamos então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rodrigo leão, "os portugueses - uma história social", banda sonora do documentário de antónio barreto e de joana ponte.&lt;br /&gt;"a louca da casa", de rosa montero, edições asa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-2396824896266552068?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/2396824896266552068/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2008/01/querer-crer.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2396824896266552068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2396824896266552068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2008/01/querer-crer.html' title='querer crer'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-5677990367941036267</id><published>2007-11-05T20:16:00.000Z</published><updated>2007-11-06T19:11:25.675Z</updated><title type='text'>25.ª hora</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129806385280559458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/RzC7uoEtqWI/AAAAAAAAACE/P-iciTpI21A/s320/PB020483.JPG" border="0" /&gt;"&lt;em&gt;quem não sabe para onde vai, vai sempre muito longe&lt;/em&gt;", surripei de um livro qualquer ou de uma conversa antiga. talvez seja mesmo assim : quando todos os caminhos podem servir para chegar a todo o lado e a lado nenhum, nenhum caminho se recusa, por mais inóspito que se apresente. talvez seja assim porque pés sem destino nunca se cansam, do cansaço só queixam quando sabem quanto ainda têm para andar."&lt;em&gt;ainda falta muito?"&lt;/em&gt;tal como o choro não se chora pelo que ficou, mas pelo que não há-de vir mais.diziam-me no fim-de-semana, "&lt;em&gt;quem andou não tem para andar&lt;/em&gt;", como se houvesse um limite de passos a dar ou se como se a dada altura não houvesse mais chão debaixo dos pés, tudo fosse vazio e solidão,como se acabasse a força, apesar de continuar o chão. mas é quando não tenho mais força sequer para pestanejar e abrir os olhos outra vez, quando já nem leio o que escrevo, seja aqui, seja no caderno esgotado,que ando, ando muito, ando quase corro, ando tão deprresa que quero ver as imagens dos outros à esquerda e à direita até já desfocadas, de tão depressa que vou, para não ver ninguém, para que não me vejam a mim, andar tão depressa que parece que nem passei daqui para ali o fundo da rua, até ao fundo de mim, para que não me vejam a andar lesta, o coração a bater tão de depressa que ouvem do lado de fora de mim, daqui tão depressa que já só páro outra vez na serra da cabreira, aquelas pás dos moinhos sem grão a girarem depressa, a fazerem barulho que chegue para não me ouvir pensar por que razão todos se vão embora daqui, por que sonham todos em acordar noutra fronteira, por que não têm medo de pensar e escrever todo o dia noutra língua, por que têm todos os outros tanta coragem para partir, quando eu até temo mudar de casa para meia dúzia de quarteirões acima, mais perto até dos cafés bonitos, das livrarias acolhedoras, do rio cor de prata, das avenidas com fumo de castanhas. tomara eu ter um décimo da coragem,tomara eu não saber para onde vou. seja como for, aqui estarei, de braços abertos, para receber quem regresse,ainda que transitoriamente, em dias crescidos, com 25 horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"história trágica com final feliz" de regina pessoa.&lt;a href="http://www.ciclopefilmes.com/filmes/historia-tragica-com-final-feliz/filme/sinopse/"&gt;http://www.ciclopefilmes.com/filmes/historia-tragica-com-final-feliz/filme/sinopse/&lt;/a&gt; "25th hour",bso de terence blanchard para spike lee,vindo do menino com os olhos verdes mais bonitos que conheço. serra da cabreira em dia de sol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-5677990367941036267?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/5677990367941036267/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/11/quem-no-sabe-para-onde-vai-vai-sempre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/5677990367941036267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/5677990367941036267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/11/quem-no-sabe-para-onde-vai-vai-sempre.html' title='25.ª hora'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/RzC7uoEtqWI/AAAAAAAAACE/P-iciTpI21A/s72-c/PB020483.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-2882040578317851216</id><published>2007-10-13T23:49:00.000+01:00</published><updated>2007-10-14T00:32:32.245+01:00</updated><title type='text'>rsp5</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/RxFRjzUhJiI/AAAAAAAAAB0/onLtPHxxmpI/s1600-h/avlt1_vm.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120963926810502690" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 157px; CURSOR: hand; HEIGHT: 175px" height="315" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/RxFRjzUhJiI/AAAAAAAAAB0/onLtPHxxmpI/s320/avlt1_vm.jpg" width="300" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/RxFRdTUhJhI/AAAAAAAAABs/yhtqSCw7UKs/s1600-h/avlbt.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5120963815141352978" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 156px; CURSOR: hand; HEIGHT: 164px" height="315" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/RxFRdTUhJhI/AAAAAAAAABs/yhtqSCw7UKs/s320/avlbt.jpg" width="300" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.viuvalamego.com/vl_ns.html"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"&lt;em&gt;vermelho ainda é a côr da paixão&lt;/em&gt;", já nem sei se li de outros, se escrevi meu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;punha o vermelho na parede da direita, para quem entra, e na do fundo e dobrando ainda na banheira, invadindo a esquerda.e depois o branco ou o beige à esquerda e na da entrada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;demoram 30 dias a chegar&lt;/em&gt;, preveniram-me, durante esse tempo a casa-de-banho terá a rudeza das paredes antes de o azulejo se lhe encostar para sempre, responderei eu,disposta a até lá viver em obra inacabada.ou então nada disto e lá regressamos outra vez ao cinca branco mate 20 por 20. mas preferir o cómodo ao que se quer mesmo muito, mesmo que suportando a amargura ou a precaridade também não é meu forte. e eu tenho um sério fraco por este vermelho.se alguma vez pensaria que ter toda a liberdade para traçar &lt;em&gt;the thin red line&lt;/em&gt; pudesse vir a dar tanta incapacidade de decidir.é-me sempre mais fácil escrever na vida dos outros, mas já é tempo de riscar na minha. e gostar do risco no chão, na parede, no papel, na alma, no coração.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.viuvalamego.com/vl_ns.html."&gt;http://www.viuvalamego.com/vl_ns.html.&lt;/a&gt;azulejo lastra avl vermelho T1 ao lado de azulejo lastra avl branco T.lápis viarco n.º 2. jardins do palácio do freixo. pão com marmelada fresca.jornal de ontem.rádio clube. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-2882040578317851216?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/2882040578317851216/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/10/rsp5.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2882040578317851216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2882040578317851216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/10/rsp5.html' title='rsp5'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/RxFRjzUhJiI/AAAAAAAAAB0/onLtPHxxmpI/s72-c/avlt1_vm.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-2022999147475986427</id><published>2007-10-10T21:03:00.001+01:00</published><updated>2007-10-12T11:16:48.556+01:00</updated><title type='text'>ir à janela</title><content type='html'>sabe, suspeito que, também como faíza hayat, se perde à janela a sonhar ir na pessoa dos outros às suas hortas ou aos seus jardins ou aos seus infernos.eu perco.eu não me faço de vulnerável,eu sou.mas tal não significa que também essa vulnerabilidade não seja a minha força.tenho sempre presente aquela frase daquele filme francês,"v&lt;em&gt;ai à luta, que os teus ossos não são de vidro&lt;/em&gt;."os ossos não, mas o coração é.mas é também a consciência dessa fragilidade que me faz caminhar com cuidado, como dizia mia couto a propósito de deus, que este era como um ovo : "&lt;em&gt;se apertarmos com muita força, parte, se não segurarmos, cai."&lt;/em&gt;eu tenho-me assim, a achar que sentirmos tudo, o bom e o mal , ser emotivos e comovidos pode expor-nos mais, mas também faz de nós outra loiça, mais frágil, é certo, mas melhor. e quando cai, como no verso de pessoa, &lt;em&gt;pelas escadas excessivamente abaixo&lt;/em&gt;, sempre é mais feliz nessa queda.um abraço emocionado por se ter lembrado de mim em frente ao tejo-mar.(se calhar, foi da maneira que fui a lisboa, não indo, por saber que me teve lá.é também boa forma de se viajar, nos olhos dos outros).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;revista pública, crónica de faíza hayat, este último domingo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-2022999147475986427?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/2022999147475986427/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/10/ir-janela.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2022999147475986427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2022999147475986427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/10/ir-janela.html' title='ir à janela'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-3931372683222887498</id><published>2007-08-01T15:09:00.000+01:00</published><updated>2007-08-01T15:54:16.079+01:00</updated><title type='text'>meu lugar</title><content type='html'>uma menina de olhos azuis dizia-me que sabia ocupar o seu lugar. e sabia-o, de facto. mas ainda não se concedeu ocupar o lugar que tanto merece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois, respiguei de "o livro do joaquim",de daniel faria, que me ofereceste sem saber, um verso que dizia"&lt;em&gt;não acredito que cada um tenha o seu lugar.acredito que cada um é um lugar para os outros&lt;/em&gt;.",&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e lembrei-me então dos versos lidos com a primeira voz da manhã, para a caixa de recados, "&lt;em&gt;antes de um lugar há o seu nome&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há muito que levo sempre comigo este livro quando vou de viagem - como se qualquer destino fosse certo para receber estas linhas lidas lá, como se em cada viagem não nos devessemos perder da casa e do cheiro dos livros que deixámos para trás e, ao mesmo tempo, levássemos conosco um livro primeiro, para inaugurar uma outra biblioteca noutro lado, do começo. um livro primeiro como uma primeira pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dei comigo a pensar e a dizer que, se cada um de nós é um lugar para outro (como o sabia já saramago, que escreveu a pilar, na dedicatória deum livro, "&lt;em&gt;a pilar, minha casa"),&lt;/em&gt; se antes de chegarmos a um lugar há o nome desse lugar, então servem os nomes para se chamarem pelos lugares, para que os lugares nos respondam, para que abram suas portas e seus abraços para os receberem, para nos rodearem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a ladeira que se nos oferece debaixo do sol que rebentou hoje o verão, não será mais um espaço entre um lugar e outro, como bocados de geografia, será antes o caminho que vai do meu nome ao teu, do meu corpo ao teu, dos meus versos, dos meus livros,das minhas fotografias, da minha música, ao que é teu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;poderemos já dizer ambos, &lt;em&gt;tu encerras-me em ti, cada um de nós é lugar do outro, estando em ti estarei em casa. nomeio-te "meu lugar" e sei que te darás por este nome. ouvi-lo-ei de ti e da mesma forma te responderei.&lt;/em&gt; &lt;em&gt;meu lugar, meu lugar, meu lugar, ouves-me daí?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agora chamarei teu nome e não o repito como se repetisse o nome do destino,para não o perder (como lista de recados para aviar, como lengalenga para saber caminho de cor); agora digo teu nome e há um lugar que faz caminho e se move, e a voz que te chama &lt;em&gt;meu lugar&lt;/em&gt; é o fio de ariadne para que não nos percamos na escuridão e no medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já não é verdadeiro o verso de al berto, que sibilava, num choro, "&lt;em&gt;duvido que alguma vez me visite a felicidade&lt;/em&gt;". espero-te, para então abrir minha mão esquerda e mostrar-te a pedra que arranquei do coração, para fazer espreitar para dentro do meu peito, fazer ver o coração de boi que ali nasceu e se agiganta, a cada passo, temendo apenas não ser grande que chegue para abarcar o quanto gosto de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"a casa e o cheiro dos livros", maria do rosário pedreira, edições gótica, pag.27.&lt;br /&gt;"o livro do joaquim", daniel faria, edições quasi, págs. 30 e 31.&lt;br /&gt;"uma casa no campo",cantada por elis regina, &lt;a href="http://www.mpbnet.com.br/musicos/elis.regina/letras/casa_no_campo.htm"&gt;http://www.mpbnet.com.br/musicos/elis.regina/letras/casa_no_campo.htm&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-3931372683222887498?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/3931372683222887498/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/08/meu-lugar.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/3931372683222887498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/3931372683222887498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/08/meu-lugar.html' title='meu lugar'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-2273752898730114371</id><published>2007-06-13T19:13:00.000+01:00</published><updated>2007-06-20T12:13:09.025+01:00</updated><title type='text'>q.b.</title><content type='html'>"Feliz aquele que administra sabiamente&lt;br /&gt;a tristeza e aprende a reparti-la pelos dias&lt;br /&gt;Podem passar os meses e os anos nunca lhe faltará&lt;br /&gt;Oh! como é triste envelhecer à porta&lt;br /&gt;entretecer nas mãos um coração tardio&lt;br /&gt;Oh! como é triste arriscar em humanos regressos&lt;br /&gt;o equilíbrio azul das extremas manhãs do verão&lt;br /&gt;ao longo do mar transbordante de nós&lt;br /&gt;no demorado adeus da nossa condição&lt;br /&gt;É triste no jardim a solidão do sol&lt;br /&gt;vê-lo desde o rumor e as casas da cidade&lt;br /&gt;até uma vaga promessa de rio&lt;br /&gt;e a pequenina vida que se concede às unhas&lt;br /&gt;Mais triste é termos de nascer e morrer&lt;br /&gt;e haver árvores ao fim da rua&lt;br /&gt;É triste ir pela vida como quem&lt;br /&gt;regressa e entrar humildemente por engano pela morte dentro&lt;br /&gt;É triste no outono concluir&lt;br /&gt;que era o verão a única estação&lt;br /&gt;Passou o solitário vento e não o conhecemos&lt;br /&gt;e não soubemos ir até ao fundo da verdura&lt;br /&gt;como rios que sabem onde encontrar o mar&lt;br /&gt;e com que pontes com que ruas com que gentes com que montes conviver&lt;br /&gt;através de palavras de uma água para sempre dita&lt;br /&gt;Mas o mais triste é recordar os gestos de amanhã&lt;br /&gt;Triste é comprar castanhas depois da tourada&lt;br /&gt;entre o fumo e o domingo na tarde de novembro&lt;br /&gt;e ter como futuro o asfalto e muita gente&lt;br /&gt;e atrás a vida sem nenhuma infância&lt;br /&gt;revendo tuido isto algum tempo depois&lt;br /&gt;A tarde morre pelos dias fora&lt;br /&gt;É muito triste andar por entre Deus ausente&lt;br /&gt;Mas, ó poeta, administra a tristeza sabiamente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a mão no arado, de Ruy Belo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e como lembrava tom spandbauer no babelia de há semanas, &lt;em&gt;não podemos acordar todos os dias com a memória de todo o desalento e desamparo que sentimos, ou não conseguiríamos sair da cama&lt;/em&gt;.há faltas de memória que agradeço. e nunca pensei vir a escrever isto. talvez um dia acordemos esquecidos de tudo e sorriamos de raíz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pus uma orquídea na varanda a apanhar chuva, a ver se depois lhe nasce flor. às vezes, até as plantas precisam de receber outra água.daqui a nada quem vai sair para debaixo da chuva sou eu. &lt;em&gt;sai mas é daí, rapariga,que me ficas doente&lt;/em&gt;.!, já te oiço, não sei se te ligo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-2273752898730114371?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/2273752898730114371/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/06/qb.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2273752898730114371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2273752898730114371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/06/qb.html' title='q.b.'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-8262529465740278939</id><published>2007-06-13T18:33:00.000+01:00</published><updated>2007-06-13T19:11:22.577+01:00</updated><title type='text'>luz na janela</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/RnAqopwOeoI/AAAAAAAAAA0/kAGYIThmZPs/s1600-h/ermida+do+silÃªncio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5075603657937812098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/RnAqopwOeoI/AAAAAAAAAA0/kAGYIThmZPs/s320/ermida+do+sil%C3%AAncio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;falávamos das luzes na janela que orientam o caminho de regresso. e de como uma luz acesa no parapeito de uma janela, sempre nos mostra que, naquela casa, sempre estão prontos para nos recolherem (como se uma luz acesa do lado de dentro afastasse a solidão da escuridão, como se uma luz acesa dissesse a quem ainda está do lado de fora que, ali, nunca se dorme sono tão pesado, de que se não possa acordar, com um sorriso para quem chega).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esta casa não é uma casa, é uma ermida. parece-me ter o mundo demasiado perto, mas dentro dela, se calhar, não se ouvem os passos em volta.talvez se oiçam assim melhor as vozes que ecoam na cabeça, vindas do coração. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e depois de uma tarde a fazer caminho, dá vontade de parar, entrar numa casa que tenha esta luz, para depois ver a manhã chegar e com ela, a clarividência sonhada, que sempre chega depois das noites em branco,na varanda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;losing hope&lt;/em&gt;, de jack johnson.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;bernardo pizarro miranda, &lt;em&gt;ermida do cristo do silêncio&lt;/em&gt;, palmela, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;sublinhada por um grande quase-arquitecto, que me ensinou a ler desenhos. e a escrevê-los, também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-8262529465740278939?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/8262529465740278939/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/06/luz-na-janela.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/8262529465740278939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/8262529465740278939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/06/luz-na-janela.html' title='luz na janela'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/RnAqopwOeoI/AAAAAAAAAA0/kAGYIThmZPs/s72-c/ermida+do+sil%C3%AAncio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-4423190379234730688</id><published>2007-06-06T11:06:00.000+01:00</published><updated>2007-06-06T11:56:39.132+01:00</updated><title type='text'>recado</title><content type='html'>&lt;em&gt;fado alexandrino&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;amanhã chegaste à minha vida &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e disseste bom dia e era noite lá fora &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;puseste-me na mesa o prato da comida &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;acenaste-me adeus e não te foste embora &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e como era manhã vestiste o meu pijama&lt;br /&gt;tomaste um comprimido para dormir acordada &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;como era hora do almoço chamaste-me para a cama &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;como era hora da ceia bebeste-me ensonada &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e quando temos frio aquecemos à lua &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;as mãos que penduramos na corda de secar &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;quando mais roupa trazes, mais eu te sinto nua &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e quando mais te calas mais te sinto cantar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vitorino canta lobo antunes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não é de hoje que vou ouvir música para me distrair de ti e trago de lá recado de que não andava à procura. depois, logo no verso seguinte, pergunto se seria eu quem te sublinhava o verso ou se seria o inverso, como naqueles versos de sophia que trago colados à parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pendurei dois quadros novos na minha sala : &lt;em&gt;a biblioteca de fogo&lt;/em&gt; e o&lt;em&gt; pintor e o modelo&lt;/em&gt;. pendurei-os na madrugada, os vizinhos terão perdoado o barulho e percebido a urgência do capricho. ao contrário do filme, o quadro não ficou na árvore nem ninguém me amparava quando me empoleirei em cima da mesa. mas também não fez falta - &lt;em&gt;só faz falta o que se tem&lt;/em&gt;, disse-me a minha mãe tantas vezes, enquanto me ensinava a abrir frascos teimosos na torneira da água quente e a perder o medo de cair das cadeiras mais altas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vejo a biblioteca quando estou sentada no sofá e para ver a mulher sentada nua no chão em frente ao homem que a pinta, saio do sofá, ponho-me de pé, de costas para a biblioteca. que é como quem diz, sento-me para enfrentar os livros que ainda me ardem (porque os li contigo ou porque não os lerei de todo e era-nos importante) e levanto-me para olhar a mulher que é retratada, vejo que o pintor a fita não a retrata, os seus pés tocam-se, reparo que há quem não saiba manter a distância e assim o que está do lado de fora nunca mais sai também do lado de dentro. que é como quem diz, trazemos os livros às costas e à cabeça quando olhamos os quadros, fitamos os livros e levamos como pergunta as imagens para que queremos legenda. que é como quem diz, há livros dentro dos quadros (e versos a fazer desenhos, como naquela exposição de melo e castro em serralves) e há cores dentro dos livros, filmes inteiros retratos escritos do que somos nós. ou do que não seremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lembrei-me de quem uma vez, entrado em minha casa, percebeu à cabeça que &lt;em&gt;la femme au mirroir&lt;/em&gt; era usado para legendar um espelho onde me via eu quando chegava sempre noite escura e onde me mirava de raspão antes de voltar a sair, para saber se cara que levava à rua era a que merecia o dia novo. &lt;em&gt;é um luxo usar-se picasso para fazermos legendas à nossas caras,&lt;/em&gt; disse, sorriu-se para mim, rimo-nos ambos. ganhei nesse dia um sério critério : nunca aceitar para o lado de dentro da minha porta quem não tenha sensibilidade ou curiosidade para querer perceber os recados que tragos pendurados nas paredes, pousados no chão. como a fotografia da escada em caracol que parece um limão, que traz acima de si o coração em vitral dividido (ou unido?) pelo meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;trago o cabelo quase rente, talvez mais esta vez tenha passado uma tesoura nos caracóis para ver se deixava de sentir neles os teus dedos, para poder dizer que o frio que sinto (agora que é quase verão) vem do cabelo deixado no chão, perto do mar. no outro dia, uma menina trigueira que fala como se escrevesse versos, perguntava-me "&lt;em&gt;também tu trazes o coração na pontinha dos cabelos?"&lt;/em&gt; sei hoje que não, ou já me tinha passado a dor. mas é estranho, quanto mais corto o cabelo mais me fitam na rua, mais me sorriem, mas devo trazer-te ainda na retina e nota-o quem me fita. um dia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vitorino na casa da música, 31.05.2007.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;biblioteca de fogo&lt;/em&gt;,vieira da silva.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;o pintor e o modelo&lt;/em&gt;,pablo picasso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-4423190379234730688?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/4423190379234730688/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/06/fado-alexandrino-amanh-chegaste-minha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/4423190379234730688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/4423190379234730688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/06/fado-alexandrino-amanh-chegaste-minha.html' title='recado'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-8755027354709975876</id><published>2007-05-20T17:08:00.000+01:00</published><updated>2007-05-20T17:55:06.020+01:00</updated><title type='text'>"há quanto tempo não recebe flores?"</title><content type='html'>&lt;em&gt;Só uma coisa me entristece&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O beijo de amor que não roubei&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A jura secreta que não fiz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A briga de amor que não causei&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nada do que posso me alucina&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tanto quanto o que não fiz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nada do que eu quero me suprime&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De que por não saber ainda não quis&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Só uma palavra me devora&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Aquela que meu coração não diz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Só o que me cega, o que me faz infeliz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É o brilho do olhar que não sofri&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jura secreta, canta Simone, escrevem Sueli Costa e Abel Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a semana começara com chico e caetano a gritarem-me, um dia inteiro "&lt;em&gt;é inútil dormir que a dor não passa&lt;/em&gt;". sei que não passa, mas a dada altura o cansaço torna quase impossível arrastar as pernas e a cabeça pesada, cada vez mais pesada, apesar de cada passo a tentar esvaziar de quem persisto trazer no coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agora durmo e não me lembro sequer se sonhei. a dor com que acordo é igual àquela com que me deito e começo a adiar outra vez a hora de me confiar à cama vasta, por saber que vai ser igual o acordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje reguei as flores da varanda, apesar de estar a ameaçar chuva desde manhã. estes dias cinzentos também secam a terra. e "&lt;em&gt;tudo pode acontecer, uma nuvem cheia não chover".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já fez um ano que me disseram que trazia cara de quem falhava flores e amores. hoje trago floridas, na varanda, uma sardinheira rosa garrido e uma gerbera rosa pardo; e a aguentarem-se, apesar da minha distracção e esquecimento, um vaso com salsa, outro com alecrim e com um cacto que mudou de côr. e ontem recolhi uma begónia matizada de laranja de um horto perto do mar, para a confiar a um vaso vermelho sangue. nem nas flores sei ser discreta. mas também já não importa. e como me disseram que a planta precisa de luz, embora não de sol directo, talvez assim traga mais vezes a casa longe da escuridão. há flores que fazem as vezes dos cães que se levam à rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;relembro umas linhas de almada negreiros sobre uma menina que falava com as flores. e dou comigo a já não falar sozinha, mas às flores que me aturam as mágoas - quando, na manhã, ainda de pijama e descalça, me sento na cadeira de lona da varanda, a dar de beber à sede e quando à noite, já sentada no chão, faço de conta que não mas procuro no céu a estrela que ali subiu e que me protege e me dá um abraço, um abraço, um abraço e manda este frio todo para longe, tão longe que não saiba onde o perdi. e numa hora e noutra, leio às flores versos alheios e cartas minhas. as flores não respondem, mas se não gostassem já tinham morrido. à troca, respigo-lhes as folhas secas e as flores murchas e deito-lhes a água do chá da  noite e as borras do café da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esta manhã decidi que vou a buenos aires, cumprir uma viagem alheia que passará também a ser minha. devo ter quem cá venha regar as flores, enquanto vou ver se encontro quem me sussure "&lt;em&gt;eu quero que você venha comigo&lt;/em&gt;", quem roube e me confie amores-perfeitos dos canteiros do jardim do palácio de cristal , urze da beira da estrada e malmequeres dos prados de estremoz, quem tenha sempre fome de mim, quem tenha, à séria, de forma definitiva, mais coragem que medo, para ficar a vida inteira (seja lá isso o que for, dure lá o que durar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pedro sena-lino "livro de albas, zona de perda".&lt;br /&gt;caetano e chico juntos e ao vivo, "bom conselho".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-8755027354709975876?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/8755027354709975876/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/05/h-quanto-tempo-no-recebe-flores.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/8755027354709975876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/8755027354709975876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/05/h-quanto-tempo-no-recebe-flores.html' title='&quot;há quanto tempo não recebe flores?&quot;'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-5907088927278733894</id><published>2007-05-05T19:53:00.001+01:00</published><updated>2011-07-08T00:04:09.158+01:00</updated><title type='text'>"eu só quero ir para o monte, onde não veja ninguém".</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/RjzTCb4qYTI/AAAAAAAAAAs/ny1j2I6W0rM/s1600-h/pitoes.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061152120056209714" src="http://2.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/RjzTCb4qYTI/AAAAAAAAAAs/ny1j2I6W0rM/s320/pitoes.jpg" style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Todo pasa y todo queda, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;pero lo nuestro es pasar, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;pasar haciendo caminos, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;caminos sobre el mar. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nunca persequí la gloria, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;ni dejar en la memoria &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;de los hombres mi canción; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;yo amo los mundos sutiles, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;ingrávidos y gentiles, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;como pompas de jabón. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me gusta verlos pintarse &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;de sol y grana, volar &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;bajo el cielo azul, temblar &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;súbitamente y quebrarse... &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nunca perseguí la gloria. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Caminante, son tus huellas &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;el camino y nada más; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;caminante, no hay camino, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;se hace camino al andar. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Al andar se hace camino &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;y al volver la vista atrás &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;se ve la senda que nunca &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;se ha de volver a pisar. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Caminante no hay camino &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;sino estelas en la mar... &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hace algún tiempo en ese lugar &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;donde hoy los bosques se visten de espinos &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;se oyó la voz de un poeta gritar &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Caminante no hay camino, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;se hace camino al andar..." &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Golpe a golpe, verso a verso... &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Murió el poeta lejos del hogar. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Le cubre el polvo de un país vecino. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Al alejarse le vieron llorar. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Caminante no hay camino, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;se hace camino al andar..." &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Golpe a golpe, verso a verso... &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cuando el jilguero no puede cantar. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cuando el poeta es un peregrino, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;cuando de nada nos sirve rezar. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Caminante no hay camino, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;se hace camino al andar..." &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Golpe a golpe, verso a verso&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;antónio machado,&lt;br /&gt;Cantares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;relembrávamos o início de "&lt;em&gt;match point&lt;/em&gt;" e contrariávamos o que dizia a primeira cara linda desse filme àcerca da importância da sorte. as curvas sucediam-se apertadas, como no volteio de uma dança.e pitões das júnias estava quase, quase ali. há estradas que são sinuosas para nos darem mais luta ao subir, para nos trazerem despertas, para não nos deixarem distrair em cada curva.como se nos perguntássem, a cada passo, se queríamos mesmo lá chegar e se lá queríamos ir dar por ali. dissemos a tudo que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;palavras confessadas nessa viagem fizeram-nos trautear versos soltos ou músicas quase inteiras. depois, por cada árvore, por cada chá, por cada som de pássaro, de cavalo ou de boi, de gente ou de chuva, por cada cheiro, por cada pedra, por cada monte, evocámos um verso, uma frase inteira citada de cor mas de coração, revolvemos a memória de um choro, de outro lugar, de outra gente. a dada altura, demos por nós a querer saber de que livro de saramago era epígrafe a frase "&lt;em&gt;caminante no hay camino, el camino se hace al andar&lt;/em&gt;". esse querer foi em vão, chegadas a casa, não saciámos ainda a curiosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;chegámos a pitões das júnias e a chuva segurou-se. pouco mais frio fazia que no pino do verão de agosto,quando lá fora a primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;trazia-me a pensar no que dissera a pastora vestida de negro que ali encontrara, quando, no regresso, o carro ficou sem travões e já só parou em frente a um chafariz, no meio de um largo, fazendo voar galinhas e poeira. depois vi as ribanceiras de rocha escarpada que se seguiam. perguntei-me se teria ficado satisfeita com um caminho que ficasse por ali e se tinha sido por sorte que segurara o carro antes de a estrada ficar sem espaço para a manobra que arrisquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando vi "&lt;em&gt;match point&lt;/em&gt;", soube que não era sorte que nos preservava em situações assim.&lt;br /&gt;era outra coisa, era querer poder fazer um caminho diverso daquele que se trazia nas costas até ali, era saber-se que podemos andar melhor conosco e com os outros, quando escolhemos que caminhos vamos rasgar pelo meio do monte e não lamentamos não o fazer por outro lado ou com outra gente, e não lamentamos quando sabemos que não o faremos outra vez, pelas mesmas pedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;parecíamos catraias de cinco anos, ao descermos quase a correr, sem tino, a calçada irregular até às ruínas do mosteiro. mas foi já mulheres crescidas que cumprimos o verso e nos sentámos depois nas pedras perto do ribeiro que ali corria, confiando à terra e à água os segredos que nos consumiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fotografámos as pedras, a nossa tristeza, as nuvens e o chão.viemos embora, quase em silêncio. traziamo-nos conosco, parecia que tinha havido uma troca, à entrega de uma tristeza ou de um desgosto ou de uma impossibilidade, aquele lugar em ruínas devolvia-nos a parte de nós que nos estava a faltar. subimos depois lentamente a ladeira, agora tinha vagar a nossa pressa, cada uma de nós já ia de bem consigo. agora que sabemos por onde vamos andar e quem traremos conosco, mesmo que não ao nosso lado, já não precisamos de cantar outra vez "&lt;em&gt;eu só quero ir para o monte, onde não veja ninguém."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"it' all in the game" e "you've changed", in "the out-of-towners", com keith jarrett, gary peacock, jack dejohnette.mosteiro de sta. maria das júnias, no lado agreste do gerês.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-5907088927278733894?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/5907088927278733894/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/05/eu-s-quero-ir-para-o-monte-onde-no-veja.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/5907088927278733894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/5907088927278733894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/05/eu-s-quero-ir-para-o-monte-onde-no-veja.html' title='&quot;eu só quero ir para o monte, onde não veja ninguém&quot;.'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/RjzTCb4qYTI/AAAAAAAAAAs/ny1j2I6W0rM/s72-c/pitoes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-6778030126893138910</id><published>2007-04-13T16:56:00.000+01:00</published><updated>2007-05-11T20:26:48.721+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='JSL'/><title type='text'>in memoriam JSL</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/Rh_kiASZPMI/AAAAAAAAAAk/7_I0FkiYVE0/s1600-h/P1010568.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5053008579776822466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/Rh_kiASZPMI/AAAAAAAAAAk/7_I0FkiYVE0/s320/P1010568.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Anda&lt;br /&gt;tira essa dor do peito, anda&lt;br /&gt;despe essa roupa preta e manda&lt;br /&gt;seu corpo deslembrar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canta&lt;br /&gt;vira dor pelo avesso&lt;br /&gt;Canta&lt;br /&gt;larga essa vida assim as tontas&lt;br /&gt;Deixa esse desenganar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calma&lt;br /&gt;Dê o tempo ao tempo, calma&lt;br /&gt;alma&lt;br /&gt;Põe cada coisa em seu lugar&lt;br /&gt;E o dia virá, algum dia virá&lt;br /&gt;Sem aviso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;maria rita&lt;/em&gt; canta &lt;em&gt;"sem aviso" in "segundo".&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;você foi-se embora sem aviso e eu ainda me trago revoltada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;mas, depois, é esta música que o oiço sussurar-me, a cada passo : quando fumo, a travar, desobediente, as cigarrilhas da última caixa que recolhi da tabacaria no domingo à noite, o braço direito ao peito, pela queimadura da doçura de sábado; quando fito a fotografia em que me fita você, com ar de sonho e de desafio, ainda no almoço do verão passado; quando, sentada na cadeira da minha sala virada a sul, a faço girar até ficar ela mais tonta que eu e penso que são quase seis da tarde e é quase hora de o ouvir falar do futebol do fim-de-semana e do jornal lido de sopetão ao almoço de hoje; quando me sussurro "&lt;em&gt;espinha direita&lt;/em&gt;!", quando me tentam vergar, a cada passo; quando me lembro de uma das nossas últimas conversas na madrugada, sentia você que o rondava a senhora das tempestades, tinha medo de ir dormir, "&lt;em&gt;que cobardia ir-mo-nos no sono de olhos fechados"&lt;/em&gt;, disse-me tantas vezes. ficamos à conversa, eu a ler-lhe daniel faria, o jornal e mais que trazíamos por discutir. nessa noite, quase nascido o dia, concluiu "&lt;em&gt;um homem nunca está sozinho nem se pode dizer infeliz quando tem alguém por quem chamar às 03.00 da manhã.fazes-me falta, rapariga."&lt;/em&gt; eu soltei uma gargalhada e disse-lhe que eram cinco da tarde, "&lt;em&gt;não deve ter visto bem as horas no seu relógio&lt;/em&gt;". riu-se também, foi dormir sem medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje pus uma camisa branca, que a esta hora da tarde já trago arregaçada pelos cotovelos, como se escrever e virar papeis do avesso fosse trabalho que exigisse estes preparos. exige, pois, parece tenho sempre mais calor que as outras pessoas, que a minha primavera chega sempre mais cedo, que por muito frio que esteja, tenho se escrever com as mãos libertas, os braços nús, nunca soube trabalhar de casaco. como se a escrita fosse um trabalho que exigisse liberdade de movimentos, como se libertasse calor e exigisse a libertação da roupa constrangedora. "&lt;em&gt;escrever para ti parece um trabalho braçal&lt;/em&gt;",comentou tantas vezes do corredor que calcorreava na sua passada lenta, curta, falsamente arrastada, que o levava a todo o lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em tempos, disse-me um arquitecto ensonado que se descalçava para projectar, precisava de sentir os pés nús pousados na cadeira do estirador,ficavam a balouçar no ar, como se descolado do chão pudesse assim voar melhor. você voava para todo lado quando pousava uma caneta no papel e nunca precisou destas coisas. a liberdade de pensar e de escrever de um homem só pode depender do que traz dentro da cabeça e do coração, sei-o agora, ensinou-mo você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;li no jornal de há dias que niemeyer vai fazer 100 anos. caramba, também ele levou uma vida boa - a meio, já iria desta de papo cheio e,no entanto, ficou aqui até hoje. porque o mereceu ele, por que não você? num dos nossos almoços, lembro-me de termos comentado a biografia da vida dele, "&lt;em&gt;as curvas do tempo&lt;/em&gt;", de lhe ter mostrado as passagens que sublinhei e de ter servido de mote para discutirmos a forma que revestiria a história da sua vida. nessa altura, disse-lhe que começar-se a escrever uma biografia não é assumir-se que a vida terminou - é apenas sinal que estamos prontos para escrever sobre ela e sobre todas as pessoas que ficaram em nós, mesmo que não conosco.cedeu, disse que ia pensar. e sei que tanto o pensou, que o escreveu - exibiu-me uma vez o moleskine de folhas brancas que lhe oferecera num natal, recheado de anotações, desenhadas com sua letra miudinha."&lt;em&gt;isto é começo, agora vou precisar de um caderno maior&lt;/em&gt;". o que isso me deixou feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a camisa branco que trago, noto agora que a pus num dia que em que nos encontrámos, falávamos da importância dos grandes projectos no destino de um país - e o impacto que deixavam na geração que os tinham sonhado,construído ou recebido. e de como isso, às vezes, podia ocorrer dentro da mesma geração e que diferença lhes faria, ver um projecto ser lançado e cumprido. assumimos aí compromisso de pensarmos demoradamente sobre isso, você disse que ia dar pano para mangas, era tarefa vasta e que ia levar o seu tempo. "&lt;em&gt;tempo é o que não nos falta&lt;/em&gt;", respondi-lhe. não sabia que me enganava eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há tempos, numa entrevista , escrevia-se "&lt;em&gt;alguém tem de se sentar a pensar&lt;/em&gt;". e pensar foi o que você sempre fez de melhor. quando o via sentado, horas a fio, de charuto ao canto esquerdo da boca, a fitar o tejo, os braços entregues aos antebraços da cadeira, uma folha branca nas suas costas, pousada, inerte, serana, na secretária, sabia que estava a pensar. entrava no seu gabinete só se o assunto fosse mesmo sério. ou se a banda desenhada desse dia fosse mesmo muito boa. "&lt;em&gt;que desfaçatez!, interromperes-me.que me querias&lt;/em&gt;?", e eu, séria, dizia-lhe, "&lt;em&gt;não fique no mundo das ideias, vá escrevendo, preciso de o ler."&lt;/em&gt; e então pousava-lhe mais uma notícia respigada do jornal, oferecia-lhe a esquinada uma página do livro que andava a ler, ou então confiava-lhe mais uma carta minha,na sua mesa, para ler no fim-de-semana, e fazia-o muitas vezes sem que apercebesse da minha entrada e saída, só ouvia já no combóio, a queixar-se "&lt;em&gt;então, como se eu não tivesse já muito que ler e em que pensar!,&lt;/em&gt; e depois, na mesma fracção de segundo, já a desfazer-se em ternura, acrescentava "&lt;em&gt;obrigada, rapariga.até logo."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;entretanto, no fim da promessa ao almoço, entornei nesta camisa branca, entre gargalhadas, o meu café então já sem açúcar. pedi licença, ainda a rir, fui passar água fria na camisa, lembro-me de uma casa de banho preta, no hotel des arts, que fazia parecer sinistra a minha cara ao espelho. quando regressei, o empregado atendera um dos meus pedidos do almoço, fora saber quem desenhara as avestruzes que corriam a galope no mural do fundo da sala onde almoçaramos. você riu-se e justificou "&lt;em&gt;peço desculpa, mas a curiosidade desta senhora não tem limites&lt;/em&gt;", e eu defendi-me "&lt;em&gt;aprendi consigo&lt;/em&gt;". e o orgulho que tenho nisso, calei então, escrevo-o agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;levantámos-nos depois ambos, lentamente, como sempre, você olhou para o relógio,"&lt;em&gt;ainda é cedo" &lt;/em&gt;e decidiu esperar a hora de irmos embora sentados no sofá da entrada, lado a lado."&lt;em&gt;parece-me que&lt;/em&gt; &lt;em&gt;trago o relógio fora de horas e de dias"&lt;/em&gt;, ofereci-me para lho acertar, suspeitou das minhas mãos quadradas, dos meus dedos redondos, temeu pela sua falta de destreza,mas não o suficiente para me dar notícia, em voz alta, do seu receio; pousei a sua mão no meu colo, retirei-lhe o relógio do pulso, acertei os dias, depois as horas, que conferi pelo meu, depois de lhe subtrair o tempo do adianto que sempre lhe dou, como se assim vivesse a mesma hora duas vezes, apertei-lhe de novo o relógio no seu pulso, depois de o ter encostado ao meu ouvido. &lt;em&gt;então?,&lt;/em&gt; e você deu-me um beijo carinhoso, como sempre, na minha face esquerda, disse-me "&lt;em&gt;muito obrigada, rapariga, agora trago o tempo acertado por ti e nunca mais as minhas horas deixarão de ser as tuas também&lt;/em&gt;." o som do seu relógio favorito ainda ribomba no meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabe, desde o dia em que você se foi embora (dia em que eu não cheguei a tempo de o ver uma última vez), voltei a trazer o relógio no pulso esquerdo. em julho de 1999, deram-me um relógio novo e decidi que não ia mais esperar por quem não vinha, e passei a trazer o relógio no pulso da mão direita : porque assim tinha de parar de escrever para saber que horas eram, porque assim seria menos brusca, por trazer no pulso direito a fragilidade daquele objecto. porque queria ver o tempo de uma forma diferente, a começar pelas horas de cada dia e de cada noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agora que não o tenho a tomar conta de mim como até aqui, a berrar-me umas vezes, a rir-se comigo outras tantas, agora que sei que não voltará a chamar por mim, para saber que ando a fazer, a ler, a escrever e a contar, sei que o tempo que me espera é outro, será o tempo de crescer e de cumprir tudo que me disse poder esperar de mim, "&lt;em&gt;de uma mulher assim espera-se tudo&lt;/em&gt;!", dizia-me a cada passo, para me meter medo, para me fazer ganhar coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agora, todos os dias, antes de sair para a rua, de meter o pé à porta, é o último gesto que faço, afivelar o relógio no pulso esquerdo - como se até aí, não tivesse pressa ou necessidade de saber a quantas ando. fito-me ao espelho, de raspão, já sei de cor a cara que trago, saio porta fora, desço as escadas num salto, faço de conta que tenho pressa e vontade para chegar a qualquer lado, retomo a frase que uma mãe diz ao seu filho, no filme de todd field, "&lt;em&gt;todo ser humano é um ser corajoso, porque luta todos os dias, mesmo sabendo que pode perder aqueles que ama&lt;/em&gt;". deve ser também por isto - e por julgar que nunca perderei tudo que me disse, tudo o que lhe respondi, todos os livros, todas as músicas, todos os abraços, todas as cartas, todas as conversas, todo o choro e todo o riso. eu sei onde o trouxe até aqui e onde o guardarei sempre, mil anos que sobreviva à sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;receba um beijo desta sua menina tonta, que lhe acena com doçura da varanda e lhe diz que o espera bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"un bel dia vedremo", por maria callas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.tsf.pt/online/radio/index.asp?pagina=Arquivo"&gt;http://www.tsf.pt/online/radio/index.asp?pagina=Arquivo&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-6778030126893138910?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/6778030126893138910/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/04/in-memoriam-jsl.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/6778030126893138910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/6778030126893138910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/04/in-memoriam-jsl.html' title='in memoriam JSL'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/Rh_kiASZPMI/AAAAAAAAAAk/7_I0FkiYVE0/s72-c/P1010568.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-3203903747719921201</id><published>2007-03-21T20:36:00.000Z</published><updated>2007-03-21T20:52:52.608Z</updated><title type='text'>perder o medo</title><content type='html'>há-de flutuar uma cidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida&lt;br /&gt;pensava eu... como seriam felizes as mulheres&lt;br /&gt;à beira mar debruçadas para a luz caiada&lt;br /&gt;remendando o pano das velas espiando o mar&lt;br /&gt;e a longitude do amor embarcado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por vezes&lt;br /&gt;uma gaivota pousava nas águas&lt;br /&gt;outras era o sol que cegava&lt;br /&gt;e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite&lt;br /&gt;os dias lentíssimos... sem ninguém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e nunca me disseram o nome daquele oceano&lt;br /&gt;esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas&lt;br /&gt;punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua&lt;br /&gt;assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar&lt;br /&gt;se espantasse com a minha solidão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      (anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração.&lt;br /&gt;mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um dia houve&lt;br /&gt;que nunca mais avistei cidades crepusculares&lt;br /&gt;e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta&lt;br /&gt;inclino-me de novo para o pano deste século&lt;br /&gt;recomeço a bordar ou a dormir&lt;br /&gt;tanto faz&lt;br /&gt;sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade                                 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;al berto, in "o medo", pag. 303 da edição de dezembro de 1997 da assírio &amp; alvim .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;da pedra ao coração, outra vez, a ti to devo.obrigada, laranja, laranja. suspeito que nunca me farás escrever &lt;em&gt;antes amar uma pedra, que devolve mais&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"envie de toi", biréli lagrène.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-3203903747719921201?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/3203903747719921201/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/03/perder-o-medo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/3203903747719921201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/3203903747719921201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/03/perder-o-medo.html' title='perder o medo'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-3999366282717837723</id><published>2007-03-21T20:08:00.000Z</published><updated>2007-05-20T17:56:14.114+01:00</updated><title type='text'>escrever o chão</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/RgGQ1ExuziI/AAAAAAAAAAc/iUX1UedIIE4/s1600-h/P1010164.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5044472299121462818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/RgGQ1ExuziI/AAAAAAAAAAc/iUX1UedIIE4/s320/P1010164.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;desde que vi esta ilustração no babelia de sábado, que a associo à fotografia a preto e branco, que defrontei há meses, na galeria quadrado azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas aqui, estas mãos entretecem o chão de um continente inteiro, não esperam quem virá de viagem (de perto ou de longe), como as mãos da penélope, que trazia vestido o emaranhado ordenado da sua espera, como se a espera lhe recobrisse o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aqui, a escrita também se tece, mas a teia que a escrita faz está do lado de fora, é chão que se pisa, caminho para longe, haja coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há pouco, luísa costa gomes dizia que "&lt;em&gt;um bom livro é o livro que me faz escrever&lt;/em&gt;". é verdade também comigo, os bons livros têm-me feito escrever, chorar, gritar madrugada alta contra laranjeiras já surdas, contra cadernos esgotados; arranham-me a pele por dentro, trazem-me acordada de noite e irrequieta de dia. é como se fossem todos livros de desassossego. quando encontrei ricardo reis, conclui isso, que quem quer sossego não abre livros. desde então, sempre que abro um livro, de algum forma, trago isso presente, é risco que aceito e procuro. mas depois fico assim, dias a fio, a digerir, a acomodar, a revolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lembro-me de ser míuda e passar na televisão uma propaganda que dizia "&lt;em&gt;leia um livro e seja quem quiser.&lt;/em&gt;" algumas vezes terá sido assim, lido o livro, foi como se tivesse vivido eu a história que nunca cumpriria do lado de fora (como com &lt;em&gt;Madame Bovary&lt;/em&gt;, de Flaubert). noutras, a maior parte delas, as personagens foram umas vezes espelhos, outras prenúncios. daí o desassossego.mas não sei ser nem quero saber de ser de outra forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"pecados íntimos", de todd field.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-3999366282717837723?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/3999366282717837723/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/03/escrever-o-cho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/3999366282717837723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/3999366282717837723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/03/escrever-o-cho.html' title='escrever o chão'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/RgGQ1ExuziI/AAAAAAAAAAc/iUX1UedIIE4/s72-c/P1010164.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-1104568321647492134</id><published>2007-03-19T20:31:00.000Z</published><updated>2007-03-20T16:09:27.300Z</updated><title type='text'>"eu hei-de amar uma pedra"</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/Rf7zcdSZUzI/AAAAAAAAAAM/bELb-Z1SscM/s1600-h/P1010108.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5043736302925206322" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/Rf7zcdSZUzI/AAAAAAAAAAM/bELb-Z1SscM/s320/P1010108.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o sr. lobo aparecia no jornal do dia a seguir à atribuição do prémio camões, com a mesma fotografia de antes, em que uma fotografia sua lhe servira para esconder a cara, que então também não quisera mostrar.e nem então soubemos se a cara escondida seria parecida com a cara da sua fotografia,que lhe servia de máscara. é estranho, uma fotografia nossa ser a nossa própria mentira ou esconderijo. mente mais ainda esta fotografia hoje? ou está mais próxima da cara que ele tem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e depois as fotografias no ipsilon, sobre os escritores fotografados pelo daniel mordzinski. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e as fotografias de joão onofre, no &lt;em&gt;babelia&lt;/em&gt; do &lt;em&gt;el país&lt;/em&gt; deste sábado, comprado a tempo, em que os coveiros dos cemitérios de lisboa apareciam em grupo, todos com óculos de sol idênticos, todos a sorrirem ao fotógrafo e também aos vivos que eles esperam,como se sorrissem aos que vão enterrar, desde que escondidos os olhos, sorri-se a toda a gente, deve ser por isso que se lança mão dos óculos de sol, pode-se rir com a boca e não rir com o olhar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e a entrevista de philip roth no público, em que diz que não gostem que o fotografem e faz deliberadamente cara de mau. teria o jornal adivinhado que eu acabara de ler, meia hora antes, o livro que trazia morte para perto e a empurrava, no mesmo golpe, para longe, com uma energia (inesperada?) num animal moribundo? deposi de lido o livro, o frio cá dentro era tanto, que me quis enrolar no jornal, à falta do abraço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;depois dei por mim a desenhar as fotografias que faria para legendar as frases que trago sublinhadas nos livros que leio eque me revolvem por dentro, escritas em cadernos variados acumulados na mesa de cabeceira do lado esquerdo e livre da cama vasta ou a flutuar na minha cabeça (pousada na almofada há horas, ainda sem dormir e que esqueço antes de conseguir reunir forças para alcançar a luz, o papel e a caneta, rede de borboletas para quem quer aprisionar o que traz à solta dentro de si).&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sonny stitt.pedra do cemitério das traseiras do norte shopping.&lt;em&gt;o animal moribundo&lt;/em&gt;, de philip roth, edições d.quixote.rosa escura.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-1104568321647492134?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/1104568321647492134/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/03/eu-hei-de-amar-uma-pedra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/1104568321647492134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/1104568321647492134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/03/eu-hei-de-amar-uma-pedra.html' title='&quot;eu hei-de amar uma pedra&quot;'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nYAOpYyQk7Y/Rf7zcdSZUzI/AAAAAAAAAAM/bELb-Z1SscM/s72-c/P1010108.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-6694943936650959742</id><published>2007-03-05T21:11:00.000Z</published><updated>2007-03-08T13:14:24.316Z</updated><title type='text'>cameleira florida</title><content type='html'>o que te digo é que as cameleiras já estão floridas, passei agora por elas sorrateiramente, como um gato que passa rente ao muro sem querer acordar o sol, como se elas dormissem e não quisera que deram pela minha passagem.virás este ano confiar-me a flor do ano passado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estou na biblioteca do palácio de cristal, onde regresso tantas vezes e sempre me lembro de ti. como se, desde que chegaste à minha vida, se tivesse dissolvido a memória que tinha dos lugares antes de ti.e não é justo, nem com os lugares, nem contigo.nem comigo, adivinharei mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;oiço chavela vargas. aqui encontrei outra versão daquela música de que me apontaste um verso e descobri, num ápice, a letra toda.agora,com esta coisa da internet, por uma palavra só se descobre o verso todo, por uma linha se chega ao romance inteiro.já não andamos anos a fio a esperar encontrar de novo, o nome daquilo por que queríamos chamar.&lt;em&gt;a noite do meu bem&lt;/em&gt; chama-se aqui &lt;em&gt;la noche de mi amor&lt;/em&gt;. do &lt;em&gt;meu bem&lt;/em&gt; ao &lt;em&gt;meu amor&lt;/em&gt; vai um passo vasto- eu&lt;br /&gt;soube-me teu bem,tua linda, mas nunca teu amor.não me trago trsite por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e depois a música traz um ar de choro, de comoção,que não tinha na outra versão que ouvi. é por isto que quem interpreta,também acrescenta. aqui, chavela vargas quer para dar, quer o mais bonito das coisas bonitas, para brindar a noite do seu amor, mas a forma como chora a letra faz antever que ficará à espera no cais, não fará diferença os enfeites que recolha para pousar no colo de quem quer bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não te darei notícia disto, aliás, é assim que tenho estado, calada, por escrever, por dizer : calei as páginas que sublinhei no &lt;em&gt;babelia&lt;/em&gt; do &lt;em&gt;el país&lt;/em&gt; de sábado, calei a luz que devorei na esplanada do adamastor voltado ao tejo, no chá da tarde, calei a lista de &lt;em&gt;spas&lt;/em&gt; aqui ao alcance da mão, calei a poesia que li na viagem, calei o meu choro e a minha necessidade de colo quando saí de mais uma visita ao meu amigo maior. calei ainda a minha supresa por me rever ainda no &lt;em&gt;into my arms&lt;/em&gt;, de nick cave, eu atéia, eu, assim,à espera, depois deste tempo todo, sapiente da impossibilidade do resultado, por todas as razões e mais algumas, as maiores, do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aqui à volta há meninas que, à régua, desenham riscos, entre uma linha de texto e a outra. tenho quase vontade de lhes dizer que se deixarem a caneta colorida de lado, que se sentarem apenas a ler, ler, ler para frente, lerão mais e melhor. mas não me parece que me levassem a sério, se lho dissesse. estão ainda naquela fase em que sublinham segundo um secreto código de cores, como se as cores das pinceladas fizesse diferença séria para se lembrarem do seu teor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;censuro-as, mas ainda hoje fiz rir o arquitecto da reunião da tarde, quando lhe disse que texto que procurava ele e lera eu, estava no topo norte do texto, numa coluna à esquerda. sem nada a assinalá-lo, sabia de cor da geografia do seu lugar. com o tempo, fui descobrindo que importa não saber de cor as frases dos outros, mas sim saber, de coração, qual o caminho que retivemos no nosso percurso até elas. em milhares de páginas da &lt;em&gt;rosa do mundo&lt;/em&gt;, sei onde estão os versos que te quero ainda ler, sem que tenha esquinado páginas ou lá deliberadamente esquecido bilhete de concerto ou fotografia recortada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;comigo, quanto mais vasto é o livro, menor é o risco de não encontrar aquilo a que se quer regressar. deve ser por isso que te entreguei tantos livros de esconder no bolso, com páginas esquinadas, ainda sem perceber por que julgo maior o risco de perda do recado num livro com menos páginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;exposição de camélias, palácio do freixo, 10 a 12 de março.&lt;br /&gt;50 anos de gravura, fundação cupertino de miranda, a partir de 10 de março.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-6694943936650959742?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/6694943936650959742/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/03/cameleira-florida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/6694943936650959742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/6694943936650959742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/03/cameleira-florida.html' title='cameleira florida'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-7935874719251913146</id><published>2007-03-05T19:43:00.000Z</published><updated>2007-03-05T21:11:03.446Z</updated><title type='text'>ganhar fome de gente? ganhar lastro</title><content type='html'>no outro dia falavas da importância de ficares sozinho, para ganhares fome de gente, para voltares a sentir necessidade de ver, ouvir e abarcar quem geralmente te rodeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu tenho sempre fome das pessoas de quem gosto. deve ser aquela sempre insatisfação faz de mim menina sôfrega. tenho sempre vontade de mais, tenho sempre vontade de ouvir mais, ler mais, de dar e receber mais.e não é porque o que recebo me deixe insatisfeita – é porque não me cansa, não me farta, não me entedia o que me dizem, o que me fazem ouvir.há pessoas que ouvia a vida toda, em silêncio ou aos berros, ao som da música ou do desfolhar das páginas, dos lençóis ou dos abraços. não preciso de ganhar distância física para ter depois saudades e vontade de recuperar a proximidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu não tenho estado sozinha para ganhar fome de gente – tenho estado sozinha para ganhar lastro, como a broa do pão. para ganhar solidez, firmeza, chão, para ser outra que não aquela que tenho sido, para que os outros ganhem fome de mim. ser melhor pão, ser broa melhor. menos crua, com mais sabor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu tenho-me assim, para ver se cresço, para eu ser a única coisa que me faz verdadeiramente falta, para que nada me faltando se não eu, possas assim aproximares-te tu : que assim não terás medo que precise de ti, que assim não terás receio que precise do teu pão para matar minha fome. e poderei eu matar a tua? a broa de pão que se parte da esqeuina da mesa, de codêa rija, que protege o interior macio e que se esfarela na boca, a broa que se come quente, a sair do forno ou já com dias, com a marmelada escura ou esmiuçada no café. é essa broa que quero ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"a louca da casa", de rosa montero, edições asa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-7935874719251913146?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/7935874719251913146/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/03/ganhar-fome-de-gente-ganhar-lastro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/7935874719251913146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/7935874719251913146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/03/ganhar-fome-de-gente-ganhar-lastro.html' title='ganhar fome de gente? ganhar lastro'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-2689467635491930877</id><published>2007-03-02T12:23:00.000Z</published><updated>2007-03-05T19:43:43.155Z</updated><title type='text'>montanha</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.tsf.pt/online/radio/index.asp?id_artigo=TSF178227&amp;pagina=Interior"&gt;http://www.tsf.pt/online/radio/index.asp?id_artigo=TSF178227&amp;amp;pagina=Interior&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há anos que oiço este senhor.hoje,já estava quase pronta para pôr o pé na rua, já tinha até tomado o chá quente ainda descalça no granito frio da varanda, quando ele começou a falar de um menino que se fez passar por menos menino, para ter idade bastante para subir àquela montanha (como o fiz eu, para entrar no cinema, tantas vezes, quando tive pressa em ver outras coisas, que as da nossa idade já me entediavam).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;muitas vezes me fui sentar em frente ao mar ou subi à montanha, umas vezes cedo, outras tarde demais.&lt;em&gt;il faut regarder le chemin&lt;/em&gt;, recordo a tradução que fiz quando contei a uma senhora francesa, com ar de menina, o que me dissera uma pastora em pitões das júnias, saída do meio da urze. sobe à montanha quem não tem o mar perto ou quem o quer sonhar, quem quer perder o medo, quem precisa de se sentir pequenino outra vez, ao tomar consciência da vastidão do mundo. ou quem quer medir a distância da sua viagem : irei desta montanha até à última que alcanço daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há quanto tempo não subo sequer para cima de uma cadeira?, como naquele filme que nos rasgou a juventude a meio e nos pergunta,ainda hoje, quando poderemos dizer que &lt;em&gt;our fearful trip is done.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;é certo que é sempre menor o fôlego ao subir a ladeira, à medida que idade vai pesando.mas, se numa idade, se sobe o monte para se saber onde ser quer ir, noutra, se vai lá para se ter noção da vastidão do mundo por onde se andou. se subisses ao monte de que te falo comigo, parando em cada pedra, recuperando, devagar, o fôlego que a ambos nos falte, sei que te comoverias, lá em cima,tanto como eu. e se decidissemos não descer da montanha no fim do dia, saberíamos, por diferentes razões, que íamos deste lado de papo cheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e tu,vens daí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje não acabo o dia sem subir a uma cadeira.talvez daí já se veja a patagónia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-2689467635491930877?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/2689467635491930877/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/03/montanha.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2689467635491930877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/2689467635491930877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/03/montanha.html' title='montanha'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-117088195176274284</id><published>2007-02-07T19:47:00.000Z</published><updated>2007-02-23T15:38:46.910Z</updated><title type='text'>fazes-me falta, jardineiro</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Hoje à tarde, um senhor falava de um jardineiro que aos oitenta anos lhe disse "aos cinquenta, andava eu a dar pontapés à lua”. No ar sente-se o odor dos charutos que nunca perde da mão. Os seus olhos azuis estão escondidos por detrás de uns óculos pesados, que descem à medida que a conversa vai avançando. Sem que ninguém se aperceba, continua a chutar para longe constelações inteiras. Raramente lhe oiço a voz, a não ser quando chama pela secretária ou pelo menino de quem é mentor. Este senhor caminha vagaroso, com a calma de quem já viu muito e que quase tudo sabe. E quando fala ,as suas deixas lembram cerejas vermelhas, quase negras, maduras, desprendidas com um golpe leve de uma árvore prenhe e generosa. Este senhor é você."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabe que, se me deixasse,não largava a cabeceira da sua cama um segundo que fosse.lia-lhe os álbuns todos do calvin, a duas vozes fingidas.e depois as gordas e as magras dos jornais (que sempre o via aviar com ar de interesse, mas sempre crítico, rindo-se muito das verdadeiras histórias por detrás de cada notícia). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;levava-lhe também uma caixa de som onde pudesse ouvir a sua música, que mania essa dos hospitais de terem televisões nos quartos, quando é de música que você gosta (apesar de ser homem maior da televisão neste país).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;retenho sempre esta imagem, de nunca ter começado as suas frases,incluindo as mais divertidas, assim, por &lt;em&gt;este país&lt;/em&gt;. dizia mesmo, &lt;em&gt;este país também sou eu e o que dele eu fizer&lt;/em&gt;. ria-se do meu carácter voluntarioso, mas até você continuava a lutar por um futuro melhor para &lt;em&gt;este país&lt;/em&gt;, mesmo que às mesas de almoços infindáveis para os quais lhe ia rareando a paciência, mesmo que em reuniões mais ou menos secretas, mesmo que em congressos mais ou menos entediantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dizia-lhe, ainda me ouve?, levava-lhe a música nova que venho ouvindo e outra velha que só conheço agora, mas a tempo,creio eu. já reparou?,não foram assim tão poucas as doces descobertas que lhe confiei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;relembro-me muitas vezes da sua voz,comovida, embargada, quando foi do CD da ronda dos quatro caminhos:&lt;em&gt;raios te partam, rapariga, que diabo de música me foste tu mandar&lt;/em&gt;!.ripostei,a medo, &lt;em&gt;não gostou&lt;/em&gt;?.sossegou-me: &lt;em&gt;tinhas razão,lá no início,quando citavas einstein,“é mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito.” e desintegraste este: nunca pensei que pudesse ser tão bonito o que achava impossível.obrigada por teres insistido para que ouvisse, uma vez que fosse.sabes? há três dias que não oiço eu outra coisa&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;conclui, há muito, que você é o pensador mais livre que conheço,o mais rigoroso e entusiasmado leitor,o mais justo crítico; e também o melhor conversador e melhor gestor dos silêncios,nessas conversas e no espaço entre elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o amigo maior,que nestes anos todos,desde novembro de 2002, nunca deixou me telefonar,quase todos os dias, ou aos berros, a perguntar-me, quase madrugada &lt;em&gt;como ainda dormes!,com tanto trabalho para fazer&lt;/em&gt;? ou em surdina, com meiguice, &lt;em&gt;então,como está a ser o teu dia?já leste o jornal?chove no porto?sabes o que almocei?.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabe?,nunca mais é o dia dos seus anos, para lhe levar o costumeiro livro que desencanto para o encantar das prateleiras da bonita Lello ou da democrática FNAC, para lhe levar mais uma caixa de música diferente do seu Bach, para o ver ler,cotovelos pousados nos antebraços da cadeira do restaurante virado ao tejo,mais um dos meus recados, como você lhe chama e eu reconheço.para depois o ver, comovido, a procurar a minha mão direita e dizer-me, muito obrigada,a sorrir, o seu olhar azul,azul,tão marejado que se nota daqui,deixe-se disso,não seja tonto. nunca mais é dia dos seus anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é já na próxima segunda-feira, mas importa-se que vá de véspera?,que de véspera?, quero sair daqui a nada, apanho o carro,está aqui à porta,quero lá saber que esteja a chover,até chego mais depressa, em menos de três caixas de música estou aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ainda discutimos o referendo, a chuva, a primavera, este cigano que está a tocar aqui há dias, a alternar com o pianista andaluz, levo ambos para banda sonora da nossa conversa. levo duas tangerinas, o jornal de hoje, o meu livro favorito do daniel faria. ou então não faremos nem diremos nada.eu seguro a sua mão, faço-lhe uma festa no seu cabelo arrepiado de rufia,componho-lhe a dobra do lençol, aconchego-lhe o cobertor e ficamos assim, em sossego, sem necessidade de enxotar o silêncio. temos a vida toda para conversar.até já,que eu estou de saída,não saia você daí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-117088195176274284?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/117088195176274284/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/02/fazes-me-falta-jardineiro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/117088195176274284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/117088195176274284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/02/fazes-me-falta-jardineiro.html' title='fazes-me falta, jardineiro'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-117034443805587957</id><published>2007-02-01T15:38:00.000Z</published><updated>2007-02-01T15:40:38.066Z</updated><title type='text'>anda daí, vamos ao chiado</title><content type='html'>quando ouvimos a música colada aos ouvidos (como quando estamos, tontas, na fnac, como se não houvesse gente à volta, como se a gente em volta não nos ouvisse desafinar ou visse dançar a descompasso), a música soa-nos muito mais dentro da cabeça, ouvimos notas que doutra forma não estariam ali, e, ao mesmo tempo, embora não ouçamos nada mais que a música, parece que damos mais atenção ao que estamos a fazer (ou a não fazer). é como se calásssemos as vozes dentro da cabeça, que nos distraem do que escrevemos no piano desafinado que nos suporta as fúrias e as doçuras dos recados. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;oiço andrés márquez, que fora uma ou outra música que podia ser de elevador ou de série menor da televisão, tem conseguido manter-me presa há vários dias. no outro dia dei por mim a escrevinhar no cantinho tímido dos rascunhos impressos das peças que escrevo, a play list que andei a ouvir enquanto escrevia. como se pudesse explicar alguma coisa, como se a inspiração ou o erro maior pudesse vir dali, do que se ouve enquanto se pensa e se escreve. (como se não fosse no silêncio do sono, do dealbar da manhã ou da escuridão da noite que tudo se torna claro, transparente.como se não fosse na ausência de tudo que se dão todos os laços clarificadores).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;obrigada,menina dos cabelos azeviche,por todas as caixinhas que pousaste no meu colo,ainda é aí que as trago.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-117034443805587957?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/117034443805587957/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/02/anda-da-vamos-ao-chiado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/117034443805587957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/117034443805587957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/02/anda-da-vamos-ao-chiado.html' title='anda daí, vamos ao chiado'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-117000743959889583</id><published>2007-01-28T17:28:00.000Z</published><updated>2007-01-28T18:03:59.606Z</updated><title type='text'>e no regresso?</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4025/587/1600/165979/P1010488.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4025/587/320/858194/P1010488.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pedro cabrita reis.paula rego.fernando calhau.amadeo perdido.noobai e tejo ganho.confeitaria nacional.agito de surpresa.tóquio até fechar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e vir de lisboa a esbracejar, ainda que em silêncio. trazer cá dentro uma vontade de sacudir quem não responde; ou quem responde e depois se esconde a outra vez,no nevoeiro,atrás de uma folha estreitinha da tangerina trazida no bolso,atrás de trabalho,de reuniões e de turnos sem fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de cada vez que quero ter a certeza que não foi do lado da vida sonhada que as coisas se passaram, venho sentar-me aqui, nesta esplanada em matosinhos,onde cheira a mar se tiver sorte, onde cheira a petróleo,se os ventos não estiverem de feição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;olho estas mulheres que esbracejam contra o mar e lembro-me das mulheres da praia da apúlia em dia de naufrágio.e retomo &lt;em&gt;barco negro&lt;/em&gt;, pergunto-me se é "&lt;em&gt;por medo que me achasses feia&lt;/em&gt;" que me escondo eu ou te escondes tu.no outro di,arrumava cadernos antigos e encontrei uma linha roubada a uma entrevista de carlos vaz marques a amália,que voltou a passar quando morreu. ela dizia,lapidar: "&lt;em&gt;estive quase para ser feia, estive quase para ser bonita, fiquei a meio&lt;/em&gt;." às vezes, passo no espelho e não me reconheço.e muito menos sei se também fiquei a meio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já sou menina do meio, não crescida que chegue para ser levada a sério, não pequena que chegue para falar a brincar. há pouco dei por mim a procurar o equilíbrio na guia do passeio, os braços estendidos para os lados, como os espantalhos coloridos do castello-lopes,"&lt;em&gt;o homem que queria ser tudo&lt;/em&gt;"; e quando dei por mim, satisfeita com a proeza, olhavam-me de soslaio as pessoas que, como eu, também iam para serralves,mas com outra seriedade.meninas do meio ainda podem andar na guia do passeio a desafiar o equilíbrio - só podem sorrir quando são olhadas,já não devem pôr a língua de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;espero nunca deixar de esbracejar,mesmo que por dentro, mesmo que silenciosamente,mesmo que não oiças nem vejas daí, mesmo que ouvindo e vendo, não me respondas. não é casmurrice,nem teimosia,é ingenuidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabes?,quero-me assim, mesmo que não queiras tu.ou não te concedas querer.ainda me trago com os braços ora estendidos como espantalho que se equilibra, ora retorcidos como mulher que reclama.estou aqui no intervalo do trabalho, mas sei que ainda estou também sentada no último muro, antes do chafariz do fundo do jardim da casa de serralves,os pés suspensos no ar,os calcanhares dentro das sapatilhas de laços compridos a baterem contra o muro,alternados,e eu a rir,a rir, descarada, sonora e indiscretamente,de frente para o sol,do calvin da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"beatriz",por maria joão e mário laginha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-117000743959889583?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/117000743959889583/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/01/e-no-regresso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/117000743959889583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/117000743959889583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/01/e-no-regresso.html' title='e no regresso?'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-116873630463576344</id><published>2007-01-14T00:00:00.000Z</published><updated>2007-01-17T14:06:26.176Z</updated><title type='text'>de partida</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4025/587/1600/331583/P1010206.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4025/587/320/624636/P1010206.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;medo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem dorme à noite comigo?&lt;br /&gt;É meu segredo, é meu segredo!&lt;br /&gt;Mas se insistirem lhes digo.&lt;br /&gt;O medo mora comigo,&lt;br /&gt;Mas só o medo, mas só o medo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cedo, porque me embala&lt;br /&gt;Num vaivém de solidão,&lt;br /&gt;É com silêncio que fala,&lt;br /&gt;Com voz de móvel que estala&lt;br /&gt;E nos perturba a razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que farei quando, deitado,&lt;br /&gt;Fitando o espaço vazio,&lt;br /&gt;Grita no espaço fitado&lt;br /&gt;Que está dormindo a meu lado,&lt;br /&gt;Lázaro e frio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritar? Quem pode salvar-me&lt;br /&gt;Do que está dentro de mim?&lt;br /&gt;Gostava até de matar-me.&lt;br /&gt;Mas eu sei que ele há-de esperar-me&lt;br /&gt;Ao pé da ponte do fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;reinaldo ferreira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-116873630463576344?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/116873630463576344/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/01/de-partida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/116873630463576344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/116873630463576344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/01/de-partida.html' title='de partida'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-116861488223465665</id><published>2007-01-12T14:45:00.000Z</published><updated>2007-01-12T15:14:42.243Z</updated><title type='text'>"verso ignorado"</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4025/587/1600/128033/P1010036.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4025/587/320/332205/P1010036.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;queria sentar-me contigo no último degrau desta escada,deixar as sombras da grade fazerem-nos desenhos na cara,beijar primeiro o lado das sombras e depois o iluminado.queria depois dar-te um beijo e outro ainda, que se demorassem até ser tudo sombra e encontrarmos então no céu as constelações todas que guiassem nossos passos na escuridão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;falaremos a mesma língua,mesmo tendo lido as mesmas coisas, ouvidos os mesmos sons e pisado sempre este mesmo chão? retenho a imagem da mulher que perdoa (sem esquecer?)o homem que viaja sentado a seu lado; traz a cara voltada para o vidro e fita a paisagem que corre depresa do lado de fora; parece que é o lado de fora que está dentro de um aquário,de um casulo e afinal é o inverso; e depois,sem precisar sequer de olhar para o lado, encontra a mão do homem que a fita sem cessar. e segura-a, levemente, ele comove-se, não se sorri ele, sorri-me eu na cadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje estou quase muda como a rapariga asiática desse mesmo filme,que escreve compulsivamente,quase não dou um pio.tanto mais difícil será sabermos qual é o verso que trazemos ignorado, fazermos entre as pontas soltas um laço clarificador? não me parece.anda daí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"babel",de iñarritu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-116861488223465665?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/116861488223465665/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/01/verso-ignorado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/116861488223465665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/116861488223465665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/01/verso-ignorado.html' title='&quot;verso ignorado&quot;'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-116820667972632938</id><published>2007-01-07T19:24:00.000Z</published><updated>2007-01-07T22:18:15.943Z</updated><title type='text'>play list</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4025/587/1600/702164/P1010294.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4025/587/320/970011/P1010294.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;coeur, fais ton chemin&lt;br /&gt;oublie, tous les chagrins&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;viens, encore une fois&lt;br /&gt;prends moi dans tes bras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;je veux seulement oublier&lt;br /&gt;emballe-moi sous les nauges&lt;br /&gt;doucement vient le soleil&lt;br /&gt;bonheur aprés l'orage.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há músicas que, mesmo que as ouçamos depois noutros sítios e com outra gente (porque há algumas que conseguem desdobrar-se assim),vão sempre pertencer a quem no-las apresentou,a quem no-las pousou no colo,depois de as julgarmos perdidas, depois de nunca sequer termos sonhado existirem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há músicas que nos embalam quando os braços que queríamos que nos rodeassem foram embora ou tardam em voltar, como &lt;em&gt;someone to watch over me&lt;/em&gt;, tocado por  b. mehldau; há músicas que nos fazem perder o medo, como &lt;em&gt;escada sem corrimão&lt;/em&gt;, cantada pelo camané; há outras que nos levam ao alentejo, numa nota só como &lt;em&gt; o limoeiro &lt;/em&gt;na &lt;em&gt;terra de abrigo&lt;/em&gt;; há outras ainda que nos arrepiam por dentro, como &lt;em&gt;bola de meia&lt;/em&gt;, de seu jorge,como &lt;em&gt;palavras que nos beijam&lt;/em&gt;,por carlos do carmo com carlos martins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e depois há as que nos perguntam pelo que andamos a fazer ou a adiar - &lt;em&gt;are you the one i've been waiting for?, into my arms, green eyes&lt;/em&gt;, de nick cave; &lt;em&gt;you must believe in spring&lt;/em&gt;, de bill evans; &lt;em&gt;verdes anos&lt;/em&gt;, de carlos paredes; &lt;em&gt;oxalá &lt;/em&gt;de madredeus, &lt;em&gt;la llorona&lt;/em&gt;, de chavela vargas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois há as que, sóbrios ou ébrios já, nos fazem sempre sempre marejar o olhar : &lt;em&gt;a noite passada&lt;/em&gt;, de sérgio godinho, &lt;em&gt;beatriz&lt;/em&gt;, na versão de maria joão e mário laginha, &lt;em&gt;give me a reason&lt;/em&gt;, de portishead,&lt;em&gt;veja bem, meu bem&lt;/em&gt;, de maria rita, &lt;em&gt;this house is empty now&lt;/em&gt;,com burt baccarah e elvis costello, &lt;em&gt;sttrugle for pleasure&lt;/em&gt;,de wim mertens, &lt;em&gt;if it be your will&lt;/em&gt;,de l.cohen,na versão de antony; &lt;em&gt;if i had you&lt;/em&gt;, por diana krall; &lt;em&gt;quiet letters&lt;/em&gt;, de bliss; &lt;em&gt; j´arrive&lt;/em&gt;, de j. brel, &lt;em&gt;estrela da tarde&lt;/em&gt;, de carlos de carmo; &lt;em&gt;pomar das laranjeiras&lt;/em&gt;,de madredeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e depois há as músicas dos filmes(de a.hitchcock,p.almodovar,c.eastwood,m.scorcese e ontem a de igñarritu); e as músicas que ouvimos nos cafés e nas livrarias e depois vamos perguntar, descaradamente &lt;em&gt;o que era isto, que gostei tanto&lt;/em&gt;?.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tão importantes como todas as outras músicas que já trazemos,a ressoar na cabeça, mesmo quando em silêncio, a ribombar no coraçao, quando escrevemos ou falamos,as que tamborilamos com os dedos das mãos,são que estão por vir, as que irei conhecer, sublinhar, repetir, &lt;em&gt;repetir, repetir, até soar diferente&lt;/em&gt;,até soar límpido em mim o recado que me queiras dar tu, inscrito no que trarás debaixo do braço, no bolso do casaco ou na caixa branca rectangular onde desfila a banda sonora dos teus dias. mais as músicas que descobramos ambos,ignoradas pelos dois.importante também será a forma como saberemos estar em silêncio a ouvir o mesmo som ou em silêncio depois de todos os sons se terem calado. a música que se ouviremos para cozinhar, para ler banda desenhada ao sol estirados no chão, para escrever,escrever,trabalho ou cognac; a primeira música da manhã, que se ouve do banho e a da última festa no teu cabelo,música que se deixa também dormir, devagar.a música que se ouve dentro de uma fotografia ou quando se anda à procura dela.as músicas que nos passam pela cabeça quando o tobogan desce ravina abaixo e das das viagens estrada fora, mar adentro. a música do choro e do riso,a da dança, da tempestade e da bonança.a música que sossega o coração e afasta a dor, a que indica o caminho, a que leva embora e traz de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mostra-me o que ouves tu, mostra-me assim &lt;em&gt;what are you made of&lt;/em&gt;,como pergunta aquela publicidade de relógios.mostra-me quando quiseres, quando o tempo deixar. mas mostra, que quero ouvir, até ao fim, até ao osso, o que ressoa em ti, para perceber o que te faz ter, na mesma fracção de segundo, um sorriso rasgado e o olhar com toda a água das marés vivas de agosto na praia da apúlia. mostra, que te oiço, que te escuto. não trago pressa, nem urgência - apenas vontade de te ouvir a ti e o que é teu, no tempo que queiras e de que me dês notícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;entretanto, trago comigo o que perdeste e que te pertence.quantas vezes as respostas para as perguntas que fazemos nos são oferecidas por outra pessoa que não aquela a quem perguntámos; quantas vezes os objectos voltam às nossas mãos vindos de lados inesperados.&lt;em&gt;o que nos pertence, às nossas mãos nos há-de vir ter&lt;/em&gt;, dizia acertadamente a avó que enterrei há pouco tempo. não percebi o que ela dizia então, era demasiado nova para tanto; mas hoje sei que as coisas, quando importam,voltam, umas vezes tarde, outras a tempo, às mãos, aos lugares e aos corações a que pertencem - voltam porque as vamos buscar,voltam porque no-las trazem depois de as terem encontrado perdidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;mar adentro&lt;/em&gt; in &lt;em&gt;en el alféizar - evocaciones de un piano andaluz&lt;/em&gt;, por andrés márquez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-116820667972632938?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/116820667972632938/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/01/play-list.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/116820667972632938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/116820667972632938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/01/play-list.html' title='play list'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-116819166513499258</id><published>2007-01-07T17:34:00.000Z</published><updated>2007-01-07T17:55:40.640Z</updated><title type='text'>café</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4025/587/1600/981873/P1010141.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4025/587/320/819350/P1010141.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;recebo hoje o teu correio.embora traga saudades do tempo que tentavas responder ao que te perguntava, também leio(acima de tudo ?)o que eu não me escreves a propósito do que me mandas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;a história das bolas de golfe já a tinha ouvido e tenho ideia que já ta tinha contado, mas era com pedras apanhadas à beira do mar. e trazia outro sentido : dizia que cabe sempre mais alguma coisa na vida, desde que o queiramos assim. falava mais da importância de termos noção que há sempre lugar para mais alguma coisa, que cabe sempre mais um (como ouvia dizer em tempos, sobre gente que chegava, inesperada, para jantar e isso era sempre motivo de alegria e de festa). &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;sabes?, às vezes acho que os nossos coraçães também são assim : há uns amores maiores e outros menores e há ainda sempre algum cantinho onde lhe cabem outras coisas. o facto de caber não significa que se deixe entrar.ou que se impeça de sair.suponho que sei quais são as tuas bolas de golfe, os teus berlindes, a tua areia e o teu café. sei que darás conta deste recado também para ti (ou pretendes assim conseguir, um dia). &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;só queira que soubesses que tenho tomado muito café, as mais das vezes, sozinha, deliberadamente. embora isso se note, pelos vistos, tanto, que me apontaram hoje, tristemente, no Lais de Guia  : &lt;em&gt;então veio só?, que pena!&lt;/em&gt; , ao que respondi, de sopetão, ofendida : &lt;em&gt;pena para quem?&lt;/em&gt;. mas confesso-te que gostava de lá ter estado contigo. chovia à séria quando saí e lembrei-me de um dia de temporal faz quase um ano daqui a pouco, quase nada. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;mas o teu café comigo não tem data marcada. nem terá tão cedo. eu não sou, na tua vida (hoje?), bola de golfe, berlinde, ou areia. pelo que só depois de cumprires tudo o mais, terás tempo para mim. constato que tinhas razão : tenho muito para dar e  teu frasco está muito cheio, já estava muito antes de eu lá entrar. e ao contrário do que dizia lobo antunes, nem sempre a nossa capacidade de abarcar aumenta com idade. eu queria ser abarcada pelo teu abraço,sem  mais, mas cada vez o espero menos, para não sofrer a dor da espera. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;ontem fui à galeria quadrado azul, na miguel bombarda,para ver uma fotografia que me estava reservada - as coisas que nos fazem sair de casa são estranhas; vi no jornal de manhã que a expsoição fechava ontem e alguma coisa me avisou que não podia perder.cheguei a meia hora do fim, ainda a tempo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;desfiei os trinta minutos quase todos em frente à fotografia : uma mulher sentada numa cadeira tricotava a roupa que trazia vestida : a malha feita era um vestido trazido em cima do corpo, moldado à pele e no chão estava um novelo sem um gato. &lt;br /&gt;pensei : penélope com a espera vestida, a fazer tanto parte dela que lhe veste a pele. lembrou-me um quadro da última exposição da paula rego, em serralves, com a mulher sentada numa cadeira, com a pele de lobo vestida; lembrou-me, em espelho, ainda a minha única resolução de ano novo : ser esperada e não esperar. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;depois pensei que quem não quer viver à espera não pode entretecer a espera, viver os dias e as noites como um entretém que se cumpre enquanto o mais não chega. um entretém é uma coisa que se tem no entretanto? hoje percebo que algumas das coisas que fiz na minha vida não chegaram sequer a ser entretens ; depois, que não fiz nem fui o tanto que podia ter feito e sido. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;mas logo retomo a frase do benedetti (que ainda não me devolveste e que aguardo - pretexto para antecipar o café?) : &lt;em&gt;tengo las manos vacias de tanto dar sin tener /pero las manos son mías&lt;/em&gt;. sabes? quem espera, às vezes, esquece-se disto : que as mãos estão cheias antes até de chegar quem se espera; e que não ficam vazias ( porque ficam conosco) quando quem cá esteve brevemente (mesmo depois de tão esperado) se vai embora. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;depois lembrei-me ainda da demorada, dolorosa e importante conversa de dois dias antes, com aquele amigo que me apresentou wim mertens há muitos anos atrás. disse-lhe, a dada altura, que era importante tornar-se a espera produtiva, fazer-se no tempo em que estamos sós, mais do que só esperar, fazer-se mais do teia que nos proteja do frio, fazer-se de nós coisa que valha a pena correr-se para e com muita muita pressa, toda a vontade. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;tanta coisa para só isto : para te dizer que, quando a tua vida permitir e a minha vida também, terei todo o gosto de tomar café contigo.sempre sabendo que há bebidas amargas que nos incendeiam o coração. sempre sabendo que dificilmente terás tempo para esse café para breve, por as bolas de golfe, os berlindes e areia dentro do frasco te levarem quase todo o tempo que de dispões. mas promete-me uma coisa : que, em tendo tempo, tomarás, pelo menos, café contigo mesmo, breve que seja, num sítio bonito a cheirar a mar ou ao monte, onde se oiça a chuva ou o barulho das árvores ; e que evocarás então daniel faria e todos os outros que tive o gosto de te sublinhar, arrogantemente, como se esquecesse que leste muito mais que eu. e que serás, também então, pelo menos durante o tempo que te leve esse café, tremendamente feliz. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;um beijo e um abraço com ternura e amizade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-116819166513499258?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/116819166513499258/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/01/caf.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/116819166513499258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/116819166513499258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2007/01/caf.html' title='café'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-116577888362493632</id><published>2006-12-10T17:33:00.000Z</published><updated>2007-01-02T13:32:07.986Z</updated><title type='text'>vazio estruturante?</title><content type='html'>“&lt;em&gt;Por agora ficamos em que há amores dos que amam e dos outros, que são, de resto,mais duradouros e de se trazer por casa. Com estes faz-se tudo o que se quer. Fazem-se famílias inteiras, sexo e até má poesia&lt;/em&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agustina bessa luís, in "&lt;em&gt;a ronda da noite&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabes?,abri ao calhas este livro que anda a ler a menina que fui confiar a mais um avião e encontrei esta frase. não sei se me assusta mais por ser "&lt;em&gt;espelho em que me reconheço&lt;/em&gt;", se por me ter forçado a tomar consciência que o amor da raça dos primeiros nos deixa mais vazios, mais à toa, mais sozinhos, do que sermos "&lt;em&gt;amados por engano&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há meses que ando para te escrever mas tenho-me contrariado - escrever-te uma carta daquelas em papel ou destas velozes, implica aceitar que estás a vários países de distância, que não posso dizer-te "anda daí,preciso de um chá", porque não vais poder tu, nem vou poder eu, brincarmos às meninas caprichosas e apanharmos um avião para isso, só por isso, que era tudo (como diz o nome comprido de uma loja ali às antas,"&lt;em&gt;oh!era mesmo isto o que eu queria&lt;/em&gt;").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;escrever cartas é assumir a distância e ao mesmo tempo,confessar a vontade de a superar. ou então de a impor de vez. eu tenho andado assim, há meses, a escrever cartas a julgar que daí advirá a coragem para me ir embora (de muita coisa, de tanta gente), a escrever cartas por julgar que servirão para me trazerem para mais perto quem parece querer fugir (de si mesmo até) mas não consegue deixar de prometer que volta (só não sabe é quando).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabes, mulher?, eu vou sabendo, que se me perguntassem o que é essencial nas mulheres portuguesas, respondia que é o escreverem sempre muito (eu sempre demais), como se por serem lidas (as mulheres e as cartas), os homens as ouvissem falar,a sério, essa vez só que fosse. como dizia um dos filósofos gregos (sócrates?aristóteles?), que cito de cor, a essência é o que faz uma coisa ser aquilo que ela é. escrever cartas a quem quero mover ou demover é-me essencial, mas mais do que isso, é atributo essencial da mulher que sou; suspeito que as escrevo por causa da mulher em que me quero tornar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje fui a um sítio aonde nunca te levei, nos meses todos que cá vieste ao porto, andava eu fugidia por lisboa. na altura, também não havia este motivo maior, que é a obra de ampliação do palácio dos carrancas que fernando távora tão docemente engendrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como menina pequena que insisto ser, olhei estática o céu que recortavam as janelas do corpo novo - e depois, fazendo de conta que não percebera o objectivo daquelas cadeiras perfiladas antes do primeiro degrau da escada, fui perguntar a um dos rapazes que tomava conta de uma das salas, se não podia ir àquele lado superior do jardim. mostrei-lhe o meu desenho torto feito a caneta de feltro indelével, no guia do museu, justifiquei-me dizendo que aquilo não fazia sentido, que tinha de estar a faltar um patamar do jardim e que era meu desejo vê-lo. que não, que lamentava, que “&lt;em&gt;o jardim não estava acessível por falta de pessoal para vigiar porta, jardim e visitantes&lt;/em&gt;”. ainda me perguntou "&lt;em&gt;é arquitecta&lt;/em&gt;?", sorri-me, “&lt;em&gt;não, sou só curiosa, mas se para me levar àquela parte do jardim precisar que lhe diga que sim, passarei num ápice a se&lt;/em&gt;r”, sorri-me eu, rimo-nos ambos. em passo lesto, subimos as escadas, abriu a porta vasta que dava para o jardim, entalou uma cadeira na porta "&lt;em&gt;que só dá para abrir por dentro e se calhar não vai querer ficar fechada do lado de fora&lt;/em&gt;", fiz de conta que sim, que não queria ficar ali, presa naquele jardim por tratar,naquele resto de espaço, naquelo bocado de socalco que permite ver todas as varandas que, da rua, até ali e então, só pudera adivinhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabes, continua a ser verdade aquela frase que nos relataram daquele senhor de olhos azuis, que nos morreu antes de aprendermos com ele o que precisavamos,"&lt;em&gt;é preciso assomar a diferentes varandins para vermos a mesma realidade&lt;/em&gt;." apeteceu-me ter dito isto ao rapaz que me salvou a manhã ao acudir-me ao capricho; mas, curiosamente, quando lhe disse que percebera então por que razão aquela casa da rua do rosário tinha sempre fechadas as janelas voltadas para rua, porque preferia a casa fitar antes do jardim do palácio, mesmo que alheio, precisamente porque alheio, o rapaz sorriu-se e confessou-se "&lt;em&gt;acho que nunca tinha vindo aqui e muito menos pensado nisso; era como se passasse na rua e não percebesse o que se passava do lado de dentro do quarteirão. agora já sei, olham as casa para o nosso jardim&lt;/em&gt;", e acrescentei eu,"&lt;em&gt;jardim esse que vocês próprios não olham, adivinho&lt;/em&gt;." não se sentiu repreendido, ainda me disse "&lt;em&gt;acho que agora virei cá mais vezes&lt;/em&gt;". desci as escadas, agradeci a intromissão concedida de visita àquele espaço aberto. confirmei, ao olhar aquel miolo vazio, aquele terreiro entrecortado, que tinha razão aquela arquitecta que falava há dias na tsf,sobre o que escrevera outro par, sobre a capacidade de os espaços vazios poderem ser estruturantes, serem o fio condutor que permite à cidade respirar.sabes?, quem vive naquele casa com ardósias em forma de escamas de peixe e um alpendre soalheiro, só suporta a cidade barulhenta da rua, por lhe voltar as costas e se espraiar para este jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ainda voltei a ir ver a exposição de fotografia, numa sala sem luz natural e com recortes de pedras, de lençóis amarrotados,de árvores e de janelas e de céu, fotografias penduradas compassadamente nas paredes temporárias.como se precisasse de me certificar que estavam mesmo ali,que não as sonhara. sentei-me no chão de madeira, fiz da parede espaldar e fiquei ali a olhar, a ver, a reparar.(também assim se cumprem os livros que ainda trazemos na cabeça, estes anos todos depois).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma das fotografias exibia um horizonte de pedra lascada, com arestas vivas, agressivas e contrastava com as fotografias da outra parede, de lençóis desalinhados, amassados pela noite e pelos corpos que já não estavam ali. perguntei-me se os lençóis de pedra, da cor do ferro, não seriam sedimentos de amores acumulados, dos “&lt;em&gt;amores dos que se amam&lt;/em&gt;”, que terminam mas que,no entretanto (e, as mais das vezes, mesmo depois) são amores que rasgam a pele pelo lado de dentro, que nos apertam o coração até ele morrer de vez e deixar de sentir, daqueles amores que nos arrancam à letargia dos amores dos outros; são amores que nos desassossegam, nos revolvem, nos tiram a forma e a fome, o sono e a madrugada, nos fazem procurar poesia e música que nos embale a dor e a alegria; e são os amores a que nunca, nunca temos coragem dos nos render. assim falhamos a vida, mulher,e ao contrário daquele romance do Eça que nos deram a ler, começa, dolorosamente, a não ser verdade que, se corrermos a sério, que ainda o apanhámos, que ainda o apanhámos, esse amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;daqui a nada estarás aí,na soleira da minha porta e eu dir-te-ei “&lt;em&gt;estava a ver que nunca mais era dia. o chá está na mesa&lt;/em&gt;.” e então abraçar-nos-emos como sempre, como dantes e saberemos que nunca te foste embora. até já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;museu nacional soares dos reis,andré gomes, “lumen”.&lt;br /&gt;“requiem pelas vitimas do fascismo”, fernando lopes graça.&lt;br /&gt;“retábulo das matérias”,de pedro tamen.&lt;br /&gt;o portugal de maria belo,rtp 1.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-116577888362493632?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/116577888362493632/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/12/vazio-estruturante.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/116577888362493632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/116577888362493632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/12/vazio-estruturante.html' title='vazio estruturante?'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-116232704755626713</id><published>2006-10-31T20:30:00.000Z</published><updated>2006-11-16T10:04:35.086Z</updated><title type='text'>laranja de manhã é ouro</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4025/587/1600/P1011253.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4025/587/400/P1011253.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabes,como o dia nunca mais chegava, vim pendurar a fotografia aqui.&lt;br /&gt;mas não foi por estar à espera que o dia chegue - foi antes por saber que nem sempre o que tarda muito em chegar,chega a tempo.uma boavista nem sempre fica mais perto do centro de nós, às vezes, anda até muito longe.até depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-116232704755626713?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/116232704755626713/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/10/laranja-de-manh-ouro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/116232704755626713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/116232704755626713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/10/laranja-de-manh-ouro.html' title='laranja de manhã é ouro'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-115351563163229956</id><published>2006-07-21T21:24:00.000+01:00</published><updated>2006-08-31T14:50:18.846+01:00</updated><title type='text'>era mesmo assim</title><content type='html'>é sexta-feira outra vez.ainda ressoa em mim o filme da semana passada.quase que tenho medo de ir ver outro que, à beira daquele,soará sempre a amargo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há um homem que tenta libertar-se um quadro com a fotografia de um pássaro num galho de uma árvore, porque terá a visita de uma mulher em casa daí a nada.o quadro tocara-lhe numa partilha anterior, e julga precisar deixar de o ter consigo. corre de um lado para o outro como uma barata tonta. tenta esconder o quadro no jardim, entre os arbustos,quando a mulher chega,como sempre, antes do tempo, e o surpreende com o quadro na mão.pergunta-lhe se anda à procura de um sítio para o pendurar.este quadro surgira logo logo na abertura do filme, o que fez suspeitar que estaria para acabar. como se afinal o filme todo fosse sobre isso, sobre o encontrar-se um sítio certo para se pousar um quadro e a pessoa certa que soubesse olhar conosco para ele.a mulher resolve-lhe o drama,sugere-lhe que pendure o quadro na árvore,se calhar não o devia esconder,antes mostrar. e quando o nivelam, como se o chão fosse rodapé e o céu o tecto,o quadro segura-se na árvore, afinal, não é o quadro é o pássaro, pendurado do lado de fora da porta, é como se assim o libertassem da gaiola,da moldura,de tudo em volta.como se o deixassem ser o que é, mesmo na fotografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto a mulher assiste o homem que pendura o quadro,depois de ter escolhido o ramo da árvore em que o fará,envolve-o num abraço,rodeia-o como num casulo,segura-lhe as mãos e pousa a cabeça no ombro dele,ampara-o pelo lado de fora,mas sabe que é assim que entra pela pele adentro.e foi assim que souberam ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;era mesmo assim,como nos filmes.foi mesmo assim.acenderam as luzes,a fita acabara.levantei-me e saí,mas parecia que queria ficar ali para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"eu,tu e todas as pessoas que conhecemos",de miranda july.&lt;br /&gt;carlos martins e sinfonieta de lisboa,"a primeira estrela" e "fado árabe".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-115351563163229956?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/115351563163229956/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/07/era-mesmo-assim.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/115351563163229956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/115351563163229956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/07/era-mesmo-assim.html' title='era mesmo assim'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-115100709541731477</id><published>2006-06-22T20:22:00.000+01:00</published><updated>2006-06-23T10:52:00.726+01:00</updated><title type='text'>pomar das laranjeiras na margem esquerda do mondego</title><content type='html'>jurarei&lt;br /&gt;eterno amor&lt;br /&gt;saudades&lt;br /&gt;a vida inteira&lt;br /&gt;ao nascer do sol&lt;br /&gt;ao pomar das laranjeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e se o dia&lt;br /&gt;não vier&lt;br /&gt;voltarei&lt;br /&gt;de qualquer maneira&lt;br /&gt;só para te ver&lt;br /&gt;no pomar das laranjeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é tão grande&lt;br /&gt;o meu amor&lt;br /&gt;foi assim&lt;br /&gt;logo a primeira&lt;br /&gt;só será maior&lt;br /&gt;no pomar das laranjeiras&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;o pomar das laranjeiras, &lt;br /&gt;de pedro ayres magalhães, in existir.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;adivinho que me espera um demorado passeio entre limoeiros.&lt;br /&gt;sabes?,deves saber,mãe,és tão sábia,mais triste do que nunca se encontrar a metade da nossa laranja,é encontrar-se a metade exacta,boca metade,conversa metade,silêncio metade e essa metade ir-se embora.ou não poder ficar conosco.ou não saber como ficar.ou não caber aqui. ou não cabermos nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;queria ser do tamanho de uma noz, como na música daquele senhor de olhos negros tristes, tristes, que diz "&lt;em&gt;quando eu for grande, quero ser do tamanho de uma noz, para poder então caber na mão de cada um de vós".&lt;/em&gt;eu queria ser pequenina, pequenina mesmo, para poder andar escondida na palma de uma mão,para caber entre as folhas de um livro, para passar discreta na almofada.mas eu sei,já te oiço, até as coisas pequenas se vêem, às vezes, mais depressa até que as imensas.mas queria ser pequenina,mesmo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tantas vezes me lembro da carta em escrita em papel rectangular,muito estreito, linhas castanhas, tinta permanente azul de caneta parker,que encontrei uma vez na garagem eternamente desarrumada (como memória de que não nos queremos livrar, ainda seja que má),carta que endereçaste àquele senhor (que veio a ser meu pai e que só há um ano, quando sem óculos,muito de perto, vi que tinha os olhos da cor dos meus, quando o sol brilha à séria, como helena que sou),carta em que perguntavas, numa letra impossível, semelhante à minha,vejo hoje,"&lt;em&gt;que me falta a mim para poder ser a sua mulher,ser a mãe dos seus filhos?"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lembro-me de, na altura,ter estranhado o tratamento por você e que tivesses escrito uma carta com uma pergunta daquelas.nesse dia,não sabia que seria também essa a minha sina,escrever sempre muito aos homens da minha vida,sem nunca esperar que me respondessem de volta.a diferença entre nós é qu escreveste a carta a este homem e ficaste com ele.e certamente nunca escreveste mais nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desta vez, mãe, as cartas não foram (só)na despedida,foram o começo.e sabes,mãe, é estranho, pela primeira vez não tiveram medo desta menina que escreve,desta menina que fica sempre mais confortável no papel do que a falar; desta vez, foi precisamente por escrever que se aproximaram de mim e, uma vez aqui, não fugiram. mas o escrever não faz as pessoas ficarem conosco,sei-o de há muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passa das oito da noite e não tenho vontade ir para casa, mas gostava de ir deitar a minha cabeça no teu colo, dizer-te que não queria que fizesses perguntas, nem sequer &lt;em&gt;que te fizeram&lt;/em&gt;?, queria só que me desses um beijo, que descobrisses o que já sei que te escondo só porque fazes de conta que não vês,que me deixasses deitar a minha cabeça sempre pesada no teu colo redondo, mesmo magro e me passasses a mão pelo cabelo e me dissesses que não foi nada, ninguém viu,que vai deixar de doer, que cantar mesmo que desafinada músicas que ninguém reconhece ajuda a desfazer o nó que trago dentro da garganta (que não deixa passar nem comida nem sair palavra ou gargalhada sonora, delatora da minha chegada a qualquer lado).queria me dissesses que sim,mesmo que mentisses, que estes olhos verdes hão-de olhar outra vez a metade da laranja que encontrei ou que me encontrou a mim,ou que um dia destes, quando menos esperar, vou acordar de manhã, lembrando-me primeiro do verso de benedetti que me disseste tantas vezes, antes até de o conheceres, as minhas mãos vazias são minhas e estão reservadas para quem as venha encher,demoradamente.e se não for esta metade da laranja que perco agora,a metade que o seja mesmo, porque fique comigo.deixas? não queria subir sozinha tão íngreme ladeira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-115100709541731477?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/115100709541731477/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/06/pomar-das-laranjeiras-na-margem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/115100709541731477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/115100709541731477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/06/pomar-das-laranjeiras-na-margem.html' title='pomar das laranjeiras na margem esquerda do mondego'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-114677231237081239</id><published>2006-05-04T20:45:00.000+01:00</published><updated>2006-05-04T20:58:16.696+01:00</updated><title type='text'>um prado de malmequeres poupado às perguntas</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4025/587/1600/malmequeres.0.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4025/587/320/malmequeres.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;alentejo,parque natural do guadiana,abril de 2006.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-114677231237081239?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/114677231237081239/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/05/um-prado-de-malmequeres-poupado-s.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/114677231237081239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/114677231237081239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/05/um-prado-de-malmequeres-poupado-s.html' title='um prado de malmequeres poupado às perguntas'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-114667186131564641</id><published>2006-05-03T16:10:00.000+01:00</published><updated>2006-05-04T00:37:19.656+01:00</updated><title type='text'>"can a dead heart be broken?"</title><content type='html'>sempre gostei de cinema de animação.há dias,meses já?,enfiei-me na sala escura à procura de uma gargalhada minha,que não derivasse de disparate que o dissesse eu.a dada altura,o vilão da fita pergunta "&lt;em&gt;pode um coração morto estilhaçar-se&lt;/em&gt;?".sei hoje que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nesse filme, a menina do mundo dos mortos chega, por momentos,a roubar um dos vivos para perto de si. mas o apelo do outro lado é maior, fica sozinha a menina - mas o seu coração, apesar de empedernido,por morto,voltara a bater. é como se recompusesse para logo se partir de novo.restou-lhe o consolo de concluir que era como jarra que se estivesse estatelado pelas escadas abaixo,e depois conseguisse,ainda assim,suportar flores e água;embora não as lograsse guardar,por não lhe serem dirigidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no outro dia, em santa vitória,em beja, uma mulher sábia lembrava "&lt;em&gt;quem é feliz nas flores não o é nos amores.&lt;/em&gt;"e depois há quem falhe ambos, pensei-o eu, disse-mo ela, como blimunda que me lesse à transparência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passeávamos por entre árvores enxertadas, limoeiros que se revelaram laranjeiras (que água com que se rega uma árvore nunca se pode perder),por entre rosas sem espinhos e vasos de erva cidreira e orégãos.como em poucas vezes da minha vida, soube manter-me calada e não ripostei ao que me afirmaram certeiramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;daí a dias, perdida em direcção ao pulo do lobo, prados vastos de malmequeres desafiavam-me a fazer-lhes a pergunta que me consumia.adivinhei que faria batota e desfolharia resmas de flores, até que estas me dissessem que não era verdade o que adivinhara a senhora, que eu falhara todos os vasos da varanda virada a sul,não o amor de então : bem me quer, muito? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ri-me, por dentro, da ironia,de provocar a falha ritmada das pétalas dos malmequeres, à procura da interrupção da infelicidade dos amores.deixei as flores intactas,a resposta trouxe-a comigo: há amores que valem a pena por nos roubarem, segundos breves que sejam,ao clube dos corações mortos.e mesmo que seja para se estilhaçarem de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;the corpse bride&lt;/em&gt;”,de tim burton.&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;não quero que vás à monda&lt;/em&gt;”,ronda dos quatro caminhos,com orquestra de cordas de córdoba e coros alentejanos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-114667186131564641?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/114667186131564641/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/05/can-dead-heart-be-broken.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/114667186131564641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/114667186131564641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/05/can-dead-heart-be-broken.html' title='&lt;em&gt;&quot;can a dead heart be broken?&quot;&lt;/em&gt;'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-114322971211823226</id><published>2006-03-24T19:30:00.000Z</published><updated>2006-03-25T15:58:08.153Z</updated><title type='text'>dama das camélias</title><content type='html'>&lt;em&gt;"gosta de mim mesmo quando estou triste?"&lt;br /&gt;"especialmente então."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabe?,mas nem por isto cultivo a tristeza - bem que a arranco do chão,a puxo pela raíz como quem se quer libertar de erva daninha que teima regressar.hoje vi numa montra da rua formosa, um vestido lindo vermelho e, logo a seguir,noutra que fazia esquina,um ramo de limões artificiais.o vermelho ficar-me-ia bem, a amargura em ramo já não.mas depois perguntei-me : para que queres tu, mulher,um vestido vermelho assim?,só para te levares ao cinema,ao teatro,à casa da música,ao labiryntho?, &lt;em&gt;overdressed&lt;/em&gt;,para te disfarçares e distraires os olhares da tua solidão? arroga julgares-te discreta, deixa o vermelho na montra,passa silente entre a multidão, pode ser que ninguém note que há ervas daninhas que não te saem do olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"orgia",de pier paolo pasolini,pelos artistas unidos,no rivoli.&lt;br /&gt;"colisão",no cidade do porto.&lt;br /&gt;"ascent",de bernardo sassetti trio.&lt;br /&gt;documentário de graça castanheira sobre laura soveral.&lt;br /&gt;entrevista de lobo antunes no suplemento 6ª do DN.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-114322971211823226?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/114322971211823226/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/03/dama-das-camlias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/114322971211823226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/114322971211823226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/03/dama-das-camlias.html' title='dama das camélias'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-114008364066465202</id><published>2006-02-16T08:55:00.000Z</published><updated>2006-03-25T15:56:06.906Z</updated><title type='text'>e as dores do corpo?</title><content type='html'>&lt;em&gt;“as dores da alma só a morte as leva do corpo.” &lt;/em&gt;não sei quem me disse isto. mas estava escrito num papel amarelo,apertado entre duas páginas de um livro deixado, na noite anterior, em cima da mesa, para que, ao tropeçar nele, me lembrasse do poema que sublinhara para te ler, de mansinho, na dobra do sofá ou sentada no parapeito alto da janela da varanda. acabei por me esquecer, por o tempo ter sido ocupado, em cheio e em grande, pelas caixinhas de música que, com cuidado e boa premeditação pousaste no meu colo e que ainda não consegui deixar de ouvir, mesmo quando já durmo, vencida a insónia que anda a levar a melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ainda não são sequer dez da manhã e já estou aqui a escrever : é muito cedo, está muita luz, nem sequer há gente cá dentro ou lá fora. mas adivinho ainda não seja de manhã - nem para os meus dedos, nem para os meus olhos, nem para o meu corpo.talvez seja por ainda trazer comigo a madrugada atravessada quase em branco, com um verso da música do filme das sete da tarde de ontem,que fui ver julgando entreter a espera, afastar a solidão e estancar o choro. &lt;br /&gt;nem sempre os filmes que arriscamos a desoras cumprem o propósito que nos levou para dentro deles e para fora de nós.este não cumpriu nenhum e ainda bem. falava de um história de amor que não se cumpriu por falta de coragem de um dos amantes e quando a coragem deste chega, o outro já está morto.o verso da música, que se sobrepunha às letras que subiam no final, falava de alguém que se parava pouco em lado nenhum e que não deixava sementes em nenhum lugar. é por ter sabido ontem que pode vir a ser esse o meu destino, que trago comigo a cara de tristeza do homem que ficou só porque chegou tarde à sua vida e faz uma jura de regresso a uma fotografia do sítio onde foi feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“brokeback mountain”, de ang lee.&lt;br /&gt;“eternidade e um dia”, BSO,eleni karaindrou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-114008364066465202?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/114008364066465202/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/02/e-as-dores-do-corpo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/114008364066465202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/114008364066465202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/02/e-as-dores-do-corpo.html' title='e as dores do corpo?'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-113949348959959941</id><published>2006-02-09T13:00:00.000Z</published><updated>2006-02-09T13:58:09.636Z</updated><title type='text'>"minha laranja amarga e doce"</title><content type='html'>irrompeste, com serenidade, pelos meus dias adentro sem que o tivesse sonhado sequer.às vezes, nem isso nos concedemos, por acharmos que nem nos sonhos merecemos ficar com quem queremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois, a conversa, o olhar,a promessa, o convite e o beijo desabaram mais depressa que a passagem das horas na viagem do caminho de casa. e foi assim que, graças a ti, os limões da calábria, baços e rugosos, pousados na taça imóvel em cima da mesa virada ao mar, vão dando lugar às laranjas acabadas de colher, roliças,de pele lisa e corada dos sorrisos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sugeriram-me uma vez que a procura da nossa alma gémea é a procura da outra metade da nossa laranja.temo,por um acaso muito,muito feliz,ter encontrado a minha secreta metade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"cavalo à solta",ary dos santos cantado por fernando tordo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-113949348959959941?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/113949348959959941/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/02/minha-laranja-amarga-e-doce.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/113949348959959941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/113949348959959941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/02/minha-laranja-amarga-e-doce.html' title='&lt;strong&gt;&quot;minha laranja amarga e doce&quot;&lt;/strong&gt;'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-113917072290162601</id><published>2006-02-05T20:12:00.000Z</published><updated>2006-02-05T20:18:42.930Z</updated><title type='text'>morrer-nos gente</title><content type='html'>a viagem de sábado ainda a trago comigo : o sol de frente no asfalto, as matas ardidas do verão, o cheiro das duas cigarrilhas fumadas seguidas no adro da igreja (a entreter a espera, enquanto o padre ausente de si debitava um discurso automático sobre dor e vida eterna), o som compassado e quase militar dos passos no caminho empedrado de calcário, da igreja ao cemitério, a terra a cobrir o caixão e este a tocar a oco, como se o morto não estivesse lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fui enterrar o pai de um amigo. não tenho frequentado funerais pelos mortos, mas pelos vivos. sou uma mulher cheia de sorte – não me tem morrido ninguém de monta. pelo que também nunca sei muito bem o que dizer nestas alturas : limito-te a estar lá, dar um abraço, afagar o cabelo, tentar suster do lado de cá quem parece, às vezes, querer ir também com quem se foi embora. quisera entregar o livro que me fez deixar de temer a morte de quem mais se gosta, mas esquecera-o quilómetros atrás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lembrei-me entretanto, de um filme que vi, a desoras, há semanas : falava de um homem que sabia estar a morrer e que, aos poucos, se ia despedindo dos que, serenamente, deixaria para trás, deixando como recado maior que assim que se aprenda a morrer, logo também saberá como viver. depois, para saber o que diriam os seus no seu funeral, antecipou-o, fazendo-o em vida – ouvindo as músicas, as homenagens e confissões, feitas em tempo, de quem o queria bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;naquele funeral, a família não falara nem fora chamada para isso. talvez a dor fosse demais e o padre incapaz. mas dizer-se aos outros como era quem se foi embora (sempre, sempre antes do tempo) e assumir-se ou extravazar-se a dor (que parece que agiganta cada vez mais e que impede a respiração), podia ter deixado os sobrevivos mais perto uns dos outros e, ao mesmo tempo, menos irremediavelmente distantes de quem partia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o silêncio dos funerais contribui para pensar que a morte chega mais depressa quando nada se ouve, quando ninguém responde no eco, quando não há nem vozes, nem música, nem calor, nem livros nem nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deve ser por isso que trago a casa cheia de livros, que deixei brad meldhau a tocar ineterruptamente, (como se antecipasse os encores do concerto de sexta que vem); foi por isso que esqueci, de propósito, abertas às escancaras, as janelas viradas ao exíguo pomar de laranjeiras – quando lá chegar, já noite fria, saberei que o sol da tarde andou por ali. é por isso que dou comigo muitas vezes a falar sozinha, contra os objectos que não sei onde perdi e contras coisas em que tropeço; é mesmo por isso que dou comigo a recitar poesia avulsa escolhida ao acaso, em voz alta, a meio da madrugada; e é por isso ainda que a primeira coisa que faço quando me levanto, é pôr a rádio a debitar as novidades sobre o mundo que já acordou há horas atrás, do lado de fora de mim. como se ouvir o que me dizem, aos berros, vertiginosamente, ou ao ouvido, quase sibilante, bem devagar, fosse prova bastante que ainda respiro, mais este dia, restando prometer-me vivê-lo de forma a dizer, no seu fim,“&lt;em&gt;morria com o dia de hoje no olhar&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“fazes-me falta”, inês pedrosa.&lt;br /&gt;“tuesday’s with morrie”, de mitch albom.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-113917072290162601?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/113917072290162601/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/02/morrer-nos-gente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/113917072290162601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/113917072290162601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/02/morrer-nos-gente.html' title='morrer-nos gente'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-113891295060902627</id><published>2006-02-02T20:12:00.000Z</published><updated>2006-02-02T20:44:04.356Z</updated><title type='text'>"amar es el empieze de la palabra amargura"?</title><content type='html'>e eu que trago a amargura no fim do meu nome, eu que li no outro dia, no restaurante do almoço, escrito numa parede que "&lt;em&gt;o sabor amargo fortalece o coração&lt;/em&gt;", eu que trago no peito o aperto da tua distância de mim e da minha ausência daqui, eu que falo e escrevo muitas vezes com um azedume suspeito, crónico e reiterado, eu que digo que se se começar pelo que amarga,tudo o mais será doce, eu digo também tanto fel foi sinceramente interrompido pelo teu sorriso de agrado pelo meu último recado – digo que me enterneceu saber que as minhas promessas, pedidos e confissões te comoveram e te demoveram da desistência.e,assim,dei comigo,sempre amarga,por dentro, por fora, a pensar que não é vão tanto tempo de espera  mesmo sabendo que espero por quem nunca há-de vir ou se vier, não ficará o tempo todo que arrogamentemente, julgo merecer). estes segundos da tua doçura afastaram a taça de limões pousada na mesa quadrada, coberta por uma toalha branca, em frente ao mar da itália,na abertura do filme "&lt;em&gt;cinema paraíso&lt;/em&gt;", que persiste em ser a síntese do que em sido o amor na minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"un bel dia vedremo", cantado por maria callas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-113891295060902627?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/113891295060902627/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/02/amar-es-el-empieze-de-la-palabra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/113891295060902627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/113891295060902627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/02/amar-es-el-empieze-de-la-palabra.html' title='&quot;amar es el empieze de la palabra amargura&quot;?'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-113701520244461889</id><published>2006-01-11T20:55:00.000Z</published><updated>2006-01-11T21:33:22.530Z</updated><title type='text'>lisboa, o tejo e tudo</title><content type='html'>fujo de olhar o rio para não me deixar ficar aqui.sento-me até quase de costas no restaurante.e só fito o rio e a ponte quando não o consigo olhar de frente e estou prestes a desabar num choro,por se ter despedido sem sequer cá ter estado sequer,de corpo inteiro.mas no fim,acabámos por agir como não se tivesse despedido,como se não fosse o fim.e conclui hoje que não o foi,embora vá agora para casa,debruçar-me na varanda,em frente ao pomar de laranjeiras e pensar por que ainda o espero,se o já me disse que nunca virá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;restaurante panorâmico no hotel tivoli tejo,em Lisboa.&lt;br /&gt;diana krall canta "if i had you by my side".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-113701520244461889?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/113701520244461889/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/01/lisboa-o-tejo-e-tudo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/113701520244461889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/113701520244461889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2006/01/lisboa-o-tejo-e-tudo.html' title='lisboa, o tejo e tudo'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-113468652289661037</id><published>2005-12-15T22:38:00.000Z</published><updated>2005-12-15T22:42:02.906Z</updated><title type='text'>migalhas que sabem a pão</title><content type='html'>"gosto muito de ti."&lt;br /&gt;"vice-versa",respondeu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-113468652289661037?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/113468652289661037/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/12/migalhas-que-sabem-po.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/113468652289661037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/113468652289661037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/12/migalhas-que-sabem-po.html' title='migalhas que sabem a pão'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-112482656673088554</id><published>2005-08-23T20:21:00.000+01:00</published><updated>2005-09-06T20:51:24.686+01:00</updated><title type='text'>de battre mon coeur s'est arreté</title><content type='html'>há um homem que volta tocar piano depois de 10 anos de silêncio público e ensaios solitários.age como um marginal,sem medo de partir nas mãos num murro mais certeiro, nos acertos de contas encomendados.tamborila os dedos em cima do balcão de um bar e na circunferência do volante de um carro, cuja cor já esqueci.é de bach a peça que toca insistentemente,debaixo do ouvido e do olhar de uma asiática,que lhe mostra os movimentos da doçura,da raiva ponderada,da fuga premeditada.depois de desistir da audição por convite que serviu de trama à história,acaba com as pautas da sonata debaixo do braço e com os &lt;em&gt;headphones&lt;/em&gt; a debitarem música electrónica e a fazerem eco do ribombar do coração.uns metros à frente na bobine do filme,o coração sustenta-se, fica suspenso no ar,quase a sair-lhe pela boca, quando se depara com pai morto, estendido no chão da sala de sua casa. acaba agente da pianista asiática que lhe dera as aulas de piano até à audição e deixa-a subir ao palco sem as pautas das peças que vai tocar,por se ter perdido no átrio do teatro, antes do concerto, a resistir a matar o assassino do pai - o seu coração aprendera a bater antes por um amor vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passava as quatro da manhã quando me estendi na cama.percebi o quanto cabe dentro de bach e como o coração se pode sentir na boca,quando sentimos que bate sozinho por quem trazemos dentro da cabeça.queria aprender a não gastar com um amor só, todo o bater do coração, queria não fazer minha a deixa "de tanto bater meu coração parou".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;roman duris, em "de battre mon coeur s'est arreté",de jacques audiard.&lt;br /&gt;cinema cidade do porto,2.ª feira,sala quase cheia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-112482656673088554?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/112482656673088554/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/08/de-battre-mon-coeur-sest-arret.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/112482656673088554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/112482656673088554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/08/de-battre-mon-coeur-sest-arret.html' title='de battre mon coeur s&apos;est arreté'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-112197302532894396</id><published>2005-07-21T19:54:00.000+01:00</published><updated>2005-07-21T20:10:25.333+01:00</updated><title type='text'>existir para lá dos livros</title><content type='html'>termos os mesmos livros à cabeceira, a kilometros de distância,faz de nós cumplices da mesma almofada? e lermos as mesmas linhas, leva-nos ao mesmo sonho? eu queria era deixar os meus livros para trás e ir sentar-me a teu lado,a espreitar pelo teu ombro a página do mesmo livro, eu volto a página e tu lês, na seguinte trocamos, eu leio mais depressa, mas a tua voz é mais bonita.lermos o mesmo livro, a preguiçar no mesmo sofá, na mesma relva, debaixo do mesmo pinheiro,a vivermos a mesma história,sem os preocuparmos em a escrever noutro lado, que no lado de dentro do coração, rente à pele.sublinho a minha pressa em te rever como quem faz um sulco no chão,como arado de lâmina precisa que traça um limite humano para a saudade. no fim do verão, regressarás para onde? ao menos, o tempo que passo a trabalhar voa, voa, voa.cansado corpo, até à exaustão,o sono chega afinal devagar, como se fosse necessário recuperar forças antes de se entrar nos sonhos.onde vamos hoje, pelas páginas do mesmo livro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;josé gil, "portugal,medo de existir".&lt;br /&gt;keith jarrett, the köln concert.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-112197302532894396?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/112197302532894396/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/07/existir-para-l-dos-livros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/112197302532894396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/112197302532894396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/07/existir-para-l-dos-livros.html' title='existir para lá dos livros'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-112197759468775176</id><published>2005-07-04T22:30:00.000+01:00</published><updated>2005-07-21T23:30:07.173+01:00</updated><title type='text'>"i do not know what tomorrow will bring"</title><content type='html'>quando fiz vinte anos, marquei três objectivos para os trinta : saber conduzir,saber nadar e ter terminado o curso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;coisas simples e pequenas, não fora ter tido um valente acidente de carro anos antes, de que me lembro de cada vez que olho para o espelho; não fora ter-me quase afogado, por duas vezes, uma vez ainda catraia, outra já mulher feita; não fora terem-me desafiado para ir fazer fotografia e escrever, escrever, escrever, ainda o curso de direito não tinha mostrado o que podia fazer por mim e ainda andava eu longe de imaginar o que faria dele.por tudo isto, cada uma destas coisas pequenas era uma empresa séria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;primeiro, aprendi a conduzir e é hoje das coisas que faço com mais gozo, a toda a pressa ou distraídamente devagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois, o curso ganhou lanço e compaginou-se com outros amores, paixões e desamores. era janeiro e chovia e, de cabeça, mergulhei num dos exames orais mais exigentes de que guardei memória – soube que não me deram nada, fui eu que tirei. lá fora, com um grande ramo de cravos e rosas, esperavam-me os pais e os amigos que lá tinham estado sempre e que, na sua maioria, ainda cá estão hoje. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas faltava menos de meio ano para hoje e ainda não sabia nadar.em março,ainda chovia, fui-me inscrever num ginásio, risonha, para afastar vergonha e medo; comprei fato de banho e touca pretos, para parecer mais séria e esguia, uns óculos cor da água para destoar tanta seriedade e umas sapatilhas transparentes, a lembrarem as sandálias de plástico de quem andava aos mexilhões nas rochas escorregadias da praia das pedrinhas, na apúlia. aprendi a nadar e dou hoje comigo a prescindir do almoço, a apressar reuniões, que a aula começa daí a nada e não quero perder de aprender. &lt;br /&gt;e à custa da natação, retomei a modéstia olhar,sem pressa, para quem sabe, para perceber como se faz ; recuperei a capacidade de decompor movimentos complexos em gestos simples, mais fáceis de superar.e ganhei a coragem das crianças - atirar-me de cabeça, depois logo se vê, o mais que virá poderá ser uma dor física, uma mazela ou outra, um pé esfolado, um braço dorido, uma água engolida por engano. é engraçado como se deixa de ter medo da dor física, por se saber que dói muito mais a dor do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;obra feita, que quererei fazer até aos quarenta? sei que dizer “I do not know what tomorrow will bring” é motivo primeiro para não se estar cá quando o dia acordar. sei o que já trago comigo. durmo sem medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"escada sem corrimão", camané canta david mourão ferreira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-112197759468775176?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/112197759468775176/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/07/i-do-not-know-what-tomorrow-will-bring.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/112197759468775176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/112197759468775176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/07/i-do-not-know-what-tomorrow-will-bring.html' title='&quot;i do not know what tomorrow will bring&quot;'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-111948668623528504</id><published>2005-06-22T22:30:00.000+01:00</published><updated>2005-06-23T01:34:47.130+01:00</updated><title type='text'>uma piscina inteirinha</title><content type='html'>a piscina hoje aparecia mais vasta que o mar da apúlia, em hora de maré vaza e sem sargaço.encostei-me à parede, dentro de água, aninhei-me, repeti-me o que já me dissera tantas vezes - &lt;em&gt;não há-de ser isto que vais deixar por fazer&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as janelas voltadas para o jardim interior,com árvores da borracha, estavam abertas para trás, às escancaras, e assim deixavam que a minha pressa em fazer uma piscina inteirinha, em &lt;em&gt;crawl&lt;/em&gt;, sem parar, sem parar, se visse das outras salas, onde se levantavam pesos e se davam pontapés no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que pressa?, medo. não de ir ao fundo, que me ensinaram a bater com os pés no chão para voltar à superficie, levando a boca cerrada, com força, na descida; que aprendi a ficar estendida à superficie, a boiar como uma folha leve,como uma garrafa com recado dentro, a respirar serenamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;medo de falhar,de deixar as más memórias da água levarem a melhor. antes medo de um mar assim contido poder mais que eu, medo de a descoordenação de movimentos me fazer continuar a nadar de costas para o destino, como acontece sempre nas viagens que faço contrariada. medo de não ser capaz de dar uma ordem a uma perna e a outra, para baterem sem parar e manter essa ordem cumprida, ao mesmo tempo que se diz ao corpo para respirar antes de arfar e entretanto, nesse movimento, com a serenidade de quem não quer gastar toda a energia numa braçada só, rodar os braços, passando sempre por uma posição de quietude, algures ali pelo meio. parece simples, descrito assim. quase tão simples como os movimentos feitos de pé, em seco, graciosamente, em jeito de dança, pelo professor ruivo, incansável, tão casmurro como nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pousei a placa azul e branca na berma da piscina e sorri, para afastar que as borboletas que batiam asas, a toda a força, na barriga. estendi os braços para a frente, enchi o peito de ar, atirei-me de rompante, empurrando a parede com força, como se a quisesse mover e depois fui mandando o corpo mexer-se, primeiro por partes, depois como um todo. de repente, a piscina acabara e a placa azul e branca ficara do outro lado do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ali ao lado, a minha irmã caçula também se estreava numa piscina inteirinha vencida em &lt;em&gt;crawl&lt;/em&gt;. nunca um &lt;em&gt;compagnon de route&lt;/em&gt; me fizera tanta diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“tarde em itapoã”, toquinho e paulinho da viola. lua quase cheia numa varanda voltada a sul.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-111948668623528504?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/111948668623528504/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/06/uma-piscina-inteirinha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111948668623528504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111948668623528504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/06/uma-piscina-inteirinha.html' title='uma piscina inteirinha'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-111869209251578294</id><published>2005-06-13T19:34:00.000+01:00</published><updated>2005-06-13T20:48:12.533+01:00</updated><title type='text'>mais desertas as margens da ladeira</title><content type='html'>"Adeus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,&lt;br /&gt;e o que nos ficou não chega&lt;br /&gt;para afastar o frio de quatro paredes.&lt;br /&gt;Gastámos tudo menos o silêncio.&lt;br /&gt;Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,&lt;br /&gt;gastámos as mãos à força de as apertarmos,&lt;br /&gt;gastámos o relógio e as pedras das esquinas&lt;br /&gt;em esperas inúteis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.&lt;br /&gt;Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;&lt;br /&gt;era como se todas as coisas fossem minhas:&lt;br /&gt;quanto mais te dava mais tinha para te dar.&lt;br /&gt;Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.&lt;br /&gt;E eu acreditava.&lt;br /&gt;Acreditava,&lt;br /&gt;porque ao teu lado&lt;br /&gt;todas as coisas eram possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso era no tempo dos segredos,&lt;br /&gt;era no tempo em que o teu corpo era um aquário,&lt;br /&gt;era no tempo em que os meus olhos&lt;br /&gt;eram realmente peixes verdes.&lt;br /&gt;Hoje são apenas os meus olhos.&lt;br /&gt;É pouco mas é verdade,&lt;br /&gt;uns olhos como todos os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já gastámos as palavras.&lt;br /&gt;Quando agora digo: meu amor,&lt;br /&gt;já não se passa absolutamente nada.&lt;br /&gt;E no entanto, antes das palavras gastas,&lt;br /&gt;tenho a certeza&lt;br /&gt;de que todas as coisas estremeciam&lt;br /&gt;só de murmurar o teu nome&lt;br /&gt;no silêncio do meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não temos já nada para dar.&lt;br /&gt;Dentro de ti&lt;br /&gt;não há nada que me peça água.&lt;br /&gt;O passado é inútil como um trapo.&lt;br /&gt;E já te disse: as palavras estão gastas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                         Eugénio de Andrade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi este o poema que me subiu à garganta quando, pela manhã,com a voz enrolada na tristeza,me acordaram a dizer que Eugénio de Andrade e Álvaro Cunhal tinham morrido.quis acreditar que senhor das causas fora ilustrar os poemas do senhor dos gatos.e que as suas palavras vão continuar a dar de beber a toda esta sede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"limoeiro",in Terra de Abrigo, Ronda dos Quatro Caminhos, Orquestra de Cordas de Córdoba e Coros Alentejanos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-111869209251578294?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/111869209251578294/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/06/mais-desertas-as-margens-da-ladeira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111869209251578294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111869209251578294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/06/mais-desertas-as-margens-da-ladeira.html' title='mais desertas as margens da ladeira'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-111878884394941022</id><published>2005-06-12T22:45:00.000+01:00</published><updated>2005-06-14T23:48:18.806+01:00</updated><title type='text'>domingo à tarde</title><content type='html'>Um país de procissões, de bandas de música com pautas presas com molas da roupa, com nevoeiro frio nos dias de quase verão. Há gente que se vem sentar à mesa do café a desfolhar jornais da direita para esquerda, reminiscência de hábitos muçulmanos e fica tardes inteiras em silêncio, sem um sorriso ou sem um berro : este é um país que ama e se cala sem um ai. Amanhã é segunda-feira outra vez e não sei por que razão este país tanto chora pelo fim-de-semana, se depois quando este chega, “&lt;em&gt;vai para as hortas na pessoa dos outros&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia, já era de noite, andava pelas ruas da baixa a mostrar a cidade a quem cá estava como turista e me fazia assim de turista também, em vez de guia. Traduzia de cor mas de coração, a um negro retinto, violinista da costa do marfim, o que dizia uma inscrição na parede de uma livraria na rua de Ceuta. “&lt;em&gt;Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, encerro em mim todas os sonhos do mundo&lt;/em&gt;”. Acho que foi este um dos motivos que me fizeram sair daquela rua – o que querer ser tudo o que encerro em mim, ficando insatisfeita por só em sonhos poder ser quem quiser.&lt;br /&gt;Depois, um grafitti fazia uma linha na parede e um sulco no meu coração : lembrava “&lt;em&gt;o meu abraço tem a forma do teu corpo&lt;/em&gt;”. Percebi e expliquei o que é trazer-se nos gestos a memória do corpo se abarcou em tempos, mesmo quando se entalam as mãos geladas nos braços cruzados, se desembrulham os caracóis emaranhados ou se deixam os braços acompanharem os movimentos do corpo que caminha desengonçado ao longo do passeio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música do café espelhado e pintado de azul mistura-se com o som dos trombones, dos fagotes e dos bombos da banda que passou lá fora mas que deixou o som para trás, como se esquecesse dele ou como se quisesse levar consigo quem se deixa ficar, no passeio, de mãos nos bolsos ou a cofiar os caracóis macios das crianças. A banda passou e as pessoas continuam caladas, só abrem a boca para engolirem o chá ou para comentarem que nem parece que é quase S. João. Apetece-me perguntar-lhes se saltariam a fogueira com quem trazem sentado frente a si. A música calou-se e só se ouve o barulho da loiça e da máquina do café. Gostava que o empregado ao passar, deixasse cair, com um grande estrondo, uma bandeja pejada de pratos e garrafas, para, por um segundo, por duas pessoas da mesma mesa a fitarem o mesmo e assim acordarem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relembro-me do que disse Berenice, no teatro de quarta-feira passada, “&lt;em&gt;amo-te e vou-me embora, amas-me e deixas-te ficar&lt;/em&gt;”. E invento que estas pessoas se sentam à mesma mesa, deitam-se na mesma cama e se deixam ficar, nenhuma delas se vai embora, por não perceberem que deste modo ficam ainda mais sozinhas. E recordo que era esta a peça de teatro que representavam no filme “&lt;em&gt;O gosto dos outros&lt;/em&gt;”, de Agnès Jaoui, onde um homem ganha a coragem de deixar a mulher com quem não está, desde há muito tempo, para ter a desfaçatez de dizer à mulher por quem se apaixonara que é com ela que quer ficar. Corajosos, os franceses. Também no filme de André Techiné, que vi deliberadamente sozinha, “&lt;em&gt;Les temps qui changent&lt;/em&gt;”, há um homem que perde a vergonha da sua idade e tamanho e o receio de um redondo não, decide &lt;em&gt;rejoindre&lt;/em&gt; a mulher que sempre amou, mesmo depois do que a passagem das horas de espera fez a ambos.um dia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;confeitaria Tavi,no porto.café sem açúcar e bolo brigadeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-111878884394941022?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/111878884394941022/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/06/domingo-tarde.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111878884394941022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111878884394941022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/06/domingo-tarde.html' title='domingo à tarde'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-111765509541315566</id><published>2005-06-01T19:22:00.000+01:00</published><updated>2005-06-01T20:44:55.440+01:00</updated><title type='text'>estar por dentro</title><content type='html'>a propósito das confidências de uma mulher trigueira, de fibra, lembrei-me de uma conversa antiga, em que alguém dizia que não tinha saudades, que não se sentia longe, que mais do que por perto,se sentia por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ainda que partilhe desse estar por dentro e traga também eu no coração,na cabeça e na alma quem quero bem, sou acometida, não raras vezes, da vontade de ser como os demais e de assim de ter ao alcance de uma mão estendida ou travessa, do outro lado da porta,ao fim da rua, já quase no mar, quem me traz a respirar. ou a engolir água na piscina, a escrever a desoras, a insistir quando todos foram jantar ou dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;à medida que os dias passam e as noites são todas iguais e acordam sempre doridas de mais uma noite no sofá,onde a solidão se estreita tanto que quase desaparece,cada vez mais queria ser uma pessoa normal, que se excede,que exige,que diz "&lt;em&gt;chega de saudade&lt;/em&gt;" e mete pés ao caminho e diz que quer estar por perto,tão perto que possa acertar a cadência do respirar,tão por dentro que consiga marcar o compasso de sístoles e diástoles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;i've got you under my skin&lt;/em&gt;", diana krall.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-111765509541315566?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/111765509541315566/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/06/estar-por-dentro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111765509541315566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111765509541315566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/06/estar-por-dentro.html' title='estar por dentro'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-111624716007110831</id><published>2005-05-16T13:31:00.000+01:00</published><updated>2005-05-16T13:41:37.440+01:00</updated><title type='text'>"the one who seeks, finds"</title><content type='html'>recuperei o livro que julgara ter perdido.dei com ele dentro de um saco,na mala do carro.encontrei-o quando andava à procura de outra coisa,como quase tudo na minha vida.estranhei que não tivesse dito nada, sendo que me ouviu a falar sozinha, a queixar-me do desencontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agora que o livro voltou às minhas mãos,adio a sua leitura, porque temo não te encontrar na esquina do meu sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;the boatman's call, nick cave and the bad seeds&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-111624716007110831?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/111624716007110831/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/05/one-who-seeks-finds.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111624716007110831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111624716007110831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/05/one-who-seeks-finds.html' title='&quot;the one who seeks, finds&quot;'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-111583806622670945</id><published>2005-05-11T18:30:00.000+01:00</published><updated>2005-05-11T20:01:06.270+01:00</updated><title type='text'>será preciso?</title><content type='html'>será preciso que a terra trema,que os sotãos desçam até à cave (como naquele livro que comecei a ler e que, triste, admito que não sei onde o perdi),será preciso isso para ficar perto de ti, perto o suficiente para saber qual é a cor exacta dos teus olhos,para sentir a maciez do teu cabelo e a aspereza da tua barba mal escanhoada?,mais por preguiça que por falta de destreza?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;escolhi o livro que perdi pelo maremoto da capa,a lembrar o postal colado nos azulejos da banheira,"&lt;em&gt;le grand amour fou m'emporte comme une vague&lt;/em&gt;". &lt;br /&gt;e escolhi-o pelo título, por ter concordado com ele.porque é possível estar-se por dentro de alguém, acertar as síncopes do coração,respirar-se ao mesmo tempo,constatar-se o carácter gémeo das almas e concluir-se pela eternidade do amor, mesmo antes, muito antes, da rendenção a um beijo,breve,como são todos os dados a medo, na estreia,como que a aferir da devolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vou ver se encontro o livro,certamente enfiado no meio de algum processo,entalado entre jornais da semana passada,protegido debaixo de alguma almofada que se queixa da ausência da minha cabeça pousada em sossego.vou lê-lo num folêgo para atalhar a espera e ver se estás lá,na outra esquina do sofá,quando o livro terminar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"nem tudo começa num beijo",jorge araújo e pedro sousa pereira, oficina do livro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-111583806622670945?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/111583806622670945/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/05/ser-preciso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111583806622670945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111583806622670945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/05/ser-preciso.html' title='será preciso?'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-111480218466322319</id><published>2005-04-29T19:53:00.000+01:00</published><updated>2005-04-29T20:16:24.663+01:00</updated><title type='text'>deve ser por isso</title><content type='html'>às vezes, sou acometida da urgência de pestanejar demoradamente,a meio de uma viagem debaixo do sol,de uma braçada mais embrulhada na piscina,de um telefonema com perguntas difíceis.suspeito que seja para te encontrar do lado de dentro de mim,já que tardas tanto em assomar à ombreira da minha porta, em sorrires durante o teu soninho na dobra do meu lençol,em me surpreenderes na curva roliça do meu ombro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-111480218466322319?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/111480218466322319/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/04/deve-ser-por-isso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111480218466322319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111480218466322319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/04/deve-ser-por-isso.html' title='deve ser por isso'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-111325925097725521</id><published>2005-04-12T22:58:00.000+01:00</published><updated>2005-04-11T23:40:50.976+01:00</updated><title type='text'>i've got to see you again</title><content type='html'>tenho de ver-te outra vez além desta, e mais outra, e outra ainda, digo-to à descarada, quero lá saber que estejam a ouvir, seguro a tua cara entre as minhas mãos desastradas,de dedos tortos,cravo os meus olhos em frente aos teus,despenteio-te nesse movimento,deixo-te à toa, perdido, mas sem te deixar fugir de entre as minhas mãos, agarro-te a cabeça pela nuca, como se a abanasse num golpe doce e firme, ao mesmo tempo, como se este abraço nunca mais se desfizesse,entre o dia de hoje e o reencontro que vem sempre ainda tão longe. quero lá saber da vista e da comida e do vinho e do cheiro da primavera. tenho saudades é do cheiro da tua pele na minha almofada, do teu perfume persistente na gola do meu casaco na manhã seguinte,tu já dentro do comboio,só o teu cheiro a fazer-me companhia e o jornal esquecido no banco detrás,desfolhado sem interesse,as páginas ainda certinhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-111325925097725521?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/111325925097725521/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/04/ive-got-to-see-you-again.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111325925097725521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111325925097725521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/04/ive-got-to-see-you-again.html' title='i&apos;ve got to see you again'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-111325825235220022</id><published>2005-04-12T22:52:00.000+01:00</published><updated>2005-04-11T23:27:30.896+01:00</updated><title type='text'>falar ao ouvido</title><content type='html'>é curioso como,ao telefone,deixamos estranhos falarem-nos ao ouvido e depois, os que nos são próximos,às vezes,nos parecem falar de tão longe.hoje um estranho, a quem chamara para resolver coisa séria, acabara a confessar que gostava de almoçar sentado no relvado da Biblioteca Nacional,como se assim e por isso fosse um homem do campo.e falámos da BN, porque não me apercebera eu, tantas vezes deliberadamente perdida em Lisboa, depois de um almoço de sexta-feira,que a Cinco de Outubro acompanhava longamente a República e alcançava o Campo Grande pelas costas de mais um edificío da CM,cheio de papel.a minha desorientação fez-me gargalhar ao telefone.&lt;br /&gt;no fim da conversa, já à varanda,lembrei-me do que me escrevera aquela mulher do sul,"&lt;em&gt;um sintoma de liberdade é o som de uma gargalhada&lt;/em&gt;". pensei em todas as vezes que me ri para me libertar do medo das alturas,da tristeza do fim,da raiva da injustiça e do desconsolo da perda - em todas essas vezes, a gargalhada foi o caminho da liberdade e não apenas sinónimo dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-111325825235220022?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/111325825235220022/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/04/falar-ao-ouvido.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111325825235220022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111325825235220022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/04/falar-ao-ouvido.html' title='falar ao ouvido'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-111282619404947734</id><published>2005-04-06T23:07:00.000+01:00</published><updated>2005-04-06T23:23:14.050+01:00</updated><title type='text'>"um dia..."</title><content type='html'>&lt;em&gt;sabe? um dia perco a paciência, pego nos livros,nas roupas, nas chaves e vou entregar tudo ao presidente da república. e digo-lhe :"olhe, tome conta disto, que a culpa do estado em que isto está também é sua".e vou apanhar ar puro para outro lado.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ouvi isto ao fim do dia, de um senhor que dizia que não cumpria as suas obrigações porque outros também não cumpriam as deles. percebi que estava tudo seguro por arames na sua vida.mas não era de de marionetas que falávamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois de pousar o telefone,concluí que estaria cansado de subir a sua ladeira. daí a nada ia apanhar ar puro para longe, enrolá-lo nos dedos, afagá-lo na pele, perder dias inteiros a agitar os braços nesse ar, como se fosse pássaro e voar não tivesse segredos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-111282619404947734?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/111282619404947734/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/04/um-dia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111282619404947734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/111282619404947734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/04/um-dia.html' title='&quot;um dia...&quot;'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-110798796621576298</id><published>2005-02-09T22:20:00.000Z</published><updated>2005-02-10T22:04:14.810Z</updated><title type='text'>“maybe you' ll be there”</title><content type='html'>compreendo sempre tudo - que tenha sono, que esteja cansado, que esteja farto, que tenha pressa, que outros o chamem e que não lhe apeteça responder mas ainda assim vá. compreendo também que à sua vontade nem sempre responda o seu corpo e a sua alma. e depois compreendo ainda que a sua vida esteja sempre muito cheia ou muito vazia e que eu não caiba lá dentro ou a encha demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há pouco menti-lhe, quando lhe disse que fazia por estar bem. e depois calei-me, quando me disse,como que a compensar meia dúzia de respostas tortas dadas numa tarde, que gostava muito de mim. maneira desastrada de gostar.tanto mais,quando o elefante da história sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;contrario-me e não vou deixar mais um recado no mordomo do seu telefone.vou fazer como fazem todas as outras pessoas, sempre mais espertas que eu : vou ficar quietinha e calada, a ver se você sai do seu canto cómodo, da sua poltrona refastelada, do seu carrinho de feira, da sua secretária onde pousa cotovelos, garrafas de água e jornais. a ver se você vem ao meu encontro, a ver se você toma consciência de que tem de andar, já nem digo sequer correr, de que você tem de me ouvir e não apenas falar, de que você tem de perguntar em vez de preguiçosamente responder.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;é pesada a canga deste carro de bois.não o puxo mais sózinha,resolvi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas, logo, no mesmo soluçar, percebi que é por isto que terminam as coisas bonitas – por depois da exaustão da subida solitária da ladeira, que se exibe tão mais íngreme do que prometia nas primeiras curvas do caminho, se ceder à tristeza de não estar lá ninguém,a querer ouvir as suas belezas e arguras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deve ter sido por isso, por não querer que as coisas bonitas terminem por falta de mais um esforço meu, só mais este, que decidi ir recolher da estante da livraria virada para os clérigos, o segundo exemplar do livro que me apontaram insistentemente e que me explicou que nem sempre a coragem acompanha coração. depois, deposito-o no seu colo, assim que pouse o copo de água que lhe mate a sede. e então comentarei : “Sabe?, há livros que salvam amizades.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Maybe you’ll be there” ressoa na minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"o tecido do outono", de alçada baptista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-110798796621576298?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/110798796621576298/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/02/maybe-you-ll-be-there.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/110798796621576298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/110798796621576298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/02/maybe-you-ll-be-there.html' title='“maybe you&apos; ll be there”'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-110609419503989883</id><published>2005-01-19T00:26:00.000Z</published><updated>2005-01-19T00:23:15.040Z</updated><title type='text'>chão gasto</title><content type='html'>hoje, depois de uma leitura de sentença atribulada, fui espreitar, pelo lado de dentro, a janela que me passou ao lado, de raspão, na viagem vertiginosa da chegada ao marco de canaveses.há anos tirei-lhe uma fotografia, que trago pendurada na parede sangue de boi, à esquerda da virada a sul, na minha sala de trabalho.então, pousei o cotovelo no peitoril de mármore da janela rasgada ao baixo,voltada para os telhados das casas, para a bomba de gasolina e para a serra.fiquei à espera tanto tempo,rente à parede e ao vidro,que já sentia o frio da pedra mármore quando disparei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os sinos ribombavam com força quando entrei.a porta gigantesca estava fechada,dei a volta pela esquerda e dei com um letreiro que dizia "mantenha a porta fechada. aquecimento ligado". depois pensei no absurdo de manter a porta fechada e assim nunca entrar. como naquela tira do quino, em que na porta do chefe se dizia,"feche a porta antes de entrar".quantas vezes não li este aviso onde ele não estava escrito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma mulher reunia as cadeiras para longe do altar, alinhando-as perto da porta fechada e deixando-as quase sobrepostas,corridas como bancos, sem distância para um mortal se sentar.reparei então no chão gasto, raspado,riscado sempre com o mesmo ritmo.aproximei-me das filas das cadeiras ainda intocadas e percebi que o chão  gasto entre uma cadeira e outra, era marca dos pés impacientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi aqui que vi pela primeira vez cadeiras isoladas num igreja, em vez de bancos corridos.depois, reencontrei-as na igreja de saint germain de près,em paris.aí pensei - veio de longe a ideia. mas depois,quando vi as cadeiras da igreja de s.domingos,em lisboa,aqui ao lado, percebi que,às vezes,vamos buscar longe o que se explica tão perto.e dei-me conta que são muitas as vezes que as coisas estão perto de mais para as vermos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas na igreja de s. domingos,as cadeiras surgem unidas por travessas, pregadas à frente e atrás, a cercear-lhes a liberdade de desalinho.nas costas de cada cadeira, há um cabide, para senhores pousarem chapéus, para as senhoras desnudarem as mãos das carteiras.como se nas costas do fiel da frente pousassem o seu fardo, como assim se libertassem do que tolhe a cabeça que pensa, do que lhes enche as mãos ocupadas, entretidas com objectos,vazias de gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;regressei ao porto já debaixo de chuva, daquela séria, que faz os carros leves deslizarem nas curvas apertadas, pronunciadas à direita.vencida a escadaria e chegada à minha sala voltada a sul, passei a mão esquerda ao leve pela fotografia e sorri-me satisfeita por saber que ainda diz a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-110609419503989883?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/110609419503989883/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/01/cho-gasto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/110609419503989883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/110609419503989883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/01/cho-gasto.html' title='chão gasto'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-110454259865079371</id><published>2005-01-01T01:02:00.000Z</published><updated>2005-01-03T20:25:34.156Z</updated><title type='text'>em cheio</title><content type='html'>a vantagem de um ano que começa de novo são os cadernos novos, as agendas a estrear,o chorrilho de boa intenções manifestadas por escrito que nos hão-de levar ao inferno ou ao todo o lado, se cumpridas, ou a lado nenhum e à vergonha,se falhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é quase uma e cinco da manhã, vi a hora num relógio novo, oferecido por quem não se preocupa com o tempo.este relógio pesa pouco,ao contrário do que no fim-de-semana cobicei ao pai,um omega de 35 mm prometido a quem se lembrar de ser a primeira das filhas a dar-lhe um neto.quanto esperará o relógio? &lt;br /&gt;entretanto, aprendo as vantagens de nada nada pesar na mão direita que escreve e que desenha e que vai, não volta,me faz acordar de noite,dormente demais e a denunciar os esforços do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;este ano, a casa está cheia,a música alta e as resoluções de ano novo ecoaram entre gargalhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é bom sinal estar a escrever a esta hora - é sinal de que se começa o ano a fazer o que mais se quer.é começar o ano em cheio.oxalá não tenha sido (só) por amor que me disseram ao ouvido,"devias passar a vida a escrever."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já o faço. o que queria é que deixasse de ser para entreter a espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"the passenger",iggy pop.&lt;br /&gt;carne assada com castanhas.pudim com vinho do porto.murganheira bruto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-110454259865079371?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/110454259865079371/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/01/em-cheio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/110454259865079371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/110454259865079371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2005/01/em-cheio.html' title='em cheio'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-110417593807844234</id><published>2004-12-27T19:28:00.000Z</published><updated>2004-12-27T19:32:18.076Z</updated><title type='text'>"provavelmente nada disto se passou aqui"</title><content type='html'>andamos longe e a prometermo-nos um encontro mais demorado sempre para a vez seguinte. lembrava a tira do calvin no jornal, que a contragosto deixei para trás, que o futuro está sempre a transformar-se em presente. não me importava que assim fosse, se isso o trouxesse aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;soube agora, aninhada na varanda,como se mais perto do chão,estivesse mais protegida do frio, que não se lembra das mesmas deixas que eu, que o que não esteja escrito em cartas não lhe parece tão nítido, que as datas se baralham todas e ainda que cada dia podia ser tomado isoladamente, cada frase podia ter sido dita sem que a tivessem antecidido as demais - como se a memória não fosse importante ou não fizesse diferença. e assim  estivessemos sempre na estaca zero, como se cada dia fosse o primeiro, como se nunca tivessemos estado ali anos antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e foi assim que senti na pele uma linha que li num livro que me pousaram no colo e que me fez atravessar, mais docemente, quase incólume, as festas dos cristãos. nesse livro, josé antónio marina escreve,a páginas tantas, sobre as acumulações exteriores de memória, sobre os depósitos de informação que criámos fora de nós e sobre a diferença que isso nos faz nos processos de decisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é por não se lembrar de onde pousou os óculos e as cartas escritas, que não se decide a meter pés ao caminho, debaixo do frio e acima do sono?,até ao umbral da minha porta, até mais perto da cabeceira da minha cama? é por isso? temo que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“teoria da inteligência criadora”, josé antónio marina, edições "caminho da ciência".&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-110417593807844234?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/110417593807844234/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/12/provavelmente-nada-disto-se-passou.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/110417593807844234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/110417593807844234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/12/provavelmente-nada-disto-se-passou.html' title='&quot;provavelmente nada disto se passou aqui&quot;'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-110324294818029348</id><published>2004-12-17T00:13:00.000Z</published><updated>2004-12-17T00:22:28.180Z</updated><title type='text'>champagne</title><content type='html'>há semanas que trazia uma garrafa de champagne no frigorífico.era terça-feira e  reunião ia demorada,invadia a hora do jantar.a menina dos desenhos irrompeu na sala e disse,sorriso rasgado,"o presidente Sampaio decidiu dissolver a Assembleia!".quando cheguei a acasa, antecipei a passagem de ano e conclui que afinal havia um motivo para espera que dei à garrafa.na varanda e desprezando o frio,festejava - quase parecia noite de eleições,de resoluções de ano novo e de todas as promessas,como no início de uma caderno novo ou de um novo amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"e depois do adeus",paulo de carvalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-110324294818029348?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/110324294818029348/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/12/champagne.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/110324294818029348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/110324294818029348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/12/champagne.html' title='champagne'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-110178114084616745</id><published>2004-11-30T01:46:00.000Z</published><updated>2004-12-16T23:53:09.223Z</updated><title type='text'>deixar ficar recado</title><content type='html'>foi com dor e trabalho que aprendi a falar ao telefone,para disfarçar olheiras, telhas e uma idade menor à que a voz transaparece. aprendi a franzir o sobrolho e a rir-me também enquanto falo e enquanto me calo.e depois não resisto a ter uma caneta na mão e a escrever sobre o que me dizem ao que pergunto. ou a escrever outra coisa que me distraia do que me dizem e de que não gosto.ou a desenhar, como se os meus desenhos fosssem alguma vez mais alguma coisa do que frases que desenhei com minha melhor caligrafia e ainda assim sairam, como sempre,um grande,grande emaranhado.desemaranhar é libertar do mar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois,houve uma altura que ouvir alguém ao telefone era como se tivesse alguém a fazer rádio só para mim.essa altura vai longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje espero que me respondam aos recados que deixo, que me digam que a caixa das mensagens transbordou, com tanta pressa em dizer "chega de saudade".há dias, a medo mas a rir, confessaram-me que transcreviam os recados que eu deixava, como se assim, quando a gravação desaparece,o recado breve passasse a ser quase uma carta que se saboreia mais longamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na madrugada - a lua cheia, a insónia toda e o laranjal sem cheiro porque é inverno  - dou comigo a ouvir continuamente um doce lamúrio de quem diz que nunca mais é dia de ir comer peixe outra vez à margem sul, que nunca mais está sol que chegue no porto que conceda viagens debaixo do inverno, que me deixa ficar um abraço, um abraço, um abraço, um abraço, que me rodeia e me segura à medida que se repete. pudesse eu, ficava a vida toda a ouvir um recado assim.se mo deixasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"encontros e despedidas", maria rita que perdi no coliseu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-110178114084616745?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/110178114084616745/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/11/deixar-ficar-recado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/110178114084616745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/110178114084616745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/11/deixar-ficar-recado.html' title='deixar ficar recado'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-110132453486798847</id><published>2004-11-24T19:26:00.000Z</published><updated>2004-11-24T19:33:19.570Z</updated><title type='text'>mãos a arder</title><content type='html'>fui ao cinema ver que filmes estavam em cartaz,já passava a hora da última sessão.trazia atravessado na garganta o adiamento da peça de teatro que não fora ver a lisboa naquele fim-de-semana.tinha a suspeita que traria dentro as respostas às perguntas que me recusava fazer.foi então que vi a peça anunciada num cartaz de tamanho A3, afixado num contentor de obras perto do mercado do bom sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no dia seguinte, acordei mais cedo que o costume, telefonei a demandar por bilhetes e pelo caminho para lá chegar. trabalhei a correr, fiz fintas no trânsito, verónicas, diria o outro senhor de olhos azuis, e cheguei a tempo, também mais cedo que o costume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a sala estava cheia como um ovo e contei ainda algumas pessoas sentadas no chão. a voz, umas vezes quase gritada, outras a parecer soar-me sussurada no ouvido, pousada no meu ombro direito, dizia cada linha do texto como se trouxesse consigo o que estava antes e depois de si, como se cada linha fosse o traço de síntese entre dois planos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a plateia esperou uns segundos antes de rebentar num aplauso, espera necessária para recuperar o fôlego? aplaudia de pé e os actores, com narizes vermelhos de palhaço, dançavam ao som da marcha.só quando a música se calou se sentiu a dimensão da ovação, que ribombava contra as paredes.sorri-me, o recado sempre vinha ali dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às cinco da manhã, ainda tinha as mãos a arder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“palhaço de mim mesmo”, com ruy de carvalho, fórum cultural de ermesinde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-110132453486798847?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/110132453486798847/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/11/mos-arder.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/110132453486798847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/110132453486798847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/11/mos-arder.html' title='mãos a arder'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-110054186938806314</id><published>2004-11-15T17:51:00.000Z</published><updated>2004-11-15T18:26:33.866Z</updated><title type='text'>a olhar por mim</title><content type='html'>chegou finalmente o frio que greta as mãos,que insisto em trazer sem luvas.hoje atravessei o jardim da cordoaria e desci até à papelaria heróica, na rua das flores.semanas antes, vira na montra uns cadernos pretos,estreitos,capas pretas,folhas brancas para quem não sabe escrever ao longo de linhas.vendem-se à dúzia,vêm atados por uma fita de papel.&lt;br /&gt;doze cadernos, como doze ovos,como doze meses,como doze cravos.estarei feliz quando os cadernos lisos estiverem cheios como ovos,à razão de um por mês,a celebrar a liberdade de cada um escrever o que lhe apetece.e guarda para si.ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"someone to watch over me", ainda brad mehldau.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-110054186938806314?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/110054186938806314/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/11/olhar-por-mim.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/110054186938806314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/110054186938806314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/11/olhar-por-mim.html' title='a olhar por mim'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-109961094926696234</id><published>2004-11-04T22:00:00.000Z</published><updated>2004-11-04T23:29:09.266Z</updated><title type='text'>felicidade</title><content type='html'>chovia que se fartava.éramos três sentados à mesa,num restaurante que antes era uma casa de fotografia,a música saía de dentro de um armário com rede de de capoeiro.a garrafa de vinho estava quase vazia,mas não foi dela que saiu a história contada à laia de piada.falava de um homem que comprava sempre os sapatos um número abaixo do tamanho do seu pé - assim, chegado a casa,ao fim do dia,ao sentar-se na berma do sofá e ao libertar-se do aperto,tinha garantido um momento de felicidade.ri-me despudoradamente.lembrei-me de ter andado,manhã nascida,de vestido comprido com sapatos finos pela mão,a tentar equilibrar-me no lancil sempre estreito do passeio.e lembrei-me de um arquitecto tonto,menino sempre ensonado,que conduzia um mercedes imenso,com quem anos antes,falara horas perdidas à luz dos trocos:confessava então que se descalçava para poder desenhar.adivinhei-o empoleirado na cadeira,os pés nús bem longe de chegarem ao chão,a balouçarem no vazio,como se a cadeira fosse assim um parapeito de uma janela virada ao rio em lisboa,a dobra de um muro alto em mértola,com figueiras retorcidas em baixo ou o limite da última tábua que range no porto palafita da carrasqueira,o sado azul logo ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-109961094926696234?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/109961094926696234/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/11/felicidade.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109961094926696234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109961094926696234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/11/felicidade.html' title='felicidade'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-109943065352790531</id><published>2004-11-02T20:06:00.000Z</published><updated>2004-11-04T23:00:27.573Z</updated><title type='text'>vestir a pele</title><content type='html'>atéia,dou comigo em serralves aos domingos,quando não me perdi na noite do labiryntho.à saída, com um soco no estomâgo dado pelos desenhos e pelos recados de paula rego, pensava se as pessoas que se alinhavam, perfiladas, até à porta de ferro forjado da fundação, iriam sair dali tão risonhas como queriam entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lembrava-me das caras vazias,olhos encovados,mãos retorcidas, de quase todas as mulheres,mesmo até da que,triunfante,vestia a pele do lobo derrotado e esfolado,sentada numa poltrona vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;anos antes -depois de um desgosto de amor, primeiro e último, daí em diante,ia-me sempre embora primeiro -, encontrara numa exposição do CAM da gulbenkian alguns desenhos e pinturas que revi agora.esta mulher pinta e desassossega como ninguém.já então advertia que há mágoas e dores maiores que aquelas,ridículas,que trazemos connosco.e que há quem traga consigo mágoas e dores como as nossas e assim, perante aqueles espelhos,a nossa memória vem à tona da pele e arde, arde, arde...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando saí,lembrei-me nas fotografias de nan goldin,vistas também ali.trouxe ambas pela mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"paranoid android" tocado por brad mehldau.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-109943065352790531?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/109943065352790531/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/11/vestir-pele.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109943065352790531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109943065352790531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/11/vestir-pele.html' title='vestir a pele'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-109821005743269611</id><published>2004-10-19T18:17:00.000+01:00</published><updated>2004-10-19T19:23:16.956+01:00</updated><title type='text'>o perigo da fadiga</title><content type='html'>há dias, na rádio por escrito,falavam dos perigos das viagens demasiado longas sem descanso.vieram-me à garganta as viagens feitas de um trago só, entre lisboa e porto,com tanta pressa para chegar. e depois senti nos pulsos a dormência dos passeios feitos devagar,pelo gosto da mecânica da condução, curvas às quinhentas, feitas para deixar de pensar. e depois senti na pele o voo recente,para entrega atempada de um envelope num aeroporto debaixo de chuva copiosa,que favorece a tristeza de todas as despedidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tentei separar águas e contar quantas vezes o cansaço veio da viagem e quantas vezes já lá estava antes dela. e só depois percebi que,afinal,eram ainda mais as vezes que a viagem era procurada pela fadiga que trazia ao coração e assim obrigava a cabeça a dormir.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-109821005743269611?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/109821005743269611/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/o-perigo-da-fadiga.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109821005743269611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109821005743269611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/o-perigo-da-fadiga.html' title='o perigo da fadiga'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-109710259731050290</id><published>2004-10-06T22:21:00.000+01:00</published><updated>2004-10-22T20:16:07.863+01:00</updated><title type='text'>"this house is empty now"</title><content type='html'>era inverno e jantávamos ao som desta música,quando nem sequer suspeitávamos que um dia,um dia?,daí a pouco,esta mesma casa se iria encher de gente,escada acima,escada abaixo,transmutando-se num escritório que só a esta hora sossega.e ainda assim,se calhar nem a esta hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ainda não fechei a janela e passa das onze da noite.lembrei-me de uma tira do calvin,que falava de "dias tão cheios",quase como os de hoje.e de uma outra, que resumia o que vem sendo a  minha vida desde que me conheço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              "horas de dormir???", &lt;br /&gt;              "foi o que eu disse."&lt;br /&gt;              "mas eu ainda não acabei o meu trabalho de casa!preciso de mais tempo!"&lt;br /&gt;              "ainda te falta muito para acabares?"&lt;br /&gt;              "só me falta escrever."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o só faltar escrever era já faltar muito pouco.depois fui percebendo que escrever leva sempre mais tempo do que se julga.mas que já só faltar escrever,umas vezes é faltar o menos,outras é faltar o essencial.como se a casa estivesse vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"this house is empty now",elvis costello&amp;burt bacharach.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-109710259731050290?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/109710259731050290/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/this-house-is-empty-now.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109710259731050290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109710259731050290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/this-house-is-empty-now.html' title='&quot;this house is empty now&quot;'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-109698680241432502</id><published>2004-10-06T00:31:00.000+01:00</published><updated>2004-10-05T23:34:41.553+01:00</updated><title type='text'>pellow book</title><content type='html'>As que procurei em vão, &lt;br /&gt;principalmente as que estiveram muito perto,&lt;br /&gt;como uma respiração,&lt;br /&gt;ou não reconheci,&lt;br /&gt;ou desistiram e partiram para sempre, &lt;br /&gt;deixando no poema uma espécie de mágoa&lt;br /&gt;como uma marca de água impresente;&lt;br /&gt;as que (lembras-te?) não fui capaz de dizer-te&lt;br /&gt;nem foram capazes de dizer-me; &lt;br /&gt;as que calei por serem muito cedo,&lt;br /&gt;e as que calei por serem muito tarde,&lt;br /&gt;e agora, sem tempo, me ardem;&lt;br /&gt;as que troquei por outras (como poderei &lt;br /&gt;esquecê-las desprendendo-se longamente de mim?);&lt;br /&gt;as que perdi, verbos e &lt;br /&gt;substantivos de que &lt;br /&gt;por um momento foi feito o mundo&lt;br /&gt;e se foram levando o mundo.&lt;br /&gt;E também aquelas que ficaram,&lt;br /&gt;por cansaço, por inércia, por acaso,&lt;br /&gt;e com quem agora, como velhos amantes sem &lt;br /&gt;desejo, desfio memórias,&lt;br /&gt;as minhas últimas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;manuel antónio pina, &lt;br /&gt;"poesia reunida",edições assírio&amp;alvim&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-109698680241432502?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/109698680241432502/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/pellow-book.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109698680241432502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109698680241432502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/pellow-book.html' title='pellow book'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-109701171958231545</id><published>2004-10-05T11:14:00.000+01:00</published><updated>2004-10-05T22:40:58.970+01:00</updated><title type='text'>cheirar a mofo - outubro de 2001</title><content type='html'> &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sr.antónio lobo antunes, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estou em lisboa e é dia cinco de outubro. é feriado e não saí de casa todo o santo dia, que é coisa herege para se dizer em dia de comemoração de república.&lt;br /&gt;a chuva demorou a abrandar e deixei-me estar aqui a martelar umas teclas mais teimosas que outras. o tempo foi passando e, quando dei por mim, tinha uma longa carta escrita, duas páginas de prosa, um imenso recado, para apertar num envelope e mandar a um senhor que recebe muitas cartas de meninas e meninos, a pedirem o mesmo que eu, a pedirem para deixar pousar os primeiros dedos de um pequeno pé do lado de dentro da soleira da porta de um espaço que sempre imaginei escuro, quando sem vozes logo nos imaginámos no escuro da cegueira.&lt;br /&gt;um estúdio de rádio seria sempre escuro, o éter nunca poderia ter cor, quando muito o vermelho que diz "NO AR" ou então, mais à frente, a penumbra quebrada por luzes amareladas, de contornos desfocados, antes reservadas para os espelhos dos camarins da actrizes bonitas, esplendorosas, agora em volta dos espelhos na mais banais das casas-de-banho, fazendo de quaisquer uma estrela do glamour, com direito a uma esperança de arrebatada paixão, arrefecida quando se desfaz a cortina de fumo e do outro lado não está bogart.&lt;br /&gt;nos seus livros fala sempre de sons e de quadros e de cores, de janelas, muito sempre de janelas, daquelas que recortam um pedaço do mundo, desenham uma negritude em volta, como se fosse uma fotografia de contornos carregados de robert frank, com contornos pesados como os da boca de uma mulher que se fechou à chave, apesar de sozinha em casa, quando ninguém a poderia surpreender,a experimentar aquela côr mais garrida e se deixa ficar, perdida das horas, a olhar-se demoradamente ao espelho. &lt;br /&gt;ouvi ontem, depois de sair do metro no chiado, aquela música desfiada ao lado de um piano doce, que falava de uma janela que se fechava como um ovo, uma janela onde não há espaço entre o vidro ondulado, derretido em direçcão à soleira da porta, e as àrvores estáticas, pejadas de pássaros barulhentos nas árvores da praça, às cinco da tarde. depois ouvi uma outra música que não sabia que também trazia uma janela dentro, falava de uma janela quase câmara estática, que não persegue ninguém, antes deixa que tudo desfile perante si, uma câmara mais estática que uma máquina fotográfica assente num tripé a tirar fotografias tipo passe. e é essa janela o contorno negro de um desfile mais negro, ainda muito longe do carnaval.&lt;br /&gt;antes de inventarem o passe social, chamavam o quê a estas fotografias? ou não chamavam nada, porque foram inventadas para esses cartões, mostrados a quem não olha para eles, exibidos maquinalmente por quem não olha para quem não olha para si .e depois convivem na mesma carteira fotografias de décadas diferentes, cartões de cores garridas, feitios quase iguais, e quando se encontra um cadáver no rio, esses cartões vêm empapados, numa massa disforme e não ajudam a desenhar o rosto de quem se quis perder e afinal foi encontrado.&lt;br /&gt;sempre me lembro de ver os seus livros nas prateleiras mais altas da estante do meu pai, faziam parte daquele ramalhete que só leria mais tarde, quando fosse mais crescidinha, não fosse saber antes do tempo o que  a vida traria dentro e assim não querer crescer. achava curioso que um deles trouxesse na lombada uma expressão que se ouvia à mesa e que depois não me deixassem ler o que vinha dentro do livro que  me mirava lá de cima, perto do candeeiro, desde os trabalhos de casa até ao fim do jantar.&lt;br /&gt;o tempo passou e o primeiro livro que li seu não foi surripiado da estante do pai, comprei-o num dia que já não era dia, era noite, quando ao ouvido mas à distância me disseram logo pela manhã que podia escrever uma carta e deixá -la chegar a ser um livro inteiro. na prateleira mais alta da estante, como lá atrás, havia um livro com uma lombada verde onde se falava de crocodilos. estiquei um braço, fi-lo descer. reminiscência árabe ou escrita canhota por resolver, sempre abri livros e jornais da direita para a esquerda, e foi assim que li na última linha "esta carta tão amiga endereçada a ti". as páginas do livro eram amarelas e a letra era garamond, tamanho dez, reconhecê-la-ia ao longe, mesmo sem semicerrar os olhos de míope. trouxe o livro, vim embora. nessa madrugada cheguei depressa até à menina que voava nos braços do tio que Ihe permitia ainda no verão alcançar as fitinhas do natal que estava ainda longe de chegar.&lt;br /&gt;depois o livro trazia dentro atentados lentos, mulheres que se viam imensas, cafés sonhados em espinho, ilhas de madagáscar, doenças longas, tranças apertadas com aguardente, um sol que entrava em casa e não parava quieto, receitas de coca-cola, meninas escondidas debaixo da mesa, aos tombos dentro de um carro, paradas em frente ao tejo a ver um homem desastrado com a vida a pescar sem talento.&lt;br /&gt;quando terminei este seu livro, estava sentada no cais do sodré, com os pés à distância segura da água. havia homens aninhados como asiásticos, outros encostados aos restos da alma do domingo à tarde, outros ainda sentados ao meu lado, a verem uma menina a escrever depois de acabar de ler, a fitarem, dali a cana que haviam deixado à sua sorte, pousada entre os cestos e dois paralelos de granito roubados, chutados como bolas de futebol desde terra mais firme até quase ao tejo.&lt;br /&gt;subimos ainda até  sta. catarina, para vermos o tejo sem navios e o miradouro sem veIhos a dizerem à morte que esperasse ao menos o fim do torneio, lá mais para perto do outono. &lt;br /&gt;o dia estava visto. descemos a rua do alecrim que cheirava a lodo, julgando os turistas que era a mar. fomos pousar os dedos frios em frente aos copos de cerveja do bar onde o relógio gira ao contrário e os empregados  estranham ver olhos quase a marejar antes da primeira golpada na espuma densa como a das marés vivas e sérias de agosto, na praia da apúlia, quase na galiza, como oiço aqui.&lt;br /&gt;rodámos depois para casa, guiadas pelo odor das especiarias armazenadas numa das sobreloja do prédio. pelo crivo das janelas que acompanhavam os degraus escuros ouvíamos pássaros e sombras de árvores negras, que não havia naquela rua. entrámos em casa e na janela chocalhava o espanta-espíritos que denunciara a nossa chegada. pousei o livro no sofá maior e mais gasto e deixei as portadas da janela abertas. o livro ficou pousado quase no escuro, como estivesse no éter lá do início. e foi debaixo daquelas duas luzes que depois me apercebi que o lera. só na noite do dia seguinte o recolhi.&lt;br /&gt;obrigada por este livro.e por ter chegado até aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;05.outubro.2001.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-109701171958231545?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/109701171958231545/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/cheirar-mofo-outubro-de-2001.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109701171958231545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109701171958231545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/cheirar-mofo-outubro-de-2001.html' title='cheirar a mofo - outubro de 2001'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-109698298266184487</id><published>2004-10-05T10:33:00.000+01:00</published><updated>2004-11-04T23:30:43.213Z</updated><title type='text'>biologia</title><content type='html'>ontem,a desoras,o segundo biólogo do dia falava da paixão de editar livros e do critério da escolha ser o dos afectos - o de ter na sua editora as coisas que gosta de ler.e lembrei-me de duas linhas linhas de valter hugo mãe,seu co-editor,"meu amor inventado/ainda assim tanto demoras".vinham estes versos num livro com relógios gastos na capa, feita pela menina adriana, que em silêncio cantava uma canção de embalar gente crescida,"eu conto as horas pra poder te ver/mas o relógio esta de mal comigo".deve ter sido por isso que encostei os relógios esta semana.pode ser que assim o tempo passe mais depressa e o amor inventado venha num repente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-109698298266184487?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/109698298266184487/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/biologia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109698298266184487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109698298266184487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/biologia.html' title='biologia'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-109692688216589836</id><published>2004-10-04T21:05:00.000+01:00</published><updated>2004-10-05T23:29:24.556+01:00</updated><title type='text'>rondar</title><content type='html'>pouco falta para fazer um ano que me entregaram uma caixinha de música que trazia dentro (parte) do alentejo desse verão.quando o coração aperta de saudades ou o mundo ribomba dentro da cabeça, quando a amargura leva a melhor ou é dia de festa brava,todos os caminhos vêm dar aqui.julgamos rondar esta música,mas é ela que nos cerca.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;"a la puerta de mi amor&lt;br /&gt;hay un lazo de algodón&lt;br /&gt;todos passan y no se quedan&lt;br /&gt;solo yo me quedo en prisón&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tu que durmes en la ribera&lt;br /&gt;acaso me podrás decir&lt;br /&gt;cuantas horas duerme el água&lt;br /&gt;antes de amanecer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho no quintal um limoeiro&lt;br /&gt;junto ao canteiro da hortelã&lt;br /&gt;ele dá limões o ano inteiro&lt;br /&gt;eu em troca rego toda as manhãs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu em troca rego todas as manhãs&lt;br /&gt;isto é se não chover primeiro&lt;br /&gt;junto ao canteiro da hortelã&lt;br /&gt;tenho no quintal um limoeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;la nostalgia hace sufrir&lt;br /&gt;aún así la quiero bien&lt;br /&gt;una nostalgia en la vida&lt;br /&gt;pobre de quine no la quiere".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"o limoeiro" in "terra de abrigo"&lt;br /&gt;ronda dos quatro caminhos e coros do alentejo &lt;br /&gt;com a orquestra sinfónica de córdoba&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-109692688216589836?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/109692688216589836/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/rondar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109692688216589836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109692688216589836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/rondar.html' title='rondar'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-109692445271932909</id><published>2004-10-04T19:17:00.000+01:00</published><updated>2004-10-05T23:26:56.083+01:00</updated><title type='text'>a cheirar a mofo - dezembro de 2002</title><content type='html'>é quase meia-noite. há uns anos atrás ouvia um programa que se chamava à volta da meia-noite e soava como os cinco minutos de jazz da semana em versão demorada. ouvir senhores a tocarem instrumentos sem terem uma voz bonita a dar o mote foi coisa de que aprendi a gostar com a chegada das insónias e com a lassidão do domingo à noite. cheirava a roupa passada a ferro e a maçãs assadas. havia sempre um gato a dormir no tapete perto da banca onde a água pingava a desafiar o senhor do trompete, do saxofone ou do piano. era domingo e havia jornais sobre a mesa e o rádio já silenciara os relatos de futebol da tarde desportiva. havia cestos de vime forrados a panos de linho poídos, plenos de carcaças douradas de pão. nos pratos de louça arrefeciam ainda os bolos da tarde. havia sempre uma caneta no parapeito do banco pregado à parede e os jornais eram riscados e desenhados como se se estivesse ao telefone. hoje é terça-feira e continua a chover. hoje há um senhor que toca trompete dentro do computador e lembro-me de quando era míuda e ouvia vozes dentro de um automóvel grande, imenso, de estofos vermelhos com um volante maior que o perímetro da terra. mas não estava lá ninguém, ninguém no banco de trás,ninguém nem escondido dentro do motor. lembro-me de, a medo, empurrar para dentro, com o dedo indicador direito da curiosidade, a patilha que tapava a entrada das cassettes: lá dentro havia uma luz que parecia acesa para ninguém. depois convenciam-me que não era suficientemente rápida, que os senhores das vozes se escondiam pois pressentiam a tempo a chegada do meu olhar inquisidor. apercebi-me quando comecei a ouvir esta música estranha, só com sons e que soava sempre a improviso que assim se podia falar ou calar sempre, que a música estava ali mas era como se não estivesse e estivesse ao mesmo tempo. recheava silêncios que não incomodavam e sublinhava palavras só com linhas coloridas, como se não escrevesse nas margens. estamos em março e continua a chover como se já fosse abril.no porto falam de pontes e de rios revoltos e de cidades viradas do avesso. quer saia à rua, quer entre em casa, no barulho da chave na porta, ao raspar das solas no empedrado, do empilhar de livros, ao recortar de jornais, no silêncio do anoitecer ou no dealbar da manhã, a música que desenha linhas coloridas é sempre a do senhor do saxofone com um piano perto, às vezes com uma bateria a compor o ramo. parece que é sempre domingo. há coisas que fazem a vida parecer um filme. olá,mãe.olá,pai. recebam um beijo grande desta menina que nunca mais cresce e que acena daqui tão perto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-109692445271932909?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/109692445271932909/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/cheirar-mofo-dezembro-de-2002.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109692445271932909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109692445271932909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/cheirar-mofo-dezembro-de-2002.html' title='a cheirar a mofo - dezembro de 2002'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-109691563516014488</id><published>2004-10-04T14:37:00.000+01:00</published><updated>2004-10-05T23:25:15.233+01:00</updated><title type='text'>lisboa</title><content type='html'>"de cada vez que volto a lisboa,tenho a sensação de voltar a casa.",&lt;br /&gt;diz um senhor com sotaque francês na tsf,enquanto escrevo contra a tarde que cai depressa demais e me diz que não vou acabar a tempo o que estou a fazer.recuperei há pouco a capacidade de dividir a atenção e ouvir entrevistas, noticiários e estados do tempo enquanto escrevo.e foi assim que,ouvindo sem estar a ouvir à séria, me entrou esta tirada pelos olhos adentro,que brilharam marejados - descobri que fora (também) por isso que,no regresso da viagem breve,trazia comigo "um nó na garganta".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-109691563516014488?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/109691563516014488/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/lisboa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109691563516014488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109691563516014488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/lisboa.html' title='lisboa'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-109681075749891967</id><published>2004-10-03T22:42:00.000+01:00</published><updated>2004-10-05T23:24:00.696+01:00</updated><title type='text'>"era grave não termos"</title><content type='html'>fui à procura de um livro que já lera emprestado, de sopetão e que oferecera dias antes. ao rapaz a quem demandara por outros livros,noutros dias, pergunto-lhe por "nenhum nome depois" ao que me responde, depois de certeiro se dirigir à prateleira que o suportava,"era grave não termos." sorri-se e eu agradeço.&lt;br /&gt;concordei em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Onde quer que o encontres -&lt;br /&gt;escrito, rasgado ou desenhado:&lt;br /&gt;na areia,no papel,na casca &lt;br /&gt;de uma árvore, na pele de um muro, &lt;br /&gt;no ar que atravessar de repente&lt;br /&gt;a tua voz, na terra apodrecida&lt;br /&gt;sobre o meu corpo - é teu,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para sempre, o meu nome."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;maria do rosário pedreira,&lt;br /&gt;"nenhum nome depois", edições gótica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-109681075749891967?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/feeds/109681075749891967/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/era-grave-no-termos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109681075749891967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109681075749891967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/era-grave-no-termos.html' title='&quot;era grave não termos&quot;'/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8565470.post-109674822576448236</id><published>2004-10-02T16:30:00.000+01:00</published><updated>2004-10-05T23:22:50.230+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"a pureza que se respira no alto compensa bem a fadiga da ladeira"(bento jesus caraça),disse-me uma vez um amigo a meio de um jantar de sexta-feira, citando de cor o matemático que procurei mais tarde, para perder o medo dos números.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já perdi muitas vezes o fôlego : a correr para comboios, a subir a couraça de lisboa, a galgar degraus dois a dois para não perder o café marcado no bairro alto, a voar para os correios dos aliados para fazer o correio seguir em tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já senti muitas vezes o peso da exaustão, debruçada na minha varanda virada para um pomar de laranjeiras, no interior insuspeito de um quarteirão perto da rotunda da boavista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e já soube depois abrandar, até conseguir ouvir a pedra da eira na serra da cabreira contar os seus segredos de um dia ao sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assim fui percebendo que assistia razão ao meu amigo, ao me avisar que a adivinhada fadiga do caminho não nos deve dissuadir de perseguir a montanha, mesmo sem sabermos se o ar que ali se respira terá o cheiro dos arbustos de aljezur ou das pedras de pitões das júnias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e também fui percebendo que a fadiga que se abate sobre o corpo à medida que a ladeira se torna mais íngreme ou sinuosa,não pode ser motivo para não repararmos no caminho que se estende até à montanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do que se vê apesar da fadiga e por causa dela e do que se respira depois nas alturas, é sobre isso que escreverei aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8565470-109674822576448236?l=afadigadaladeira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109674822576448236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8565470/posts/default/109674822576448236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://afadigadaladeira.blogspot.com/2004/10/pureza-que-se-respira-no-alto-compensa.html' title=''/><author><name>limoeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14539411566105144770</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
